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Restaurantes

Este chef leva o conceito de omakase a casa dos clientes com menus personalizados

Éder Nascimento deixou a área da Fotografia para se dedicar a outro tipo de arte: a cozinha japonesa.

Um segundo foi o tempo necessário para cativar Éder Nascimento no mundo da cozinha japonesa. O fotógrafo ficou “preso” a um momento específico do documentário “Jiro Dreams of Sushi: Follows Jiro Ono”, em que o chef com 3 estrelas Michelin pegava num nigiri para servir o cliente, no pequeno restaurante dentro da estação de Ginza, em Tóquio, no Japão. O fotógrafo de 33 anos, na altura, decidiu mudar de vida.

Até 2017, o brasileiro era responsável por fotografar concertos e espetáculos nacionais e internacionais. Contudo, quando se focou no pequeno “frame muito fechado onde se via um nigiri perfeito”, algo mudou. “Sempre tive uma forte ligação com a cultura japonesa, gostava da disciplina e dedicação que eles têm por tudo que fazem. Contudo, desconhecia o conceito omakase e não fazia ideia que existia em São Paulo, até começar a investigar”, conta à NiT.

Um amigo deu-lhe a conhecer um espaço que fazia algo semelhante ao que viu no documentário. Após um jantar de amigos percebeu que queria experimentar trabalhar em algo do género. “Em qualquer bairro de São Paulo encontrávamos diferentes tipos de restaurantes  de sushi, mas não era nesse tipo de restaurantes que queria aprender. Até que abriu a Japan House na Avenida Paulista, do chef Jun Sakamoto. Quando soube, decidi candidatar-me a uma vaga de ajudante de cozinha, qualquer coisa em que pudesse aprender”, explica.

Durante a entrevista deixou os recrutadores surpreendidos com a ambição de estrear-se numa área, sem qualquer experiência. “Na altura disse-lhes que podiam ver a minha candidatura por dois ângulos. Num primeiro, seria extremamente positivo o facto de eu não ter experiência e poderem moldar-me. Por outro, não saberia fazer nada e teria de aprender. Acabei por passar à fase seguinte, à entrevista com o próprio chef, que acabou por escolher-me como seu auxiliar direto, no seu restaurante com estrela Michelin no bairro de Pinheiros.”

Durante quase dois anos, Éder serviu omakases para oito pessoas ao lado de Jun Sakamoto, com o objetivo claro e conseguir bagagem para um dia ter o seu próprio negócio. No final de 2019, acabou por fundar uma empresa onde servia omakases em casa das pessoas. Contudo, foi travado pela pandemia e teve que reinventar-se.

“Em maio do ano seguinte redesenhei tudo e decidi colocar o menu omakase dentro uma casa, que entregava sobretudo para jantares. Acabou por ser bem-aceite, até que em 2021 os espaços começaram a abrir e eu não tinha capital para investir num restaurante. Decidi então emigrar para Lisboa”, adianta.

Assim que chegou à capital começou a trabalhar num restaurante de sushi no Saldanha, depois fez parte da equipa de abertura do Izakaya em Cascais, mas a falta de tempo para descansar fez com que repensasse e proposta. “Houve uma altura em que não dormia mais de quatro horas por noite e juntou-se depois uma lesão no ombro e acabei por quebrar. Ainda passei por outros espaços, até que em janeiro de 2024 fui convidado para abrir o Sugoi, em Marvila e foi ótimo. Seis meses depois, decidi passar uma temporada no Japão para conhecer a cultura e trabalhar em alguns restaurantes. Foi inesquecível”, revela.

Éder regressou a Lisboa no final de 2024 com a ideia de voltar a lançar o conceito do omakase em casa. Tratou de todas as burocracias e desde janeiro que tem feito diferentes eventos na cidade. “Cozinho para as pessoas em casa, onde faço um menu pensado por mim naquele dia, mas também já fizemos pop-ups”, refere.

Atualmente, quem quiser basta entrar em contacto com o chef para reservar um jantar especial. Caso também já esteja a pensar que tipo de loiças é que terá de ter para o efeito, calma. O chef tem menus que podem ser personalizados para cada momento (e orçamento).

“Crio apenas uma base por causa dos ingredientes sazonais que posso usar no momento. Depois é tudo personalizado, desde as quantidades, aos preços. As loiças eu levo todas, assim como algumas das preparações. A única coisa que peço é que eu possa estar no espaço até quatro horas antes de começar o evento, para me poder ambientar aos aparelhos”, indica. A única coisa que precisa, se possível, é de ter acesso a um fogão e frigorífico.

Os preços variam entre os 85€ e os 150€ por pessoa e os menus podem ter entre seis e 10 momentos e são pensados para grupos de até 10 pessoas no máximo. A única coisa que os valores não incluem é a bebida, porque Éder considera que é algo muito pessoa.

As reservas podem ser feitas online.

 
 
 
 
 
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