Restaurantes

Desilusão: Marlene Vieira volta a ficar de fora das estrelas Michelin

A chef nunca escondeu a ambição de ser a primeira mulher a fazer parte do famoso guia. Falhou outra vez o objetivo.
Ainda não foi desta.

Aos 12 anos, Marlene Vieira pediu aos pais que a deixassem trabalhar num restaurante durante as férias de verão. Aos 42, a chef recria os pratos da cozinha portuguesa de forma inovadora nos seus restaurantes. Apesar de ser apontada como um dos nomes mais fortes para receber uma estrela Michelin na primeira edição dos prémios em Portugal, que se realizou esta terça-feira, 27 de fevereiro, em Albufeira, ainda não foi desta que recebeu a famosa jaqueta.

As expetativas eram altas, mas a noite acabou por ser uma desilusão para esta cozinheira natural da Maia, que tem como um dos maiores sonhos de vida ser a primeira mulher portuguesa a entrar para o famoso guia vermelho. 

Em 2020, depois de liderar a cozinha dos restaurantes Avenue e O Panorâmico, em Oeiras, a chef Marlene Vieira abriu o Zunzum Gastrobar na Doca do Jardim do Tabaco, junto ao Terminal de Cruzeiros de Lisboa. Trata-se de um espaço cool, bem atual, em que Portugal é servido à mesa — uma espécie de cartão gastronómico a quem nos visita.

“Ambiciono fazer a cozinha que quero e ser admirada nesta área. Cozinho gastronomia portuguesa e tento respeitar as receitas originais”, disse por altura da inauguração.

Menos de dois anos depois, apresentava um novo projeto à cidade, ao qual emprestou o nome depois de acrescentar-lhe uma vírgula. Falamos de Marlene, que abriu a 6 de abril de 2022.

“Marlene, é a minha história. Neste espaço depurado, serve-se uma viagem gastronómica que é reflexo da minha aprendizagem, numa busca por uma cozinha portuguesa moderna, com preocupações de sustentabilidade e de sazonalidade.”

No mesmo espaço que o Zunzum — apenas uma parede os separa — surgiu assim um restaurante “irreverente, vibrante e rebelde, com uma forte atração pela novidade”, que servirá apenas jantares, de quarta-feira a sábado. “Minimalista e elegante”, o Marlene, “é dominado pela cozinha aberta, em ilha ao centro do restaurante, sofisticada e limpa, e pelas cores da nogueira escura das mesas”.

Apesar do estilo mais sóbrio, “caracterizado por uma beleza simples, à média luz”, em relação ao irmão, e de estar voltado para a alta cozinha, não deixa de ser um espaço descontraído e acolhedor.

Marisco, peixe, carnes, assados, coisas de forno, tudo isto está representado no menu. E vegetais também. “Temos proteína animal, marisco e peixe em abundância, mas também dois ou três pratos só de vegetais.” Porém, se lá for, vá com a mente aberta. Este é o único pedido da chef: “Venham sem preconceitos”.

“As pessoas têm de vir de mente aberta e sem nenhuma expectativa. Posso garantir que vão encontrar boa comida. Venham sem barreiras erguidas — isso é muito importante para conseguirem desfrutar de um produto que já conhecem, mas apresentado e preparado de uma nova forma”, disse à NiT, por altura da inauguração.

Nos últimos dois a nortenha não esteve parada. Embora admitisse que tinha ambição de chegar ao guia, como desafio pessoal, mas “também por razões de sustentabilidade, para poder trabalhar com produtos da melhor qualidade”, não se deixou afetar pelas sucessivas desilusões. Pelo contrário. O trabalho e a cozinha foram sempre a sua reposta.

Ultimamente, tem organizado vários jantares a quatro mãos, onde chama amigos e colegas de profissão para partilhar a sua cozinha e criar menus de degustação diferentes e cheios de personalidade.

Os preços variam entre os 65€ e 185€. Para garantir um lugar à mesa no Marlene, basta ligar para o 912 626 761 ou enviar email para marlene@nullmarlene.pt.

Carregue na galeria para conhecer melhor o Marlene.

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