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After Dark: o novo (e secreto) izakaya de Lisboa

Nasceu no espaço do Sandwich Club de Louise Bourrat, só tem 11 lugares, dois turnos por noite e um menu de degustação.

Durante o dia, serve sandes num ambiente descontraído. À noite, as luzes amornecem e o espaço transforma-se num izakaya intimista de alma japonesa. No mesmo número da rua do Monte Olivete, no Príncipe Real, vive o After Dark, um restaurante de inspiração nipónica que só abre depois das 19 horas. E onde há muito mais do que sushi à espera dos curiosos.

A ideia partiu de Matheus Martins, chef de 31 anos, enquanto ainda chefiava apenas a cozinha do Sandwich Club, também da chef Louise Bourrat, responsável pelo Boubou’s. O brasileiro, que cresceu no seio de uma comunidade japonesa em São Paulo, sabia que esses sabores faziam parte do seu caminho, mas só depois de uma longa viagem ao país, em março, é que conseguiu organizar o conceito e convencer a chef francesa.

“Sou fascinado pela cultura japonesa desde miúdo. Cresci com a minha mãe a levar-me a sushi bares e izakayas ainda nos anos 1990 quando pouco se falava sobre estes conceitos. Ela diz que comecei a comer uns mini temakis com apenas um ano. Adorava aquilo”, conta à NiT. O cozinheiro viveu entre “uma das maiores comunidades japonesas fora do Japão”. “Esta comunidade vai na quarta geração e está completamente enraizada no Brasil, aliás não se vê qualquer diferença. Os primeiros japoneses chegaram a São Paulo para fugir da Segunda Guerra Mundial, quando o país deles não estava do lado mais correto do conflito e havia poucos lugares que aceitavam refugiados japoneses. O Brasil era um deles. Acabaram por dar-se bem, cultivaram cogumelos, abriram os próprios negócios e introduziram a sua cultura na nossa. Atualmente temos pratos considerados clássicos em São Paulo que são originalmente do Japão”, acrescenta.

Com toda esta bagagem acumulada, Matheus decidiu que 2025 seria o ano para conhecer o Japão. A viver em Portugal há três anos, desde que foi convidado para ser head chef no Salta, ao lado do chef Tomás Reis, sentiu que era o momento certo para aprofundar os seus conhecimentos. “Conheci a Louise Bourrat quando ainda estava no Salta e ela convidou-me para gerir o Sandwich Club. Aceitei e mais tarde apresentei-lhe a ideia do izakaya, que sempre imaginei a acontecer dentro do outro espaço. A minha viagem ao Japão serviu para aprofundar vários conceitos de gastronomia. Passei por várias cidades e trouxe várias ideias para abrir o After Dark”, explica.

Inicialmente, o nome pensado era Sandwich Club After Dark, que descrevia bem o conceito. Mais tarde optaram por simplificar e ficou apenas After Dark. “A partir das 19 horas, o espaço muda radicalmente. Pendurámos lanternas vermelhas tipicamente japonesas à porta que anuncia ao que se vai.” Lá dentro, há apenas dois balcões onde se serve um menu de degustação com sete ou dez momentos.

A proposta não segue a fórmula tradicional de izakaya. É, segundo Matheus, “algo mais criativo”, com a sua própria visão sobre o conceito. “Começámos por ter apenas o conceito por três noites por semana, às quintas, sextas e sábados e funcionámos até setembro assim, num género de soft opening. Agora criámos os menus de degustação, estou a terminar a certificação de sommelier de saké e abrimos cinco noites por semana”, revela.

Os clientes podem “embarcar numa viagem pela história de Matheus” e escolher entre o menu de sete momentos (54€) ou o de dez (74€). O primeiro inclui ostras, seleção de sashimi, gunkan caótico, picles tsukemono, frango frito & caviar, sando de porco ibérico e, no final, pudim de miso. O mais completo acrescenta nigiri de wagyu, amêijoas XO e salmão com tarê de chocolate. Ambos podem ser harmonizados com saké (38€), selecionado pelo chef, ou com vinhos escolhidos pela sommelier Anastasiia Kornilova.

“A ideia para este menu era contar a minha história e as minhas vivências. Foi feito com uma visão muito própria de como via o After Dark. Começa com algo mais rígido e depois vais-te soltando para criações mais divertidas. É um pouco como o desenrolar da noite”, explica o chef.

A única sobremesa da carta nasceu de uma receita da avó de uma antiga pasteleira do Boubou’s, adaptada com miso, sake, yuzo e outros toppings.

O espaço é bastante exclusivo, com apenas 11 lugares. Funciona com dois turnos: o primeiro às 19h30, com o chef a cozinhar à frente dos clientes, e o segundo às 21h30. As reservas são obrigatórias.

Carregue na galeria para descobrir o novo izakaya noturno de Lisboa.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. do Monte Olivete 73
    1200-244  Lisboa
  • HORÁRIO
  • Terça a sábado das 19h às 2h
PREÇO MÉDIO
Mais de 50€
TIPO DE COMIDA
Japonesa

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