Restaurantes

Honda deixou a má vida e agarrou-se à cozinha. Faz “um dos melhores ramen do País”

Viveu dias negros no Japão, mas aprendeu a arte do ramen. Depois de Cacilhas, as suas taças gulosas de ramen chegam a Lisboa.

Rajesh Jwarchan emigrou para o Japão para aprender tudo sobre cozinha, mas todo o dinheiro que ganhava era esbanjado casino, em drogas e em álcool. Após “dez anos de autodestruição”, em 2015 decidiu voltar para Pokhara, no Nepal, onde encarou a deceção nos olhos dos pais. “Foi bater no fundo”, conta à NiT, sobre o momento em que  percebeu que estava na hora de mudar e dar outro rumo à sua vida.

Em 2014, completamente limpo dos vícios, decidiu refazer a sua vida longe de tudo. Escolheu Portugal como destino. Na mala trazia apenas um sonho: abrir um restaurante onde pudesse servir “o melhor ramen do mundo”. Começou por abrir um espaço com um sócio, mas não correu bem. Quando Honda, nome pelo qual é conhecido, viajou para o Nepal para se casar, as vendas e os critérios de qualidade e limpeza do pequeno restaurante na Estefânia tinham caído consideravelmente.

Assim que chegou e viu como as coisas estavam, desfez a sociedade e recomeçou. Os pais, de quem herdou os jeito para a cozinha, ajudaram-no. Abriu um espaço em Cacilhas em setembro de 2023 e no passado dia 8 de março abriu o segundo na Praça do Martim Moniz.

Dos tempos que passou no Japão, Honda de 35 anos, trouxe todo o saber. “Vivi momentos péssimos, mas quando trabalhava estava concentrado. Comecei por lavar pratos e as minhas mãos estava na loiça, enquanto os meus olhos estavam no fogão. Via tudo atentamente, depois ia para casa testar”, recorda. A cozinha acabava por ser também o escape do “grupo de amigos mafiosos” que encontrou e com quem “se perdeu”.

Nos dez anos que lá viveu, trabalhou em diferentes restaurantes de ramen, sempre com o objetivo de seguir o exemplo dos pais e abrir o seu próprio negócio. Um dos pontos inegociáveis para Honda era a qualidade, por isso no novo Hachiko Ramen é tudo feito de raiz, incluindo a massa do ramen e os caldos. “Dá mais trabalho do que comprar já feita, claro, mas o sabor é completamente diferente”, explica sobre o ramen da moda na capital e que até foi destaque do documentário “O Homem que Comia Tudo: Boa Honda”, transmitido na “SIC Radical”.

O mesmo para os caldos de tonkotsu, shoyu (com soja) e o shio (com sal), feitos à base de frango e numa preparação que demora mais de 16 horas a fazer. O primeiro serve de base para um dos pratos mais pedidos, o Tonkotsu ramen (9,99€). Com pasta de miso caseiro, fatias de carne de porco de Chashu, cebolinho, ovos marinados, molho hacata e óleo de alho. A versão com alho negro, o Black Tonkotsu Ramen (10,49€), é outro dos bestsellers. “Os pratos de ramen são servidos em cinco minutos, mas a elaboração do caldo e dos ingredientes leva mais de um dia de trabalho.”

Nas entradas, aponta para outra especialidade do Hachiko: frango karaage (5,99€). “Um petisco popular nas ruas do Japão, crocante por fora e suculento por dentro. É feito com carne da perna, que é marinada e revestida com farinha de batata-doce.”

Para doces trouxe o cheesecake japonês (3,49€) e os mochis de chocolate, matcha e morango (2,99€). E para quem procura uma experiência totalmente asiática, Honda incluiu whiskys japoneses (5,99€) e cocktails também daquele país, como o Chuai (5,99€), o Highball (6,99€), ou o Kamikaze (4,99€). Há ainda saké e vinho português, que Honda não consegue parar de elogiar. “É ótimo. Escolhi o da zona do Alentejo porque complementa muito bem os caldos do ramen”, adianta.

O espaço é composto por uma pequena sala que torna todo o espaço acolhedor. A decoração inclui ainda pormenores pensados para mudar de geografia, mas também recuar no tempo, em que o cão, ou Hachiko, merece destaque. “Este animal representa lealdade oura e é isso que eu sinto pelos meus amigos e clientes. Quero se leal e honrar a cultura japonesa” acrescenta.

Carregue na galeria e deixe-se transportar até ao Japão, sem sair do Martim Moniz, em Lisboa.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. de São Lázaro 51
    1150-329 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Segunda a domingo das 12h às 22h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Japonesa

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