O cheiro a frango assado sente-se ainda antes de entrar n’O Churrasco, no número 216 da Rua das Laranjeiras. Trata-se de uma das churrasqueiras mais emblemáticas daquela zona de Lisboa, com duas pequenas salas e uma esplanada que não garantem lugar se não chegar cedo.
Desde 1997 que o pequeno restaurante recebe sobretudo clientes habituais, muitos deles portugueses que continuam a voltar pela comida de grelha, pelos preços acessíveis e pelo ambiente típico de bairro que parece já ter desaparecido noutros espaços da cidade.
Luís Santos, de 56 anos, natural de Lisboa, é o responsável pelo restaurante. Começou a trabalhar muito novo, primeiro numa mercearia na Zona J de Chelas, depois num espaço na Avenida do Brasil, antes de passar pela tropa. Foi precisamente depois dessa fase que decidiu abrir o próprio restaurante. “Foi muito sacrifício e muito trabalho. Houve coisas boas e coisas más. Na altura da Covid-19 foi muito complicado”, conta à NiT.
Quase 30 anos depois, continua a receber os clientes fiéis, mas também conquistar novos admiradores com a comida simples e honesta que chega à mesa. Muitos trabalham ou vivem ali perto e já fazem parte da rotina da casa. “Tenho clientes que vêm cá há muitos anos”, resume.
O restaurante mantém aquele ambiente típico das churrasqueiras tradicionais portuguesas: mesas simples, grelha constantemente a funcionar e travessas a sair diretamente para as mesas sem grandes formalidades. Parte do sucesso está precisamente aí. Não há conceitos modernos nem pratos demasiado trabalhados — apenas comida grelhada feita como sempre foi.
A especialidade continua a ser o frango assado, uma das propostas mais pedidas da casa e que Luís acredita ser “dos melhores de Lisboa”. Meio frango custa 9,80€, enquanto o frango inteiro chega aos 20€.

E há histórias que ajudam a perceber quase o culto que alguns clientes têm pela churrasqueira. Luís lembra-se especialmente de dois homens que passaram praticamente um ano inteiro a fazer exatamente o mesmo pedido todos os dias. “Almoçavam frango e jantavam frango. Nós já nem precisávamos de perguntar”, recorda, entre risos. Mais tarde, acabaram por voltar já acompanhados pelas famílias.
Mas a carta vai muito além do frango. Nas carnes de porco destacam-se opções como entremeada (10,50€), febras (10,50€), costeletas do fundo (10,50€) ou entrecosto (12,50€). Há ainda mista de carnes para duas pessoas por 25€.
Já na secção de vaca, uma das sugestões mais pedidas é o bife da vazia (13,50€), acompanhado pelos clássicos bitoques (11€), costeleta de novilho (14€) ou picanha com arroz e feijão (13,50€). Para quem prefere carnes maturadas, existe também costeleta maturada vendida ao peso, a 3€ por cada 100 gramas.
Além da grelha, os petiscos continuam a ter muita saída, sobretudo ao final da tarde. As moelas custam 5,50€ em prato ou 8,50€ em travessa. Há ainda pica-pau de porco (10€), pica-pau de vaca (12€), salada de polvo (7,50€), chouriço assado e travessa de choco frito (10€).
Na época do verão, as sardinhas assadas também ajudam a encher a casa. “Na altura da sardinha, vendemos muita sardinha”, conta Luís.
Parte importante do negócio passa igualmente pelo take-away, embora muitos clientes continuem a preferir sentar-se no restaurante. “Isto é uma casa típica. As pessoas gostam da comida e gostam do ambiente”, explica.
No fundo, O Churrasco continua a sobreviver graças àquilo que sempre fez melhor: comida portuguesa sem complicações, feita na grelha, servida rapidamente e a preços cada vez mais difíceis de encontrar em Lisboa.
Carregue na galeria para conhecer melhor alguns pratos e o espaço deste restaurante nas Laranjeiras, em Lisboa.








