Restaurantes

Balagan: o “caos charmoso” com sabores do Médio Oriente que se instalou na Ericeira

O espaço, com gestão 100 por cento feminina, fica no areal da Praia do Sul e dispõe de café, esplanada, restaurante e rooftop.
Há muito para provar.

Quando, no verão de 2016, a austríaca Katharina Grafl (36 anos) rumou em direção à Ericeira para umas merecidas férias, estava longe de imaginar que se iria apaixonar pelo destino ao ponto de desejar nunca mais voltar para casa. Ainda assim, quando o momento da partida chegou, tratou de fazer as malas para regressar ao país de origem, onde trabalhava na área do turismo.

O facto de ter conseguido um emprego no PortugalSurfCamp, um hostel que viria a gerir durante dois anos, reforçou a vontade de alargar a estadia. Em fevereiro de 2019, juntou-se à equipa do Selina, na qual permaneceu por um ano. “Quando o contrato estava prestes a ser renovado e ia retornar à Áustria para um projeto que o grupo tinha lá, a pandemia surgiu e esses planos acabaram por não se concretizar. Vi então a oportunidade de começar um negócio próprio.”

Criou o Balagan, onde os sabores do Médio Oriente são os principais protagonistas. “Na altura, pareceu-me que esta cozinha ainda não estava muito explorada no País. Apenas uns quantos restaurantes específicos em Lisboa, outros no Porto, mas nada ao nível da representação das gastronomias desta região. Como era algo que apreciava bastante e de que sentia falta, resolvi investir, até porque os produtos necessários para a pôr a prática são facilmente encontrados localmente.”

Inicialmente, Katharina cozinhava a partir da própria casa, maioritariamente para os amigos. O passa palavra aconteceu rapidamente e começaram a aparecer cada vez mais pessoas interessadas em experimentar e repetir os pratos. Resolveu contactar o Selina para discutir a possibilidade de lhes arrendar a cozinha, uma vez que estavam fechados devido ao surto de Covid-19. “Com um espaço maior, conseguia fazer entregas e take-away e perceber melhor o que os clientes realmente gostavam e procuravam”, explica.

O sucesso fez com que a empresa a desafiasse a assumir o restaurante do alojamento quando este reabrisse. Assim fez, durante alguns meses, até que resolveu tornar-se ainda mais independente e começou a funcionar num registo nómada, concentrando-se numa estratégia pop up a curto prazo através de acordos de parceria com locais exclusivos na área da Grande Lisboa, e oferecendo serviços de catering e de chef privado para eventos individuais e empresariais selecionados.

Enquanto isso, ia procurando um lugar fixo para se instalar definitivamente. “A tarefa foi complicada porque na Ericeira era difícil encontrar um local que correspondesse às expetativas sem ultrapassar o orçamento. Por sorte, houve um concurso público para assumir um espaço no areal da Praia do Sul, junto à arriba. Apresentei a minha proposta e esta saiu vencedora, o que me permitiu abrir o Balagan”.

Em junho, inauguraram oficialmente num encantador edifício branco e moderno. No piso térreo, depara-se com uma café e esplanada que funciona como apoio de praia e conta com um menu reduzido que inclui pequenos pratos e snacks que vão do pequeno-almoço ao almoço. Algumas mesas, no entanto, estão reservadas para coworking com vista para o mar. No segundo piso, fica o restaurante e rooftop, utilizados, sobretudo, para servir almoços e jantares.

Tudo foi pensado para que os visitantes se sentissem o mais confortável possível. “Quero que as pessoas venham e se sintam em casa, por isso, é que o restaurante quase parece uma sala de estar. A ideia é passar aos clientes a sensação de estarem em casa, a desfrutar de um bom copo de vinho e boa comida. Acredito que este seja um dos maiores destaques do projeto.”

O espaço sobressai ainda por ter uma gestão 100 por cento feminina, da cozinha à decoração. “Não foi algo propriamente planeado. Acabou por acontecer. Mas penso que foi um acaso feliz. Muitas vezes, na hotelaria e restauração, as mulheres não são encaradas com seriedade. Esta acaba por ser uma forma de mostrar que somos perfeitamente capazes de fazer um bom trabalho nesta área”, comenta.

Partilha também que, em várias ocasiões, quando fala do negócio, lhe perguntam pelo marido ou pelo parceiro homem, como se fosse necessário haver um para que fosse bem sucedido. “Ao não existir, reforça que é possível construir algo de sucesso só com mulheres”.

Da carta, Katharina destaca opções como o húmus, que pode ser servido com borrego temperado e salsa (9,5€), abóbora assada e cogumelos (8€) ou camarão à Bulhão pato (12,5€), sempre acompanhado por pão pita. “É uma boa mistura dos sabores orientais com produtos portugueses”. Não falta a clássica shakshuka (7,50€), koftas de borrego em pão chato (14,50€) e choco com batata doce (12,50€).

Acima de tudo, todas as opções sobressaem pela multiplicidade de cores e texturas, e por mostrarem que há infinitas possibilidades na hora de trabalhar um dado produto. “O objetivo é dar a conhecer formas diferentes de usar os ingredientes de sempre”.

Para acompanhar, há cocktails de autor pensados para harmonizar com os pratos do menu, cerveja da Mean Sardine e Botão, duas cervejeiras da Ericeira, além de uma seleção de vinhos de marcas independentes de várias regiões do País, bem como diversas referências de vinhos naturais.

Mais do que proporcionar uma experiência gastronómica, o Balagan, que significa algo como um “caos charmoso”, quer assumir-se como um hub cultural, pelo que apresenta uma agenda paralela à qual vale a pena estar atento. O nome resulta do processo criativo da proprietária. “Quando estou na cozinha, a criar novos pratos, tendo a ser um pouco caótica, o que torna tudo mais interessante”, conclui.

Carregue na galeria para descobrir o que Katharina tem à sua espera.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Praia do Sul.
    2655-304 Ericeira
  • HORÁRIO
  • Café: Todos os dias 09h às 18h. Restaurante: Quarta a segunda das 12h30 às 23h.
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Médio Oriente

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