Há três anos e meio, a venezuelana Gilmar Patrício chegou a Portugal com os pais, o marido, os filhos, na esperança de encontrar uma vida mais tranquila — e o mais longe possível da ditadura de Nicolás Maduro. A família encontrou tudo o que estava à procura em Machico, na ilha da Madeira.
Gilmar começou por trabalhar numa padaria e, com o passar do tempo, surgiu a ideia de abrir o próprio negócio. Em novembro do ano passado, esse projeto tornou-se finalmente realidade com a abertura do Banana Latte. Segundo o fundadora, é o primeiro conceito focado em brunch em Machico. Com 50 metros quadrados e capacidade para receber 30 clientes, o sucesso foi imediato. Hoje em dia, até é frequente filas à porta ou reservas em lista de espera.
No entanto, poucas pessoas imaginam os obstáculos que Gilmar continua a ter de ultrapassar para perseguir o seu sonho. “Por ser imigrante, tudo foi feito com muito sacrifício. Tive de pedir um crédito ao banco para investir. Aqui sou contabilista, cozinheira, faço a limpeza e muito mais”, conta à NiT.
Aos 42 anos, a empreendedora é filha de madeirenses que regressaram à terra natal, após quase cinco décadas na América do Sul. Este tem sido um período de adaptação para toda a família, sobretudo para Gilmar, que na Venezuela fez carreira na venda de roupa para bebés e crianças. Agora, quer afirmar-se no setor da restauração.
Sem experiência, apostou tudo criatividade para conquistar clientes. Por isso mesmo, escolheu os tons amarelo e verde para decorar o Banana Latte, numa homenagem a um dos produtos mais emblemáticos da Madeira: a banana, que dá também nome ao espaço. Além disso, encontrou inspiração nos dois filhos de 12 e 16 anos, para construir o menu.
Por aqui não faltam propostas que se tornaram bestsellers imediatos, como os milkshakes de Oreo (3,50 €) ou Nutella (4 €). Trabalhar com marcas reconhecidas é, segundo Gilmar, essencial para garantir a qualidade de tudo o que chega à mesa.
Como seria de esperar, o brunch é o grande protagonista da ementa. O menu completo inclui ovos mexidos, cogumelos salteados, tomates cherry assados, salsichas, bacon, feijão com molho de tomate doce, queijo-creme e pão torrado. Custa 10,50 €.
Existem ainda opções à la carte, como a panqueca Bananatella, com gelado de baunilha, morangos, banana, Nutella e amendoim (6,50 €); o waffle Manga Exótica, servido com manga, queijo mascarpone, gelado, mel e hortelã (6 €); a tosta de salmão, com queijo-creme, abacate, alcaparras e cebola roxa, acompanhada de salada (7 €); e a La Guaíra, um trio de arepas recheadas com carne (7 €).
“Faço tudo com carinho, como se fosse para a minha família. Há cuidado em cada detalhe”.
Carregue na galeria para conhecer melhor os pratos e o espaço do novo brunch popular da Madeira.

LET'S ROCK







