Restaurantes

Enso. O espaço onde Lucas Azevedo quer voltar a tornar o sushi “simples e democrático”

O restaurante ainda se encontra em soft opening, mas surgiu pela vontade de dar primazia à qualidade.

Em 2024, após uma saída inesperada do Praia no Parque, Lucas Azevedo apresentava-se finalmente a solo com o Ryoshi. Em poucos meses, o espaço revelou toda a mestria do líder e tornou-se num dos locais obrigatórios na capital para quem gosta de cozinha japonesa democrática e acessível. O que poucos sabiam é que antes deste projeto de sucesso, o chef brasileiro de 41 anos, já tinha outro na manga, o Enso.

O sushiman deixou “a poeira assentar”, estudou e apurou sabores. Passados dois anos, voltou a surpreender com a abertura de um novo restaurante, igualmente descontraído, mas que recupera “a verdadeira essência do sushi”. O Enso abriu discretamente na última semana de setembro e ainda está a limar os últimos detalhes. “Estamos a deixar as coisas fluir. Este conceito nasceu com tempo e foi-se alterando nos últimos meses”, conta Lucas Azevedo à NiT.

Quando encontrou o espaço do Ryoshi, o Enso já existia na cabeça do chef. No entanto, perceberam que aquele local não iria funcionar para o que tinha imaginado. “Abrimos outro conceito, deixámo-lo ganhar vida e, entretanto, fomos trabalhando o Enso. Já tínhamos este local há dois anos, mas não queríamos que os projetos se atropelassem”, explica.

Inicialmente o Enso seria um fine dinig, mas com a mudança da cena gastronómica me Lisboa, o chef percebeu que estava na hora de voltar ao início. “Nos últimos anos vimos uma grande aposta em izakayas e omakase e parece que os conceitos de restaurante de sushi desapareceram. Quisemos trazê-lo de volta, numa vertente séria, mas leve, onde a qualidade faz a diferença”, diz.

O local e a carta foram inspirados na carreira de Lucas. O chef é natural do Rio de Janeiro, mas veio viver para Portugal com apenas 16 anos. “Quando emigrei o meu pai já cá estava há duas décadas. Enquanto terminava o secundário comecei a trabalhar aos fins de semana em vários restaurantes. Era uma área que conhecia porque a minha família sempre trabalhou em restauração no Brasil”, conta à NiT.

Acabou por aceitar um emprego num restaurante japonês, onde começou a aprender a arte da cozinha asiática. Quando terminou o 12.º ano decidiu que não queria estudar. Foi trabalhar para outros restaurantes asiáticos, mas a dada altura percebeu que precisava de ir “à raiz”. “Entrei na cozinha japonesa um pouco por acaso e comecei por pesquisar. E quanto mais pesquisava, mais percebia que o que fazia aqui que era errado.” Por isso decidiu viajar para o Japão. Inscreveu-se numa escola de hotelaria e de lá trouxe mais do que conhecimento gastronómico. “Na bagagem veio muita tradição cultural que agora inspira os meus pratos”, diz.

Quando voltou, foi trabalhar para o Bonsai, o restaurante a que agora se refere como “a sua escola”. O mestre foi Ricardo Komori. De lá partiu novamente para o Japão. “Estagiei em diferentes locais para absorver tudo o que podia”, conta. Isto antes de passar pelo Konnichiwa, pelo Sakemico e depois pela barra japonesa da Praia do Parque.

Muitos dos pratos que agora serve no Enso começaram ora no Bonsai, ora no Praia no Parque, como os “temakis cilíndricos”, ou a “beringela”. “Quis que este espaço tivesse muito da minha linguagem”, refere.

O menu está dividido por propostas de sashimi, temaki, nigiri, gunkan, maki e donburi. Os nigiri tanto pode ser feitos com peixe branco do dia (8€), gamba violeta (14€), atum toro (14€), ou enguia (10€). Já os temaki envolvem salmão selvagem com ovas de salmão (11€), atum akami (10€), ou caranguejo (12€). Já os Hosomaki, feitos em forma de rolo, surgem com opções de abóbora japonesa (7€), ou pepino (7€). Como se trata de um local mais democrático e de partilha, Lucas Azevedo pensou em menus para o efeito, com combinados de sete (18€), 12 (29€) ou 24 peças (54€).

Na secção “from the kitchen”, Lucas Azevedo brinca com os sabores japoneses. Dali saem propostas como katsusando de atum (22€), ou de beringela (14€), wagyu (32€), ou enguia com arroz cremoso (24€).

O pudim (7€), é outra das especialidades que traz dos tempos do Bonsai e que aprendeu com a mulher do seu mestre, Ricardo Komori, a Mio. “Trata-se de um pudim japonês, feito com uma infusão de chá de cevada, pó de soja e caramelo, que dá um toque especial”, refere. Para acompanhar, o melhor é escolher entre as 11 referências de vinho, de cinco sakés, ou cocktails. Neste campo, Lucas admite que foram ainda mais democráticos e escolheram rótulos que variam entre 30€ e 200€.

O espaço, que pertence ao grupo Champ, tal como o Ryoshi, tem capacidade para 37 pessoas. Os clientes tanto podem escolher sentar-se ao balcão e apreciar as preparações de perto, ou nas mesas da sala.

Atualmente o espaço está soft opening e abre apenas aos jantares, mas em breve o sushiman pretende alterar e servir, também, almoços.

Carregue na galeria para conhecer alguns pratos que pode provar no Enso.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Nova de São Mamede 12
    1250-173 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Terça a sábado das 19h30 às 00h
PREÇO MÉDIO
Entre 30€ e 50€
TIPO DE COMIDA
Sushi

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