Restaurantes

Arrozes caldosos e pão-de-ló com caviar. Sá Pessoa tem um novo restaurante em Miami

O Sereia, o primeiro espaço do chef nos EUA, abre a 1 de março. Mais de metade da carta é composta por "pratos de mar".
O restaurante abre no outono.

Bacalhau à Brás, arroz de marisco, salada de polvo e leitão. Estes são apenas alguns dos pratos tipicamente portugueses que poderá provar no novo restaurante de Henrique Sá Pessoa em Miami, na Flórida.

O Sereia abre portas a 1 de março e é o primero espaço do chef nos Estados Unidos, país que conhece bem. “É como se voltasse à minha segunda casa. É uma abertura muito especial”, revela à NiT.

O cozinheiro de 48 anos morou nos EUA na adolescência, para onde se mudou para fazer um intercâmbio que se revelou promissor. “Na altura não fazia a mínima ideia do que queria fazer. Já estava cá há um ano quando comecei a conhecer melhor a profissão e passei a equacioná-la para o meu futuro. Inscrevi-me no Pennsylvania Institue of Culinary Arts, em Pittsburgh e os primeiros dias ficaram gravados na minha memória para sempre. Um nervosismo e uma paixão que jamais esquecerei. Gostei mesmo muito da experiência e, de certa forma, vivi o sonho americano. Passei a ambicionar ter um projeto meu.” O sonho do miúdo que se apaixonou pela cultura dos Estados Unidos tornou-se realidade e até “superou as expectativas”.

Agora volta onde tudo começou para “preencher lacunas”. “Nos últimos quatro anos tenho viajado várias vezes para Miami e, embora seja uma cidade vibrante, com muitos restaurantes e perto do mar, havia pouca oferta de peixe e marisco”, explica.

O espaço, resulta de uma parceria de Sá Pessoa com o grupo Sault Hospitality, com base na ligação ao mar. E, claro, o nome escolhido — Sereia — reflete esta premissa.

“Quando começámos a pensar no projeto, sabia que o caminho teria de ser por ali.” Conseguiram ficar com um antigo restaurante que estava fechado, em Coconut Grove, o que permitiu fazer um “investimento mais controlado”.

Mais de metade da carta (cerca de 70 por cento) é composta por “pratos de mar”, onde se destacam o famoso Bacalhau à Brás do chef e a cataplana de marisco. Porém, também há espaço para as marinadas e os ceviches.

“Como acontece em Londres, por cá também apreciam o peixe confecionado desta forma, por isso decidimos apostar”. O menu inclui ainda tártaro de snaper, “uma espécie de pargo”, salada de polvo, tártaro de novilho com ouriço-do-mar e vieiras. Outra aposta de Sá Pessoa é nos arrozes caldosos. “No Joia, em Londres, o arroz de marisco representa 60 por cento das vendas. Temos uma grande tradição destes pratos e não podia deixá-los de fora”, detalha. No Sereia irá servir também arroz de polvo, arroz com amêijoas à Bolhão Pato e arroz de pato.

O peixe chega da costa este dos EUA, banhada pelas águas frias do Atlântico. No entanto, irá contar também com muitos ingredientes nacionais. “Não será um restaurante tipicamente português, mas tem um grande selo de Portugal”, refere.

A carta de vinhos inclui rótulos das diferentes regiões do nosso País. “Teremos entre 80 e 100 referências, 40 serão do Douro, Dão, Alentejo e Minho.” A tradição mantém-se no último momento da refeição com o pão de ló servido com azeite, flor de sal e caviar e também com uma versão conceptual do tradicional arroz-doce.

A festa de inauguração do Sereia está marcada para 29 de fevereiro, mas só pode marcar mesa a partir de 1 de março. Um almoço ou jantar no novo espaço de Sá Pessoa irá custar entre 80 e 100 dólares (cerca de 90 euros), sem bebidas.

No futuro haverá um menu de degustação e, a partir de setembro, irá acolher um bar de speakeasy, com uma carta de cocktails de autor. “O objetivo é que o projeto evolua por fases.”

Sá Pessoa não esconde o entusiasmo por fazer parte da nova onda que tem feito de Miami um destino gastronómico. “Nos últimos meses muitos outros chefs abriram restaurantes cá. Massimo Bottura, o Gordon Ramsey, ou o José Andrés são alguns dos exemplos”, refere.

O papel de Sá Pessoa será de consultor gastronómico e formador. “Tenho um chef cubano que estará cá diariamente e outro profissional que me tem acompanhado em vários projetos. Neste momento, estou cá a organizar a inauguração, mas depois pretendo vir a Miami três a quatro vezes por ano”, adianta. 

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT