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Depois do pop up de sucesso no verão, o Noma vai mesmo abrir uma hamburgueria

O restaurante teve de se adaptar à pandemia, começou a servir hambúrgueres e agora vai ter um espaço com esse conceito.
O pop up que virou restaurante.

Filas enormes e mais de 2400 hambúrgueres vendidos diariamente O verão foi concorrido neste pop up em Copenhaga, na Dinamarca, e nem parecia que pandemia tinha passado por ali. A verdade é que o espaço também só estava a seguir este conceito devido à Covid-19.

O fine dining esteve parado no Noma, um dos melhores restaurantes do mundo, mas o chef René Redzepi e a sua equipa não foram para casa descansar. Desde o final de maio que decidiram servir hambúrgueres no Noma. O sucesso foi tal, com enchentes todos os dias, que o pop up vai mesmo ganhar um espaço fixo em Copenhaga, no bairro de Christianshavn.

A inauguração do Popl acontece na próxima quinta-feira, 3 de dezembro. “Tivemos tantos clientes durante aquele pop up de cinco semanas quanto os que tivemos em seis anos de operação do Noma”, disse o chef Redzepi ao jornal britânico “The Guardian”.

“Não sabia que era tão importante para mim que todos tivessem acesso à nossa comida. Eu adorei o facto de estar a ver as pessoas que eu conhecia na escola a esperar na fila. Via todos os meus vizinhos, parentes, primos afastados, todos vieram de todo o lado, todos queriam um hambúrguer. Esta foi uma das coisas mais divertidas que já fiz.”

O conceito do novo Popl — que segundo o site oficial vai buscar o nome à palavra latina “populus”, de comunidade de pessoas — será muito diferente do que há 17 anos pratica no duas estrelas Michelin Noma.

Não será necessária uma pré reserva com meses de antecedência, não haverá menus de degustação com nomes e preparações ambiciosas e preços a rondar os 300€ por pessoa. O Popl será um espaço descontraído, democrático, também virado para o take-away com hambúrgueres a rondar os 18€, mas sempre com grande foco na qualidade dos produtos, isso mantém-se como essência presente na cozinha do Noma.

Foi um sucesso durante o verão.

As carnes chegam de produções na costa oeste do país, em Vadehavet. Aqui, o gado pasta livremente. Já as opções vegan e vegetarianas foram pensadas durante vários meses até chegarem aos resultados finais. A quinoa, por exemplo, depois de cozinhada, é ainda fermentada por dois dias para ganhar o sabor pretendido.

Certo é que os vários fornecedores do restaurante — que faz parte da prestigiada lista The World’s 50 Best — serão também os que vão fazer chegar os ingredientes até ao Popl. “Vamos colocar a mesma quantidade de energia, dedicação e cuidado em todos os hambúrgueres.”

A criação do pop up, e o consequente restaurante, veio na altura do primeiro confinamento na Dinamarca, quando a população não pôde sair à rua e os restaurantes estiveram encerrados. 

“Este verão, quando pudéssemos sair às ruas novamente, pensámos: vamos fazer alguma coisa para toda a gente. Qual é o prato número um e que todos gostam? Hambúrgueres.” Logo no primeiro dia serviram 300 unidades e o sucesso manteve-se  durante as cinco semanas seguintes. Só estiveram a funcionar quatro dias por semana.

Entretanto, o Noma já reabriu, com várias limitações. René Redzepi acabou mesmo por ter de encerrar um espaço, o restaurante 108, irmão mais novo do Noma. As últimas refeições foram servidas em setembro.

Três meses depois do fecho, volta à alegria das aberturas, num contexto diferente, mas com a certeza de um conceito vencedor.

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