Restaurantes

A tasca no Monte da Caparica que serve comida alentejana com preços que dão vontade de voltar

Sopa de cação com coentros e açorda alentejana com bacalhau não faltam no menu. Há 40 anos que a casa serve pratos de tacho e recebe os clientes como se fossem família.

Quem entra na Tasca do Reguengos, dificilmente passa despercebido. Há sempre alguém a cumprimentar quem chega, uma mesa onde se conversa sem pressas e um sorriso à espera do outro lado do balcão. É precisamente essa sensação de proximidade que transformou este restaurante num dos segredos mais bem guardados do Monte da Caparica. 

O espaço abriu portas a 1 de abril de 1986, pelas mãos de Manuel José Janes e Ermelinda Janes, naturais de Reguengos de Monsaraz, que decidiram trazer um pedaço do Alentejo para o concelho de Almada. Quatro décadas depois, a tradição mantém-se, agora com a filha, Ana Luísa Janes, de 43 anos, aos comandos do restaurante há 18 anos, juntamente com o primo, Luís Caeiro, que se juntou ao projeto há cerca de uma década.

“Nasci praticamente dentro deste restaurante. Cresci aqui, fui estudar e até entrei no ISCAL, em contabilidade, mas quando os meus pais decidiram que estava na altura de parar, não consegui deixar que a Tasca do Reguengos desaparecesse. Peguei no negócio porque sempre gostei de receber pessoas”, conta à NiT.

É essa forma de receber que continua a marcar a casa. Ana Luísa faz questão de cumprimentar praticamente todos os clientes e de trocar dois dedos de conversa, mesmo nos dias mais movimentados. Não é raro aparecerem pessoas sozinhas para almoçar.

“Muitos clientes vêm sozinhos porque sabem que nunca estão realmente sozinhos. Há sempre conversa, alguém conhecido ou um ambiente acolhedor. Queremos que todos se sintam como se estivessem em casa”, diz.

Manuel José e Emerlinda, os fundadores.

A filosofia do restaurante resume-se numa frase criada pelo pai: “A Tasca do Reguengos é um fator multiplicativo de amizades.” Quem frequenta o espaço há anos garante que não podia descrevê-lo melhor.

A carta também foge às modas. Em vez de hambúrgueres ou grelhados rápidos, aposta na cozinha tradicional alentejana feita sem pressas, onde os pratos de tacho continuam a ser os protagonistas.

Entre as especialidades estão a sopa de cação com coentros (11,50€ meia dose ou 19,80€ uma dose), as migas de espargos com carne de alguidar (12,50€ e 19,80€), a açorda alentejana com bacalhau, o ensopado de borrego, as bochechas estufadas, o cozido de grão e vários pratos de caça, como arroz de lebre ou tordos fritos, preparados consoante a época do ano. 

Há ainda propostas como as favas guisadas com entrecosto (11,50€/18,50€), a galinha de cabidela (11,50€/19,50€), o coelho frito à Reguengos (12,50€/19,80€), a vitela estufada com molho de cenoura (11,50€/19,50€) e o polvo à lagareiro (20,50€). A carne de porco preto também tem um lugar de destaque na ementa. 

Para tornar a casa mais acessível a diferentes públicos, foram introduzidas meias-doses, muito procuradas por estudantes e por quem trabalha nas Finanças, bancos e restantes serviços da zona. Ainda assim, a maioria dos clientes continua a ser composta por habituais que regressam semana após semana.

As sobremesas seguem a mesma linha da cozinha. Os doces conventuais alentejanos dominam a carta (4,80€), mas muitos optam pelo chamado “pijaminha”, uma degustação que reúne várias sobremesas tradicionais da casa. 

Nos últimos anos, a Tasca do Reguengos também passou a apostar em noites de fado, organizadas duas vezes por mês, e em sessões de samba, reforçando a ideia de que o restaurante é mais do que um sítio para comer.

Enquanto isso, Manuel José Janes, hoje com 83 anos, continua ligado ao projeto. Para assinalar os 40 anos da casa, lançou o livro de poesia “Reguegando no Outono da Vida”, uma homenagem à história da família e ao espaço que ajudou a construir. Quatro décadas depois da abertura, a Tasca do Reguengos continua a provar que uma boa refeição pode começar à mesa, mas muitas vezes acaba numa conversa que se prolonga muito para lá da sobremesa.

Carregue na galeria para conhecer o espaço e os pratos desta tasca. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Gen. Humberto Delgado 13,
    Monte de Caparica, 2825-086  Caparica
  • HORÁRIO
  • De segunda a quarta das 12h às 15h30
  • De quinta-feira a sábado das 12h às 15h30 e das 19h30 às 22h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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