Restaurantes

A tasca do Porto com uma das melhores francesinhas que recusou receber Anthony Bourdain

O Golfinho, uma pequena casa de pasto, abriu em 1998 e mantém uma carta com cachorros, alheira e sobremesas a 2€.

Há quase três décadas que uma pequena tasca da Rua de Sá de Noronha, no Porto, serve francesinhas cobertas de queijo e mergulhadas num molho picante. A sala tem apenas algumas mesas e há uma regra escrita logo no menu: cada pessoa tem de pedir a própria refeição.

É assim n’O Golfinho, uma casa de pasto que abriu em 1998 e que se tornou conhecida sobretudo por uma das especialidades mais disputadas da cidade. O espaço é gerido por Alberto Fernando da Silva, conhecido entre os clientes simplesmente como “Senhor Alberto”, e mantém um registo familiar numa zona do Porto onde entretanto apareceram restaurantes pensados para públicos bem diferentes.

O espaço também não esconde aquilo que é. Há um balcão comprido, poucas mesas e uma carta onde continuam a aparecer francesinhas, cachorros, alheira e bacalhau à Brás. A grande atração continua a ser a francesinha. A versão mais simples custa 9,40€ e junta diferentes tipos de carne, pão e queijo, tudo coberto pelo molho picante da casa. Quem quiser acrescentar um ovo estrelado paga 10,20€.

As batatas fritas são pedidas à parte. A francesinha acompanhada por uma dose fica por 10,90€, enquanto a versão completa, com batata frita e ovo, custa 11,70€. As batatas são cortadas à mão e preparadas na casa, uma característica que também tem sido destacada por publicações que incluíram O Golfinho entre os locais onde provar o prato portuense.

Há ainda uma pequena tradição para quem experimenta a especialidade pela primeira vez. Alberto guarda um livro de honra dedicado à francesinha e convida alguns clientes a deixarem por escrito a opinião sobre aquilo que acabaram de comer. Tendo em conta que a casa as serve desde 1998, já houve tempo para acumular muitos testemunhos.

A fama, porém, não parece ter mudado muito a relação do proprietário com publicidade e câmaras. E é precisamente daí que nasce uma das histórias mais curiosas associadas à casa.

A francesinha que Anthony Bourdain não filmou

Quando Anthony Bourdain passou pelo Porto, em 2017, para gravar o seu programa gastronómico “Parts Unknown”, visitou alguns dos espaços mais conhecidos da cidade. O Golfinho não foi um deles.

Há vários anos que circula a história de que Alberto terá recusado receber Bourdain no restaurante por não querer publicidade. O episódio ganhou estatuto de pequena lenda gastronómica portuense e é referido por diferentes guias dedicados às tascas da cidade. Não existe, porém, confirmação pública detalhada do encontro, pelo que a história deve ser tratada precisamente como isso: um relato que passou de boca em boca ao longo dos anos.

A atitude torna-se ainda mais curiosa porque Bourdain acabou por provar francesinha noutro clássico portuense, O Afonso, que apareceu no programa.

Anos depois, outro norte-americano decidiu tentar a sorte. Dave Allister, de 36 anos, responsável pela página “Dave in Portugal”, onde partilha vídeos sobre tascas, restaurantes e gastronomia portuguesa, recebeu de um morador a recomendação para experimentar O Golfinho.

Como contou à NiT, já conhecia a história relacionada com Bourdain, mas resolveu perguntar se poderia gravar no interior. A resposta não foi propriamente encorajadora. Quando Dave chegou e pediu autorização para filmar, disseram-lhe que o restaurante estava fechado. O detalhe caricato é que ainda faltava cerca de uma hora para o horário de fecho. 

O norte-americano acabou por regressar noutra ocasião, desta vez sem insistir na gravação, e conseguiu finalmente provar a francesinha. Colocou-a entre as melhores que já comeu em Portugal. “Ele realmente não precisa da publicidade”, brincou Dave à NiT.

Há mais para provar

Embora seja o prato que construiu grande parte da reputação da casa, não é preciso pedir francesinha para comer n’O Golfinho. Uma das alternativas mais próximas é o cachorro especial, servido com o molho picante da casa por 7€. Com ovo passa para 7,80€, com batatas fritas custa 8,50€ e, na versão com os dois acompanhamentos, fica por 9,30€.

A carta conserva ainda vários pratos típicos de uma casa de pasto. O bacalhau à Brás custa 10€, tal como o prego no prato, servido com batatas fritas e ovo. A alheira, também acompanhada por batatas e ovo, fica por 8€. Há ainda salada de atum.

As sobremesas são também simples e mantêm preços difíceis de encontrar atualmente no centro do Porto. O pudim, bolo de bolacha, natas do céu, cheesecake de morango, mousse de chocolate e Romeu e Julieta custam todos 2€. A fruta é vendida a preço variável.

No Tripadvisor, O Golfinho apresenta uma classificação global de 4,2 em cinco, baseada em 314 avaliações, e surge entre os restaurantes portugueses e europeus da cidade.

Mais de 25 anos depois da abertura, a fórmula pouco parece ter mudado: uma sala pequena, comida portuguesa sem grandes complicações, pagamentos em dinheiro e uma francesinha que continua a levar clientes à Rua de Sá de Noronha. Nem a fama parece ter convencido a casa de que precisa de muita exposição — como Anthony Bourdain e, mais recentemente, Dave descobriram.

Carregue na galeria para conhecer O Golfinho e alguns dos pratos desta histórica casa de pasto do Porto.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. de Sá de Noronha 137
    4050-526  Porto
  • HORÁRIO
  • De segunda-feira a sábado das 12h às 15h00 e das 19h30 às 22h30
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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