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A história de Carlos, o tipo que canta a ementa em estilo rap no Alentejo

Começou por subir a uma cadeira para chamar à atenção durante um jantar de adolescentes no restaurante A Ribeira, mas depois percebeu que podia ser uma estrela a estalar os dedos.

Canta a ementa há 19 anos.

No restaurante A Ribeira, em Montemor-o-Novo, no Alentejo, não há ementas para dar ao clientes. O dono Carlos Carriço sobe todos os dias para uma cadeira e canta em estilo rap quais são as opções disponíveis no menu. “Sempre que entram clientes, canto o menu. Chego a fazê-lo 15 a 20 vezes aos jantares”, explica Carlos Carriço à NiT. O restaurante tem duas salas, com capacidade para 70 pessoas no total. 

“Mesmo que só estejam duas a três pessoas na sala, canto. Depois, quando está mais composto, até os clientes já sabem a letra e cantam comigo.”

Tudo começou há 19 anos, poucos meses depois da inauguração, quando Carlos quis chamar a atenção dos clientes. “Tinha um jantar com muitos adolescentes de 18 anos. Estava muito barulho e ninguém se decidia sobre o que queria comer. Pus-me em cima de uma cadeira e gritei a ementa para todos ouvirem.”

A ideia pegou, por isso, o alentejano juntou-lhe um estalar de dedos, um estilo rap e um arranque sempre igual: “Everybody knows…”

“No início só subia uma vez à cadeira por dia, mas as pessoas começaram a pedir ‘vá, lá, sobe mais uma vez’, e agora subo várias vezes.” E acrescenta: “Demoro entre um minuto e 20, a um minuto e 40 a dizer todo o menu.”

Quando Carlos começou a fazer estas performances ainda não haviam redes sociais. Agora, há vários vídeos de Carlos no Facebook e no YouTube. “A comida é muito boa, mas há pessoas que vêm de propósito só para me verem. Não me importo que gravem. É publicidade e é sempre bom ver que alguém gosta do teu trabalho.”

No final da refeição, as sobremesas também são apresentadas numa versão cantada. Quando chega a conta, o registo passa para o fado. “Quis também fazer algo diferente e ainda pensei no cante alentejano, mas era mais demorado.” Carlos vai a cada mesa fazer a conta com a calculadora na mão.

“Olho para tudo o que foi consumido, canto e vou acrescento à calculadora. Até a soma total é cantada.” 

Carlos Carriço tem 48 anos e sempre esteve ligado à restauração. Nasceu no Monte da Caparica e aos seis meses partiu com os pais para a Alemanha. Voltou aos 14 anos com a família para viver em Montemor-o-Novo.

“A adaptação à escola não foi fácil e como o meu pai viu que não dava para os estudos, disse para trabalhar com ele no restaurante que tínhamos.”

Era uma taberna dedicada à cozinha portuguesa. Foi ali que trabalhou até ir para a tropa, com 19 anos. “No restaurante do meu pai não cantava, aí era tudo direitinho.” Carlos era empregado de mesa, tal como agora n’A Ribeira.

Depois da tropa deixou a restauração e foi para uma fábrica de congelados em Montemor-o-novo. Aos fins de semana trabalhava também em casamentos e baptizados, até que a  mulher o desafiou para abrir um restaurante.

“Disse que eu sabia vender e que ela sabia cozinhar. Foi um risco enorme. Já tinha dois empréstimos, um para a casa, outro para o carro. Na altura o restaurante custou 30 mil contos.”

A Ribeira abriu em 1999 e foram poucos os dias em que não houve ementa cantada. “Tive de faltar porque estava doente e houve logo reclamações de pessoas que tinham ido para me ver.”

Já tem algumas ideias para inovar o espetáculo, mas por enquanto só canta com a filha, que tem 22 anos. “Ela ajuda-me ao fim de semana aqui na sala, e como toca e canta muito bem, fazemos uns espetáculos de vez em quando.”

As tiras de choco frito, as migas alentejanas, o e borrego assado no forno são algumas das especialidades da casa e que são cantadas todos os dias.

Carlos Carriço com o staff do restaurante.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua de São Domingos, Montemor-o-Novo
    7050-203 Montemor-o-Novo
  • HORÁRIO
  • Das: 12:00
  • Às: 15:00
  • Das: 19:00
  • Às: 22:00
  • Fecha segundo todo o dia e domingo ao jantar.
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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