Com 21 anos, Robson Oliveira deixou o Brasil rumo à Calábria, em Itália, para ajudar num pequeno hotel de estrada da família. Começou por lavar loiça e arrumar quartos, até que passou para a cozinha. Bastaram alguns meses para se apaixonar pela cultura italiana e pela “simplicidade e valorização da cozinha”. Agora, com o dobro da idade e um percurso consolidado na restauração, abriu finalmente o seu primeiro restaurante italiano. O Bono Cucina chegou ao Saldanha a 4 de julho.
Depois do Bono Lisboa, que abriu em 2020 no Chiado e onde a cozinha mediterrânica se funde com influências brasileiras, o chef percebeu que estava na altura de expandir o negócio e explorar as origens. Assim que encontrou um espaço com as dimensões ideais na zona do Saldanha, não hesitou.
“No primeiro espaço ainda não estava preparado para criar uma cozinha italiana de raiz. Quis fazer algo mais clássico, com a mistura de produtos brasileiros, mas estava na hora de ir às outras minhas raízes”, recorda, referindo-se à experiência no sul de Itália.
Robson vive em Portugal há cinco anos, mas sempre soube que seria aqui que abriria um restaurante. Ou vários. Noutra fase da vida, a ideia até seria ter um espaço no Brasil, mas com um conceito diferente. Estudou durante dois anos em Paris história da gastronomia e esteve por França um total de oito anos, sempre a trabalhar na área da restauração.
Decidiu então vir para Portugal tirar um mestrado em ciência gastronómica na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova Lisboa. O curso começou em 2018 e durou dois anos. É aí que conhece dois amigos que convidou para trabalhar com ele no Bono, Victor Hann e Fabiano Queiroz.
Foi durante a pandemia que abriram o primeiro restaurante. Agora, no Bono Cucina, apostam numa abordagem mais fiel à tradição italiana. “Os pratos puros”, diz Robson, “mas sem invenções” ou “coisas americanizadas”. Não há toalhas axadrezadas, presuntos pendurados nem “italianismos teatralizados”. A decoração do novo restaurante — com capacidade para 50 pessoas no interior e 14 na esplanada — é minimalista, com destaque para a madeira e a pedra natural.

“O nosso propósito era mergulhar na tradição italiana com seriedade e frescura, sem cair nos lugares-comuns da estética ou da ementa. Percorremos o país de norte a sul para trazer pratos clássicos, pastas al dente, queijos e enchidos de origem controlada, ingredientes de qualidade e apresentação elegante. A proposta é contemporânea, mas fiel às raízes”, revela.
A carta foi construída à italiana, com entrada, primeiro prato, segundo prato e sobremesa. Robson sugere começar com o Supplì alla Romana (9€), um croquete de arroz recheado com ragù de carne e mozzarella, ou uma burrata al Pesto Tortellini in Brodo (14€).
Nos pratos principais, há opções como o Risotto allo Zafferano e Salsiccia (21€), com açafrão puro e salsicha de porco, que rapidamente se tornou um dos favoritos da casa. Para quem prefere massa, há Trofie alla Portofino, com pesto genovês, molho de tomate e pecorino, ou Cappelletti di Gamberi all’Aglio Nero (22€), recheado com camarão, limão negro e alho negro.
Nos segundos pratos, destaca-se a Bistecca alla Fiorentina (65€), um t-bone grelhado para partilhar, ou o Maiale alla Milanese (18€), lombinho de porco empanado e frito.
Para sobremesa, Robson optou pelos clássicos. Há tiramisù tradicional (8€), versão com pistácio (9€) e affogato (6€), servido com gelado de nata.
A carta de vinhos ficou a cargo de Augusto Brumatti, que optou por referências italianas de pequenos produtores. A oferta de cocktails é composta por clássicos como Aperol Spritz, Negroni, Campari ou Bellini Rossi.








