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Dahlia: no novo restaurante de Lisboa, a música é tão importante quanto a comida

Abriu a 20 de julho e define-se como um "listening bar" com grande ênfase nos vinhos naturais e nos produtos locais.
É uma união entre comida, vinho e música.

Chama-se Dahlia. Abriu portas no final de julho com um conceito jovem e inovador, estivesse este restaurante na Travessa do Carvalho, perto do Cais do Sodré. Aqui, a música é um dos pratos principais, e os vinhos naturais são os seus melhores acompanhantes.

A abertura naquela zona de Lisboa não foi propositada, mas é uma história de amor à primeira vista: “Alguns dos meus colegas já tinham encontrado o espaço, que era aqui no Cais do Sodré. Eu acho que foi ideal porque o espaço era perfeito para aquilo que queríamos fazer. Tínhamos um bar de lado, e o espaço era muito bom para o sistema de som”, lembra Adam Purnell, o britânico que é gerente do Dahlia, em conversa com a NiT.

A música nasce no interior, mas chega até à rua.

O nome do restaurante vem do seu conceito inicial. Em árabe, Dahlia é “a raíz da videira”, de onde vêm as uvas que dão origem ao vinho. Isto vai ao encontro do “coração” do Dahlia, que é caracterizado também pelos vinhos naturais que serve aos clientes. Estes vinhos, perfeitos para partilhar, começam nos 20€ por garrafa.

Podíamos esperar que o vinho mais popular fosse um tinto, ou até um vinho verde, mas não. No Dahlia, o vinho mais pedido, e mais famoso entre os clientes, é o vinho laranja, ou “vinho branco em contacto com a pele”, tal como Purnell nos explica.

O Dahlia define-se como um “listening bar”, inspirado pelos bares japoneses que assumem o mesmo estilo: “Temos alguns dos milhares dos nossos discos atrás do bar. Temos também um sistema de som bastante clássico e de alta qualidade, então os discos soam sempre bem”, diz o gerente.

É no gira-discos que está a magia do Dahlia.

Ao entrar no Dahlia pode esperar ouvir vários estilos de músicas, como o jazz, disco, funk, música brasileira e latina, clássicos do hip-hop e até música house. Embora o leque musical seja abrangente, estes estilos não foram escolhidos baseados em nada, visto que todos eles “soam bem num sistema de som clássico”. Este sistema mencionado é composto por um gira-discos, por colunas clássicas “que são usadas em listening bars desde a década de 70”, amplificadores da Macintosh e um misturador. Todos estes elementos unem-se para “criar um belo tratamento de áudio na sala”, adianta Adam Purnell.

A música é a primeira coisa que podemos ouvir ao chegar ao Dahlia, mas aquilo que vemos também influencia a nossa decisão — “Comemos aqui, ou não?” A decoração é bastante minimalista e a sala é preenchida pela música, também visualmente, não fosse a enorme coleção de discos uma das primeiras coisas que vemos ao entrar. “Pensámos imenso nas pequenas coisas. A luz é bastante importante para nós, o som é bastante importante também. É fundamental que criemos um ambiente convidativo, para que quando as pessoas cheguem à porta se sintam bem-vindos e não assoberbados pela decoração”, confessa o gerente.

No total, os vinhos e a música fazem 66 por cento da essência do Dahlia. O resto é completado pela comida. A carta do restaurante não se mantém igual durante longos períodos de tempo, visto que o espaço dá ênfase a produtos sazonais. O que ali comemos no verão, provavelmente não será o mesmo que estará na carta no inverno.

A criatividade dos chefs, tem também um grande papel na ementa: “Nós não servimos comidas específicas de alguma região. A culinária tem tudo a ver com a criatividade dos nossos dois chefs.” O restaurante tem dois chefes de cozinha, Vítor Oliveira, oriundo do Brasil, já trabalhou no Damas, em Lisboa, onde também era cozinheiro. Vítor trabalha lado a lado com Gabriel Rivera, da Guatemela. Antes de trabalhar no Dahlia, trabalhara num bar de vinhos na capital, depois de ter passado pela América Latina.

Adam Purnell diz-nos que ao início, apenas um dos dois ficaria com um papel de chefe de cozinha. Mas a química entre os dois foi tanta, que atualmente trabalham juntos em tudo, desde as escolhas criativas dos pratos à relação com os fornecedores.

Adam Purnell, o gerente.

O gerente do Dahlia não é novato no mundo da restauração. Em 2015 viajou para Berlim onde trabalhou em vários estabelecimentos: “No Michelberger comandava os jantares. Depois tornei-me no gerente num restaurante chamado Cordo, um restaurante galardoado com estrela Michelin. Depois vim para o Dahlia”, recorda-se.

As criações de Vítor Oliveira e Gabriel Rivera são as outras estrelas que tornam o Dahlia naquilo que é, juntamente com os vinhos e a música. A carta não é muito extensa, visto que mudará com as estações, mas já há alguns favoritos, como a couve-flor caramelizada com chimichurri e creme de amêndoas (7,5€) e o frango frito com molho de sésamo (10€).

Há, claro, outras opções. Para entradas temos a tal couve-flor com chimichurri, duas ostras (5€) e beterraba curada com viagrete de pistachios e laranja (6,5€). Nos dois pratos de peixe podemos descobrir o camarão selado com kimchi e chilli bisque (10,5€), lula frita com arroz frito e tinta de lula e aioli (13€). Para os apreciadores de carne, além do frango frito pode experimentar as costeletas de borrego seladas, com cominhos e queijo caseiro (13,5€).

O camarão.

Embora já se mostre confiante com o novo espaço do Cais do Sodré, Adam Purnell admite que o Dahlia ainda tem muito que crescer: “Só temos dois meses. Queremos continuar a evoluir a nossa carta de acordo com as estações, e queremos ir mudando os vinhos que servimos, porque a lista que tínhamos inicialmente era aquilo que achávamos que os clientes queriam. Agora, vamos atualizando-nos para aquilo que os clientes querem mesmo, além do que já servimos”, conclui.

O Dahlia está aberto de terça-feira a sábado, das 18h30 à uma da manhã, embora a cozinha encerre às 23 horas. Este restaurante não foi a única abertura de verão em Lisboa. Pode carregar na galeria para descobrir outros estabelecimentos de restauração que abriram enquanto estava de férias.

 

 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Travessa do Carvalho 13, 1200-097 Lisboa

    1200-097 Lisboa
  • HORÁRIO
  • De terça-feira a sábado das 18h30 à 01h00
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Internacional

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