“Há clientes que chegam aqui e mostram-nos uma fotografia de há 10 anos”, conta à NiT Jennifer Santos, gerente da marisqueira Uma, situada na Baixa de Lisboa. “Muitos dizem que vêm cá sempre que visitam Portugal e outros trazem a família inteira porque alguém lhes recomendou o restaurante”. O fenómeno, garante, não é novo. No entanto, nos últimos anos ganhou outra dimensão graças ao boom da Internet — sobretudo entre turistas asiáticos. “Uma vez aparecemos num canal chinês e isso impulsionou ainda mais.”
Aos 27 anos, Jennifer já soma seis à frente do espaço, fundado em 1988 por Alexandre Grazina, na Rua dos Sapateiros. O estabelecimento nasceu como uma marisqueira tradicional portuguesa, com vários pratos típicos da cozinha nacional, mas acabou por se transformar num caso raro de especialização absoluta: atualmente, serve apenas arroz de marisco como prato principal.
“Quando abriu tinha outras receitas tradicionais. A ideia era juntá-las ao marisco num restaurante muito simples”, recorda. Com o passar dos anos, porém, esta proposta começou a destacar-se entre todos os clientes. “O arroz de marisco sempre foi o mais procurado e o mais famosos de Lisboa”, realça.
Não é apenas Jennifer que o diz, mas também o site TasteAtlas. Numa publicação de 2020, o arroz de marisco foi considerado a 14.ª melhor receita do mundo e a plataforma destacou a Uma como o sítio ideal para prová-lo.
Foi um ano antes que este se tornou no único prato principal da marisqueira, após o fundador Alexandre Grazina, agora com 73 anos, perceber que praticamente todos os clientes iam ao espaço pelo mesmo motivo. Decidiu, então, simplificar a carta ao máximo. “Fizemos jus à fama e tirámos os outros pratos”, diz Jennifer.
A decisão foi recompensada. Mesmo nos dias considerados “mais fracos”, saem cerca de 250 doses da cozinha. Nos dias de maior movimento, o número pode chegar aos 400.
Uma porção custa 19,90€ por pessoa e é servida num tacho. Leva camarão, sapateira, mexilhão, miolo de mexilhão e lula. Em janeiro, também foi lançada uma nova versão com lagosta, pensada para duas pessoas, por 66,90€. “Está a fazer muito sucesso”, afirma a gerente.
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Segundo o que nos revela, o segredo está no cuidado obsessivo com cada detalhe. “Se apenas fazemos um prato, tem de ser o melhor possível e com os melhores produtos”. Toda a preparação continua a ser feita de raiz mesmo com o elevado volume diário de clientes. “É tudo feito na hora. Demora entre 25 a 30 minutos. Não é algo que já está pronto a servir”.
Por detrás deste rigor está Alexandre, que continua envolvido na operação diária quase quatro décadas após a abertura. “Ele chega às cinco da manhã e acompanha todos os momentos. Está sempre a passar o conhecimento dele à equipa da cozinha e a tentar perceber o que o cliente quer.”
Mais do que servir refeições, Jennifer acredita que o objetivo da Uma passa por criar memórias. “Queremos que os clientes não sintam que estão apenas a comer um prato, mas que tenham uma ótima experiência. É como se estivessem em casa, mesmo estando longe”.
Talvez seja isto que ajuda a explicar o sucesso junto do público asiático. Muitos clientes chineses, conta, ficam surpreendidos ao encontrar tantos conterrâneos no restaurante. “Eles próprios perguntam porque há tantos asiáticos aqui.” Depois, vem sempre a mesma explicação: o sabor aproxima-se daquilo a que estão habituados. “Dizem que lembra a comida deles e elogiam muito o facto de o nosso arroz não ter demasiado sal. Para eles, muitos pratos de restaurantes portugueses são muito salgados. Aqui o sabor é perfeito para o paladar deles.”
Parece que todo este cuidado resulta. Mesmo nos dias considerados “mais fracos”, saem cerca de 250 tachos da cozinha. Nos dias de maior movimento, o número pode chegar aos 400.
A marisqueira tem capacidade para 130 pessoas e, há cerca de um ano, ganhou uma terceira sala no piso superior para responder às filas constantes à porta. “O tempo de espera reduziu drasticamente. Antes os clientes tinham de esperar um pouco. Agora têm mesa mais rapidamente”.
O sucesso já ultrapassou a capital. Além da casa original em Lisboa, a marca já abriu espaços no Porto, Seixal, Espanha e Bélgica. No início de março, o conceito também chegou a Macau, na China. “Neste momento o senhor Alexandre está lá a treinar a equipa”, revela. E os planos não ficam por aqui: “Queremos abrir mais restaurantes na Ásia.”
Carregue na galeria para ver algumas imagens do restaurante — e do famoso arroz de marisco.








