Restaurantes

Com 7 lugares ao balcão e 20 metros quadrados, o Omakase leva-o diretamente ao Japão

Não existe um menu fixo, mas sim uma experiência gastronómica com 15 momentos diferentes — e as peças de sushi mudam diariamente.
Acompanha todo o processo.

Restaurantes que dispõem de dezenas (e às vezes centenas) de lugares não faltam. O ruído é constante e, muitas vezes, é impossível encontrar o ambiente intimista que desejamos, especialmente quando a ocasião o pede — um encontro romântico, por exemplo. Existem, contudo, novos estabelecimentos que se afastam deste padrão, em parte graças às culturas gastronómicas em que se inspiram. É o caso do Omakase Ri, que abriu a 14 de junho em Alcântara.

Rishav Verma, de 32 anos e filho de pais indianos, nasceu e cresceu no Canadá. Estudou na Suíça e deu por si a trabalhar no mundo desportivo. “Fui agente de futebol e trabalhei para a Liga Espanhola”, conta à NiT. Em 2017 veio para Portugal, ano em que decidiu “parar com tudo” e apostar na restauração.

Desde então que já teve outros dois restaurantes: o Aura Dim Sum Lab e o Mamasan, ambos em Lisboa. Verificamos, então, um padrão que está presente em todas as apostas de Rishav: a comida asiática. “Existe uma lacuna em Lisboa. Se compararmos com outras capitais europeias, como Berlim ou Paris, vemos que lá fora existe muita mais oferta”, explica. Acredita que “estamos numa época de curiosidade”, e que é o momento certo para apostar numa oferta diferenciada porque “esta geração tem muita vontade de provar e experimentar coisas novas.”

Ao entrar no Omakase não espere encontrar uma sala ampla e de grandes dimensões. Na verdade, tem menos de 20 metros quadrados e sete lugares ao balcão. Esta decisão, contudo, cria uma experiência única que dificilmente terá em qualquer outro restaurante asiático em Portugal. Existe um grande convívio entre os clientes “que vão sair com novas amizades”. Consegue ter conversas com os vizinhos de balcão e acompanhar todo o processo de criação do sushi. Esta proximidade “é uma coisa que estamos a perder nesta época, com restaurantes muito grandes mas também muito comerciais.” O objetivo de Rishav era dar “um toque de personalidade para se sentirem como se estivessem numa casa, a comer numa cozinha”.

Além disto, vai-se sentir numa rua de Tóquio, onde este estilo de bares são bastante populares. Para impulsionar ainda mais este sentimento, optaram por uma decoração com algumas luzes néon, graffitis na parede e, na entrada, apenas uma cortina japonesa. “O foco tem de ser apenas no produto”, realça o proprietário.

Outra particularidade do Omakase é que o restaurante não tem menu. Em vez disso, terá de confiar no sushi chef — e é isso mesmo que significa o nome do espaço. Tem uma experiência de degustação que conta com 15 momentos diferentes ao longo de duas horas. É como se fosse numa viagem pelos sabores do Japão. A maioria das peças escolhidas são nigiris, porque são o tipo mais clássico. Têm entre dez a 12 variedades diferentes de peixe, o que para Rashiv é “a maior variedade de qualquer restaurante de sushi em Lisboa”.

As propostas dadas aos clientes são escolhidas de acordo com o que estiver disponível no mercado nesse dia. Um dia pode ser vieira, e no outro camarão. Atum, lírio, bargo e peixe branco fazem, muitas vezes, parte desta viagem. Outros ingredientes nem entram no restaurante, como o salmão, o queijo creme e a fruta. O objetivo é desfrutar do peixe no seu estado mais virgem. A única constante é o prato final, o Tamagoyaki que é, essencialmente, uma omolete. A experiência custa 65€ — ou 95€ com pairing de saké. Também encontra vinhos biológicos, 6€ por copo, e cerveja japonesa, por 5€.

William Vargas, de 26 anos, é o sushi chef. É um dos mais jovens de Lisboa a exercer aquela função, mas já conta com cerca de dez anos de experiência na cozinha. Começou no Brasil e já trabalhou em espaços como o Ikigai, na Avenida da Liberdade. No Omakase encontramos também Gabriela, a namorada de William. É brasileira mas tem origem japonesa, e é a master do saké. “Está a estudar para ser sommelier e é ela que consegue conciliar a viagem e escolhe o saké que acompanha as peças. É também uma boa amostra da hospitalidade japonesa

Carregue na galeria para conhecer melhor aquele spot acolhedor.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT