Depois da Ginjinha sem Rival, a Baixa lisboeta perde mais uma das suas lojas históricas. O Beira Gare fechou as portas de forma repentina no final de julho, sem qualquer anúncio. O espaço era centenário, mas só desde 1976 é que funcionava como cervejaria com as famosas bifanas.
Quem passava pelo Rossio conhecia bem a casa. Abria ainda de madrugada e servia as bifanas num pão ensopado em molho, até às altas horas da noite. Era ainda conhecido pelas sopas de legumes, pastéis de nata e rissóis, que serviam como aperitivo para a famosa sandes com carne de porco.
À NiT, um dos comerciantes vizinhos explicou que o contrato de arrendamento terá terminado há um mês e o tribunal terá emitido uma ordem de despejo, que ditou então o encerramento do espaço histórico. Isto na sequência de uma alegada compra do edifício por um fundo imobiliário há cerca de dois anos.
A mesma fonte adianta que o prédio onde estava inserido o Beira Gare dará origem a um hotel e, a caixa de elevador estará localizada exatamente na cozinha do antigo restaurante.
A gerência terá feito de tudo para evitar o desfecho, entre a aceitação de rendas muito superiores e terá mesmo tentado concorrer ao programa de Lojas Com História para salvaguardar o património e o negócio, mas sem sucesso. Sem hipótese de comprar o espaço, o negócio teve de fechar de um dia para o outro e os proprietários não terão conseguido salvaguardar as indemnizações dos funcionários, nem os equipamentos que estavam no espaço.
No dia seguinte, as janelas foram pintadas de branco para evitar olhares curiosos.

A casa esteve aberta 117 anos. O Cafe de La Gare abriu no final de 1908, no então Largo de Camões, junto à Estação do Rossio. O espaço ocupou o lugar de uma livraria que tinha encerrado no início desse ano, revela o blogue Restos de Coleção.
O pequeno café tornou-se ponto de encontro de revolucionários e artistas. O ambiente reservado proporcionava segurança a conversas “em segredo”, como descreveu a revista “Ilustração Portugueza”, em 1920.
O espaço passou por várias mãos até que, em 1953, adotou o nome Café Beira Gare. Passou então a ser frequentado por diferentes classes sociais. Entre 1941 e 1976 manteve-se sob esta gerência, até ser trespassado nesse último ano e convertido na cervejaria que se tornou conhecida nos últimos tempos, onde as bifanas eram o prato principal.
Além da Beira Gare, nos últimos meses Lisboa perdeu alguns dos negócios históricos. A Ginjinha Sem Rival irá fechar para dar origem a um hotel, assim como a Pomarense na Avenida da Liberdade, que não resistiu à pressão imobiliária. Na Graça, a Pastelaria Centro Ideal também se prepara para encerrar, após a venda do prédio a um fundo francês.








