Restaurantes

Só têm 20 e 21 anos, mas já mandam na cozinha do restaurante de um hotel do Alentejo

Os dois chefes estão à frente do restaurante do Villa Park Nature & Business Hotel.

A juventude é muitas vezes associada a inexperiência, mas não tem de ser sempre assim. Francisco Alves, de 21 anos, e Rui Araújo, com 20 anos, lideram uma equipa do restaurante de um hotel de quatro estrelas no Alentejo. O Hotel Vilka Park Nature & Business Hotel é o local de criação para os dois melhores amigos de infância, que têm aqui o seu primeiro grande desafio profissional.

“Não ligam à idade, apenas à nossa maturidade, e respeitam-nos muito”, é assim que Francisco descreve a relação com o resto da equipa do restaurante.  O desafio de chefiar um restaurante chegou mais cedo do que esperava. “Nunca esperava aos 21 anos estar a chefiar um restaurante, mas também se deve ao trabalho árduo, ao sacrifício, e a passar muitas horas na cozinha”, confessa Francisco à NiT.

A proposta surgiu depois da saída do chef anterior, com quem Francisco já tinha trabalhado. “Ele recomendou-me à direção, dizendo que eu era bom profissional e que já tinha trabalhado comigo”, afirma. A direção teve em consideração esta recomendação, convidaram-no para fazer testes de culinária no restaurante e acabou por ficar. Com ele, ficou também Rui Araújo, com quem “já tinha cozinhado” e “não podia estar mais feliz” com o resultado final.

Francisco e Rui sabiam de antemão que o projeto não ia ser fácil, mas acabou por aceitar na mesma e dois meses depois está contente com a sua escolha. A localização no Alentejo, as diferentes ideias e as mudanças na equipa, nomeadamente a nível de cozinheiros, são alguns dos motivos que tornaram esta proposta mais difícil. Além disso, “liderar pessoas” é o principal desafio para Rui, enquanto que para Francisco aponta a criação de uma “carta nova”  — que normalmente é feita fora da época alta.

No entanto, “nem nós estávamos à espera que corresse tão bem a nível da direção, da cozinha e de elogios”, confessa Francisco. O êxito neste desafio não se deve apenas aos seus trabalhos, mas também ao resto da equipa. “Se também estamos a ter sucesso, é graças à equipa. Nós os dois sozinhos não íamos conseguir fazer nada disto sozinhos e sem eles não seria possível”, conta. 

Cozinheiros desde miúdos: 

A paixão pela culinária começou cedo para ambos. “Sempre tive um gosto pela cozinha deste criança, comecei o curso aos 15 e a trabalhar nessa idade também”, revela o chef do restaurante. Desde os 6 anos que Francisco se recorda de brincar aos cozinheiros e de ir com os pais para uma empresa de peixe. “Acabei por ganhar o gosto pela cozinha nessa altura”, acrescenta.  O principal motivo para seguir este ramo foi o facto de gostar de “profissões diferentes” e não gostar “de rotinas”.

Começou muito cedo.

O gosto pela cozinha começou também desde miúdo para Rui. “Os meus avós sempre tiveram ligados a pastelarias e restaurantes e eu acabei por ter essa influência na família”, afirma. Ainda assim, Francisco entrou no ramo da restauração mais cedo do que Rui, que já conhecia Francisco desde a infância, e acabou por lhe pedir ajuda a escolher o futuro profissional. Hoje, trabalham juntos no mesmo restaurante e a experiência tem corrido bem.

Trabalhar com o melhor amigo:

“Parecendo que não, ele como é meu amigo é capaz de me passar mais responsabilidade e dar mais na cabeça”, confessa Rui. O bom ambiente profissional também contribui para esta relação de amizade. Por sua vez, Rui afirma que um dos pontos fortes de trabalhar com o amigo é chegar ao final do dia e “poder falar um com o outro e desabafar sobre o que correu bem e o que correu mal”.

Esta amizade também já resultou em pratos para o menu do restaurante. Numa caminhada na praia, que fica mesmo perto do hotel, os dois prestaram atenção às conchas que estavam na areia e perceberam que havia ali potencial para algo diferente. “Utilizamos uma das conchas para colocar vinagrete de coentros e o empregado de cozinha mete por cima um dos pratos”, referem os dois. 

É a liberdade e a criatividade que sentem em trabalhar um com o outro que contribuí para esta dupla de sucesso culinário. “Somos os dois muito iguais e eu sou muito criativo. Do nada gosto de criar os pratos e o Rui também é uma pessoa desse tipo”, revela Francisco. 

Durante a quarentena, os amigos idealizaram um projeto conjunto, que acabaria por não ver a luz do dia. “O projeto chamava-se Quinas à mesa, por causa das quinas portuguesas, e tínhamos cinco menus diferentes para take away”, explica Francisco. O menu consiste em vários pratos diferentes, incluindo pratos tradicionais, mas reinventados pelos dois. Ainda assim, Francisco e Rui querem colocar a ideia em prática no hotel, nomeadamente no bar, para atrair os habitantes locais ao seu restaurante. 

Além disso, querem também atrair os habitantes locais aos almoços, que não costumam ter tanto sucesso como os jantares. “As pessoas da vila não gostam de comida gourmet, gostam mais de peticos e queríamos fazer uns petiscos mais trabalhados”, conta Francisco.  O objetivo é trazer os residentes até ao restaurante e fazer com esta seja “uma segunda casa”, termina. 

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

NiTfm
Novos talentos

AGENDA NiT