Restaurantes

Chineses fazem fila em Alcântara para provar o frango assado do Senhor António

A Churrasqueira da Tapada já existe desde os anos 70, mas virou um fenómeno. O segredo está no molho picante que levou anos a aperfeiçoar.

É “uma casa bem pequenina”, sem letreiro e nunca teve publicidade, mas isso não impede que, quem passe por Alcântara, fique surpreendido com as filas à porta. Com mochilas leves e de telemóveis em riste, dezenas de turistas — a esmagadora maioria deles chineses — juntam-se na Churrasqueira da Tapada, para verem preparar os frangos assados.

“Veem-se aflitos”, confessa à NiT, em tom de brincadeira, António Silva — ou o “senhor António”, nas redes sociais — que, aos 66 anos, continua a ser o o “avô entusiasmado” à frente do restaurante lisboeta. “Saem dos seus Uber, começam a olhar e não dão pelo restaurante. Vou à porta e recebo-os.”

A funcionar desde 1977, o estabelecimento de take-away foi, durante vários anos, um segredo muito bem-guardado no bairro. Hoje em dia, são poucos os turistas que não conhecem a especialidade da churrasqueira: o frango inteiro custa 10€. Por dia, saem cerca de 150 refeições.

O serviço mantém-se tal como era no início. Não há mesas, nem cadeiras. Nas prateleiras, temos apenas garrafas, caixas e sacos de batatas a adornar o espaço. Os clientes chegam, olham para o frango a ser assado e saem com a comida pronta dentro de sacos de papel. Muitos aproveitam para provar logo à porta. 

“Quando cheguei, em 1979, a casa já estava aberta há dois anos. Trabalhava no ramo, era empregado de mesa e o meu patrão comprou-a”, continua o atual gerente, que ainda passou um ano em Itália antes de voltar para Portugal, para ocupar os 13 metros quadrados do espaço.

Foi, então, no início da década de 80 que começou a aperfeiçoar o tal molho secreto da churrasqueira. António gosta de pincelar com picante o frango assado lentamente no carvão, até a pele ganhar um tom dourado e estaladiço. “Não foi à primeira. Vai-se fazendo e, aos poucos, chega-se lá.”

 
 
 
 
 
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Apesar da demanda, a rotina permanece igual. O avô chega cedo, para preparar o tempero secretamente, acender o carvão e receber os primeiros clientes — quase sempre asiáticos.

“Tudo começou há cerca de dois ou três anos. Um deles veio cá, gostou muito e pôs um vídeo na Internet. Apareceram mais uns quantos”, diz à NiT. Foi graças a aplicações como a ReadNote, com mais de 300 milhões de utilizadores, ou a Xiaohongshu, com outros 200 milhões, que a porta anónima ganhou protagonismo além-fronteiras, especialmente entre chineses.

Os estrangeiros não são os únicos que se acumulam pelas ruas de Alcântara. Entre os clientes mais conhecidos, António já recebeu figuras como o antigo Presidente da República Mário Soares e o ex-primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão. “Ultimamente, recebo pessoas de todas as qualidades: ricos e pobres.”

Acima de tudo, o proprietário, que gere o espaço completamente sozinho, destaca o atendimento. É ele que, sorridente, grelha os peitos, atende as chamadas, prepara as encomendas e limpa tudo no final. Pelo meio, até aprendeu algumas palavras em mandarim para responder aos chineses — e até ingleses, franceses e norte-americanos que passam por ali. .

“Vendi sempre bem e agora vendo ainda mais”.

Carregue na galeria para ver mais imagens da Churrasqueira da Tapada, em Alcântara.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Travessa da Tapada 5A
    1300-366 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a domingo das 9h às 14h e das 18h às 21h
PREÇO MÉDIO
Menos de 10€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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