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Entre cravos e sabores portugueses: assim é o novo restaurante do Chiado

O Cravó fica no primeiro andar da Associação 25 de Abril. Serve clássicos portugueses com um toque atual.

Era impossível escolher outro nome. Um restaurante que nasce dentro da Associação 25 de Abril, em plena Rua da Misericórdia, tinha de carregar um símbolo que toda a gente reconhece: o cravo. No Cravó, o ícone da revolução mistura-se com outra imagem portuguesa, a comida da avó. O espaço abriu oficialmente a 1 de novembro, no primeiro andar da associação, escondido do movimento do Chiado.

O projeto é a nova aposta do grupo de sócios responsável, há mais de uma década, pelos espaços Giorno, dedicados à cozinha italiana e presentes em cinco centros comerciais da zona da Grande Lisboa. O sucesso motivou a aventura, agora “num primeiro espaço de rua”, explica André Ribeiro, sócio-gerente do novo Cravó.

A ligação ao edifício e à história da associação também pesou na decisão. O espaço, antes ocupado pelo restaurante Traste, servia sobretudo os associados. E assim se manteve durante o período longo de obras, que terminaram no final de outubro. À mesa do Cravó, cabem todos os hits da cozinha tradicional portuguesa. “Faz falta mais comida portuguesa na zona. Sinto que a essência portuguesa se está a perder um bocadinho”, nota.

A tarefa de criar os pratos e a ementa foi entregue ao chef Manuel Lino, escolhido por ser “alguém capaz de um toque mais moderno à tradição”. Exemplos não faltam, do cabrito assado afinado com técnicas modernas ao bacalhau confitado que já se tornou um dos pratos mais pedidos.

A partilha é também um ponto de honra do Cravó, que preparou uma lista de entradas que incluem umas gambas de coentrada (9€), um carpaccio de figos (9€) com queijo de Azeitão, presunto ibérico e mel de rosmaninho, carapaus alimados com salada de pimentos braseados (8€) e umas pataniscas crocantes de legumes (5€).

Seguem-se as estrelas, o bacalhau confitado com batata a murro e puré de grelos (24€) e o cabrito assado (25€), aos quais se juntam opções como raia alhada com rosti de batata e cebolada (16€) ou pato confitado com topinambur e laranja (20€).

Nas sobremesas, a carta presta atenção à memória coletiva de lisboetas e portugueses. As farófias (4€) são as mais pedidas, servidas com creme inglês e granola de frutos secos, mas também foi recuperado o Garibaldi (8€), “em tempos muito famoso na cidade”, um gelado de café com uma camada de pão de ló, outra de mousse de chocolate e outra de ganache de chocolate.

A carta de bebidas segue o mesmo raciocínio de portugalidade. “Não há nenhum vinho estrangeiro, são todos vinhos portugueses”, sublinha. A consultoria ficou a cargo do sommelier Manuel Moreira, responsável por uma seleção de cerca de 50 referências de várias regiões, com cerca de 20 sempre disponíveis a copo. Durante a semana, o Cravó serve um menu de almoço a 22€, com entrada, prato, sobremesa, bebida e café, com cinco opções que mudam semanalmente.

O espaço, com capacidade para 70 pessoas, foi totalmente transformado desde os tempos em que funcionava como Traste. Onde antes havia uma sala fria e sem grande identidade, existe agora um ambiente quente, luminoso e elegante. Os tons escolhidos, amarelos queimados, verdes profundos e pequenos apontamentos em vermelho, criam uma ligação subtil às cores de Portugal, sem folclore.

As mesas redondas em mármore, as cadeiras estofadas e o longo sofá corrido reforçam a ideia de conforto. A sala principal é complementada por um segundo espaço, o bar com garrafeira, que funciona também como área privada para pequenos grupos.

Carregue na galeria para ver imagens de alguns dos pratos.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua da Misericórdia, 95, 1.º andar
    1200-284 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Das 12h às 16h e das 19h às 23h. Fecha ao domingo.
PREÇO MÉDIO
Entre 30€ e 50€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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