Restaurantes

As danças exóticas mexicanas que animam as noites do Cais do Sodré

É uma das novas apostas do Las Ficheras que se prepara para comemorar o décimo aniversário.
De quinta a sábado, o Las Ficheras está ainda mais animado

Quando em 2012 aterrou no Cais do Sodré, o Las Ficheras assentava que nem uma luva no conceito do bairro lisboeta. O nome do restaurante mexicano remetia para o fenómeno dos anos 70, quando as danças eróticas protagonizadas por mulheres animavam os cabarés mexicanos.

Eram “mulheres da vida” que rejeitavam o dinheiro mas eram pagas com fichas. As mesmas fichas que hoje regressam ao espaço lisboeta para devolver, dez anos depois da inauguração, o conceito original à casa mexicana do Cais. Nem sempre foi possível assumir todas estas vertentes assumidamente mexicanas.

“O ambiente no Cais do Sodré, há dez anos, era muito diferente”, explica à NiT a proprietária, Patrícia Camacho. “Era uma coisa muito gira, mas as pessoas ainda não estavam abertas à comida mexicana.”

O cenário obrigou a algumas modificações. Foi necessário deixar cair alguns dos pratos mais tradicionais, mas que eram ainda demasiado aventureiros para os gostos dos portugueses. Com o passar dos anos, tudo mudou.

“Passou a ser uma coisa muito trendy e, de dia para dia, as pessoas iam conhecendo cada vez melhor a comida mexicana. Até então, para os portugueses, a comida mexicana eram os tacos e os burritos. Perceberam rapidamente que o México é muito mais do que isso.”

Essa abertura à experimentação foi permitindo que a carta se voltasse a rechear de novas especialidades. Voltaram as enchiladas, as flautas. “Queremos voltar a introduzir o que já tínhamos, voltar ao conceito original, às nossas origens. Hoje em dia, toda a gente já sabe o que é um mole.”

Para essa revolução, muito contribuiu também a abertura dos portugueses ao México, explica Patrícia Camacho. “Agora toda a gente vai ao México e aconselho a que vão ao Distrito Federal, porque lá há um pouco de tudo, é uma amostra do que é o México a sério. Claro que vai-se a Tulum ou a Cancun, e isso não é bem o México. É muito fixe, mas não é o México real que se vê em Oaxaca ou em DF.”

O taco Xochitl (11€) com polvo, puré de pimentos e alho francês

Para comemorar a primeira década de portas abertas, o Las Ficheras pensou então em revisitar o conceito que lhe emprestou o nome, algo que preferiram temporizar. “Preferimos esperar que o Cais do Sodré se tornasse numa zona mais cool, antes de explicarmos o nome”, explica.

Dessa forma, nasceu no espaço um varão onde de quinta-feira a sábado, as dançarinas tomam conta da animação do espaço.

“As Ficheras eram mulheres da vida que trocavam uma dança, uma bebida ou algo mais por fichas. Eram fichas que se trocavam por serviços. Não se usava dinheiro, mas as fichas permitiam contabilizar o dinheiro ganho no final da noite”, explica.

Assim, nasceu este espetáculo que, nesta versão, é menos erótico mas mais familiar. “É uma coisa para famílias, algo divertido que toda a gente pode vir ver. Curiosamente, há mais mulheres curiosas, mas os homens também acham graça.”

Prepare-se, porque as dançarinas podem também convidá-lo a experimentar o varão e tentar dar um passo de dança. E, claro, as fichas não podiam faltar. “Temos fichas amarelas, com as quais se podem pedir bebidas, as azuis permitem oferecer shots a toda uma mesa e as vermelhas permitem pedir mais uma dança à dançarina.”

Depois há, claro, novidades na carta, como o taco Xochitl, com polvo e flores comestíveis, que se junta a muitos outros clássicos da carta, dos tacos Al Pastor aos Birria. Há ainda as habituais quesadillas, as fajitas e “a grande estrela”, as margaritas feitas “com boa tequila e sumos naturais”.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua dos Remolares 34
    1200-371 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Segunda a quinta, das 12h à meia-noite. Sexta, sábado e domingo até às 3h.
PREÇO MÉDIO
Entre 30€ e 50€
TIPO DE COMIDA
Mexicana

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