Restaurantes

Arca: novo restaurante no Bairro Alto tem “pratos simples com detalhes de exceção”

Unidos pelo amor à comida, quatro russos abriram o negócio em Lisboa para se afastarem da guerra e darem um futuro aos filhos.
Salada verde de oito vegetais.

Dois casais russos na casa dos 40 anos, desiludidos com o rumo do seu país, escolheram Portugal como destino. Trouxeram os filhos e o amor pela comida. Um sentimento agora consumado no Arca, o bistrot que abriram no Bairro Alto a 3 de outubro.

Rumaram ao nosso país há um ano, unidos por um objetivo comum, o de criarem um restaurante. “A realidade russa tornou-se dura de suportar para todos nós. Cada vez há menos perspetivas, não apoiamos as políticas do governo e estamos contra a guerra”, começa por contar Yulia Grishachkin à NiT. “E, acima de tudo, temos filhos. Eles foram a principal razão da saída – queremos dar-lhes um futuro”, acrescenta.

E porquê Portugal? “Pareceu-nos o sítio certo para construirmos algo juntos, uma coisa que valha a pena. É uma nação linda, com gente maravilhosa. Já temos muitos amigos portugueses, assim como de outros países.”

Os quatro fizeram desvios de 180 graus: não só nas vidas pessoais, mas também profissionais. Todos tinham carreiras em áreas diferentes. Natalia Svyatogor ainda era a que conhecia melhor o universo onde agora atua – escreveu sobre gastronomia e abriu restaurantes, em Moscovo e São Petersburgo. Nesta cidade, tinha função de supervisora da New Holland, uma urbanização criada com foco na vida cultural, quando decidiu partir.

O marido, Vasily Konashenok, também lá trabalhava, como diretor do departamento de manutenção. Além disso, ajudou a criar uma cooperativa para distribuir produtos de agricultores locais, chamada Lavka Lavka.

Yulia foi produtora de televisão e, nos últimos anos, dedicava-se aos documentários, um dos mais recentes sobre a indústria russa do vinho. É casada com Sergey Grishachkin, também produtor, mas do ramo musical: concertos de jazz, festivais, tournés e discos.

A ideia do quarteto era fundar um restaurante que servisse também como um ponto de convívio, onde qualquer pessoa, independentemente da origem ou características, se sentisse em casa. Daí o nome Arca, não de Noé, mas de todos os humanos (e não só, porque até é um espaço pet friendly).

“Adoramos Lisboa e foi aqui que quisemos edificar o nosso projeto. É o objetivo que nos uniu aos quatro, apesar de sermos tão diferentes, tanto nas personalidades como nas profissões. Um restaurante foi mesmo a atividade certa para nós.”

Em vez de fazerem um típico espaço de comida russa, definiram um conceito diferente, mais abrangente e sem estar preso à gastronomia de uma geografia específica. “O Arca é um bistrot e bar onde podemos encontrar pratos que são aventuras, ideais para quem gosta de experimentar coisas novas. A intenção do menu é clara: comida simples com detalhes de exceção.”

Para concretizarem o plano, convidaram um conterrâneo, Artem Matlaev, que brilhou em São Petersburgo. Atraído pelo projeto e pela ideia de emigrar, o jovem chef de 26 anos aceitou o desafio. “Ele costuma dizer que o seu estilo de cozinha é guiado pelo senso comum. Dedica-se muito à pesquisa de ingredientes locais e sabores sazonais, que resultam em pratos de assinatura fantásticos. Não são muito complicados, mas sempre deliciosos. Há anos que somos fãs dele.”

Natalia define a cozinha do Arca como uma mistura entre o estilo minimalista nórdico com o uso de ingredientes menos habituais na gastronomia do sul europeu, como aipo, courgette com pouco sal e picles de quiabos.

“Os nossos destaques são cavala com nozes e jalapeños (11€), couve-flor grelhada com iogurte (10€), croquete de costeleta à Kiev (11€), dourada com risone e curgete fermentada com endro (16€), língua de vaca com puré de batata (18€), risotto de choco com a sua tinta (16€) e pimentos ramiro com stracciatella e presunto (11€).”

A completar a “armada russa” do Arca está Dimitry Lysenkov, que acumula funções de gerente e sommelier. Um imigrante de alto nível, como revela Yulia. “Foi jornalista em áreas como moda, lifestyle e vinhos, antes de ir trabalhar para a embaixada de Itália em Moscovo na organização de eventos.”

O especialista de 37 anos está agora a descobrir a fundo os vinhos portugueses, o que se reflete na carta do restaurante, onde também há cocktails exclusivos, cervejas nacionais e chás de receita própria.

Com um mês decorrido desde a abertura, as reações dos clientes não podiam ser mais positivas. Natalia resume com entusiasmo a concretização do plano dos quatro amigos. “O Arca nasceu para ser um ponto de união, nosso e de quem nos visita, através da comida, do vinho e da cultura. Estamos muito contentes.”

A seguir, carregue na galeria para conhecer os pratos aventureiros que pode saborear no Arca.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Luz Soriano, 44
    1200-247 Lisboa
  • HORÁRIO
  • 18h às 0h (todos os dias)
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Fusão, Internacional

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