“Quando vim para Portugal, recordei-me dos clubes que frequentávamos no Rio de Janeiro quando eu era miúdo, onde os almoços eram passados a falar deste País, de forma a preservar a cultura nacional. Quando visitei esta zona da Margem Sul identifiquei-me com tudo o que ouvi ao longo dos anos”, contava à NiT, em fevereiro, Pedro Ganança, de 60 anos.
O luso-brasileiro, filho e genro de portugueses, acabara de abrir o restaurante Apeadeiro de Sarilhos, no Montijo, que marcava uma nova fase da sua vida. Nove meses depois, o projeto terminou em tragédia, com a morte do proprietário e do filho de 20 anos, alegadamente mortos a tiro pelo outro sócio.
Segundo as autoridades, o crime terá ocorrido pelas 20 horas deste domingo, 16 de novembro, e terá sido alegadamente cometido pelo outro sócio, José Augusto, que já terá antecedentes criminais. O atirador encontra-se em fuga. Quanto às vítimas, terão ainda sido transportadas para o hospital, mas não resistiram aos ferimentos.
O Apeadeiro de Sarilhos serviu, entre 1908 e 1989, como ponto de paragem do comboio que ligava o Ramal do Montijo. Depois de fechar, ficou ao abandono e tornou-se num museu a céu aberto. Pedro Ganança, juntamente com o sócio José Augusto, decidiu recuperá-lo e transformá-lo num restaurante “para voltar a ser um palco de emoções”.
O espaço ganhou o nome do próprio apeadeiro e abriu oficialmente a 1 de fevereiro. O luso-brasileiro, filho e genro de portugueses, mudou-se para Portugal, durante a pandemia, em 2020, à procura de “alargar horizontes e encontrar novas ideias” para o seu negócio de eventos no Brasil. Acabou por deixar-se ficar e recuperar as memórias de infância, ao ouvir a família a falar sobre as festas, folclore e futebol.
Assim que decidiu mudar-se definitivamente com a família, Pedro Ganança começou a investigar mais sobre a região. Ficou atento aos eventos, às festas e aos locais, com a ideia de montar um projeto idêntico ao que tinha no Brasil.

“Quando aqui vim pela primeira vez estava tudo degrado, em ruínas, mas as histórias que fui ouvindo de quem cá vive fascinaram-me. Esta passagem de nível assistiu a momentos inesquecíveis, desde casamentos, namoros. Há uma relação muito grande do local com as pessoas da terra. Por isso, decidimos resgatá-lo e restaurá-lo”, refere.
A história do espaço também foi resgatada e foi contada num pequeno museu instalado no restaurante, onde foram expostas peças de antigas locomotivas, fotografias e outros artefactos que os locais tinham. No interior, com capacidade para 100 pessoas, há uma réplica de uma parte da locomotiva CP-855. “É uma peça que merece destaque e, por isso, está mesmo na parte central do Apeadeiro de Sarilhos.”
A parte exterior, com uma esplanada coberta para cerca de 200 pessoas, dá acesso a um parque infantil e um campo de futebol para que os miúdos possam brincar, enquanto os pais almoçam ou jantam.
Embora pareça um pequeno museu, o negócio principal continua é o restaurante, onde são servidos apenas pratos portugueses. Da cozinha saem travessas e tachos de ferro fundidos com bacalhau à Lagareiro (13€), choco frito (6,50€), bitoque (12€) ou panados de frango (8,50€).
Na parte dos petiscos destacam-se o pica-pau de vitela (8,50€), os rissóis de leitão (2€), as tirinhas de frango (8€) e tábuas de enchidos da região (7,50€). Dependendo do dia, é possível provar filetes com arroz de tomate, arroz de pato ou lombo com batatas assadas. O preço é sempre o mesmo: 12,50€.

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