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Criador do Chefs on Fire condenado a pagar 1.400€ a Chakall por difamação

Gonçalo Castel-Branco chamou "infame argentino" ao cozinheiro devido a um conflito que envolve o Comboio Presidencial e a CP.

No verão de 2024 surgiu um dos confrontos mais inesperados do ano, entre Gonçalo Castel-Branco, criador e produtor executivo do festival Chefs on Fire, e o chef Chakall. O empresário publicou várias críticas nas redes sociais, onde chamou ao cozinheiro de “infame argentino”, “celebridade sem credibilidade gastronómica” e “chico-esperto”.

“Lutarei os anos que forem necessários para continuar a dizer às minhas filhas que o mundo é dos que sonham, dos que lutam, e que é preciso mais do que encher uma cabeça vazia de talento com ideias dos outros e tapá-la com um turbante”, escreveu no mesmo post.

Começou assim uma luta judicial entre ambos, que esta segunda-feira, 2 de março, teve novo capítulo. O jornal “Público” revelou que Gonçalo Castel-Branco foi condenado por difamação e vai ter de pagar 1.400€ de compensação ao argentino.

“Senti-me profundamente ofendido pelas coisas que disse a meu respeito. Não tenho nada contra ele, mas fiz o que tinha a fazer, que foi ir para tribunal que é lá que estas coisas se resolvem. E agora acho que se fez justiça”, disse o cozinheiro ao mesmo meio.

O tribunal considerou que algumas opiniões estavam dentro da liberdade de expressão, mas decidiu que o termo “infame” ultrapassava os limites aceitáveis, visto que é ofensivo para a honra do visado. 

Os juízes responsáveis pelo caso lembraram que “não vale tudo”, sublinhando que a mensagem não foi dita durante uma discussão, onde os ânimos poderiam estar altos, mas sim numa publicação nas redes sociais, ou seja, foi “deliberadamente reduzida a escrito”. “É atentatória do bom nome e tem um significado inequivocamente ofensivo da honra e da consideração, ultrapassando largamente a mera grosseria”, acrescenta o tribunal.

O conflito entre ambos está ligado ao projeto turístico do Comboio Presidencial. Gonçalo Castel-Branco foi o criador da iniciativa, mas divergências com a CP e o Museu Nacional Ferroviário levaram a empresa pública a assumir a exploração do comboio e a convidar Chakall para assegurar a componente gastronómica. 

O empresário considera que o conceito original lhe pertence e acusa os antigos parceiros de terem avançado com um modelo semelhante sem a sua participação, exigindo uma indemnização de 950 mil euros por alegada utilização indevida da marca The Presidential.

Após a decisão judicial, Castel-Branco anunciou que vai recorrer, defendendo que as críticas tinham apenas carácter profissional.

“Chakall é objetivamente uma pessoa com má fama no panorama gastronómico, e esse foi o sentido da minha afirmação.” Ainda assim, admite que agiria de outra forma: “Arrependo-me por me ter pronunciado sobre o caso nas redes sociais, em vez de o ter feito em tribunal.”

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