Sem uma placa que anuncie o nome, é difícil encontrar esta tasca na Graça e chegar até lá. Até mesmo o Google Maps tem apenas uma pequena indicação a um lugar chamado “Rebelo&Afonso” (o nome legal da empresa). Na realidade, o espaço é conhecido entre a clientela como a “Tasca do Carlos”, referência ao proprietário e cozinheiro, Carlos Esteves, de 79 anos. Muitos teimam em dizer “vamos ao Carlos”, como se fosse a password de um segredo bem guardado de Lisboa.
Aberto desde 1954, o espaço começou por ser uma leitaria, tornando-se a partir de 1983 numa das mecas da Graça para almoços. Carlos recorda como era esta zona de Lisboa, quando abriu a tasca. “Era um bairro sossegado, mas também não se podia falar muito”, diz, fazendo uma alusão à ditatura que se vivia na época. E acrescenta, “mas ainda assim havia respeito, até mandávamos os mais novos para casa. Hoje em dia já não se pode fazer isso”.
Ao lado dele, a servir ao balcão, está Ana Corte Real, de 34 anos, funcionária que já está na casa há dois anos e que é como família para Carlos. Quando questionada sobre o tipo de clientes que param na tasca, diz: “há sempre alguém novo a aparecer, mas no geral estão aqui quase sempre os cromos do bairro”.
Entre um par de cornos suspensos sobre o balcão, uma foto da Rainha Elizabeth de Inglaterra quando ainda era nova e águias benfiquistas, a clientela ocupa o espaço. Ao lado do balcão, está a cozinha, onde toda a gente tem oportunidade de o ver Carlos a fazer o que faz há décadas: a grelhar bitoques e pregos que são imagem de marca da casa.
Com batatas fritas e ovo (10€), o bitoque é o prato com mais saída. “Isto não tem segredo nenhum. Está tudo à vista, chego ali, ponho o alho no azeite para alourar, tenho carne de boa qualidade e está a andar”, conta à NiT.
Outro menu que está sempre a sair é o prego no pão com uma imperial. Tem o valor de 6,30€, um preço que parece ter parado no tempo, juntamente com todo o ambiente desta tasca lisboeta.

Além destes clássicos da cozinha portuguesa, Carlos também serve doses de amêijoas (até 15€) e pratos de gambas a 12,50€. Uma imperial fresquinha tem o valor de 1,30€, já a garrafa de Super Bock ou Sagres está a 1,70€.
Por vezes é possível encontrar outras especialidades, como caranguejo, mas apenas quando Carlos encontra estes petiscos a um valor justo no mercado.
Ana descreve a tasca como sendo “barata, um sítio onde se está sempre em casa e onde o ambiente é leve e tranquilo”, mas sobre as pessoas que aparecem aqui ela também diz, “o cliente tem sempre razão, ele fica com a dele e eu fico com a minha”.
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