Antes de ter tanto movimento, com pratos a chegar à mesa e a perfumar a sala, o Capítulo Restaurant & Bar foi um lugar de recolhimento. No local junto à Igreja de São Domingos, no Rossio, em Lisboa, funcionava a sala de um antigo convento dominicano que acolhia, há séculos, as reuniões dos monges. Era onde se lia o capítulo da ordem, onde se discutiam ideias e se traçavam caminhos importantes para o grupo religioso.
O edifício tem cerca de 800 anos e ainda preserva colunas robustas que resistiram aos terramotos de 1531 e 1755, assim como mármores e azulejos dos séculos XVI, XVII e XVIII. Ao lado, o claustro a céu aberto continua a ser um dos refúgios mais surpreendentes da cidade.
“É muito tranquilo. Nem parece que estamos no centro de Lisboa”, conta Celso Padeiro, de 36 anos, chef-executivo do grupo PHC Hotels, responsável pelo restaurante. É precisamente essa herança que dá tom ao ambiente.
A base da carta é assumidamente portuguesa. Ainda assim, há espaço para influências internacionais, técnicas contemporâneas e criatividade. “O conceito do Capítulo tem algumas âncoras. A primeira é a sazonalidade dos produtos. A carta muda duas vezes ao ano. Há uma para a primavera e o verão e outra para o outono e o inverno”, explica.
O segundo pilar é a forma como alguns pratos são confecionados. “O forno a lenha está dentro da cozinha. Fazemos muitos pratos fumados, como a entrada com salada de beterraba fumada com queijo de cabra gratinado, alcaparras fritas e laranja (12€) e as vieiras com puré de couve flor fumado, cantarelos e óleo de coentros (22,50€). Dá sempre um sabor característico”, conta o chef à NiT.

O menu conta também com entradas como tártaro de novilho e pão de brioche (21€) e croquetes de pato com molho de mel, rosmaninho e laranja (14€). Entre os pratos principais, destacam-se o robalo assado com arroz de berbigão e óleo de coentros (33€), lombo de tamboril corado com molho de caril e cacau (32€) e bochechas de porco estufadas em vinho tinto e vinagre balsâmico, puré de alheira e grelos salteados (29€).
Entre as sobremesas, há opções como cheesecake de creme brûlée com gelado de ginja e flor de sal (8,50€), rabanada queimada com creme de pastel de nata e vinho do porto (8€) e travesseiro de amêndoa em massa filo e gelado de canela (8€). Este último é uma homenagem aos doces conventuais, mantendo o respeito às tradições, mas sem medo de reinterpretá-las.
“Há duas garrafeiras lindas dentro do restaurante, com vinhos nacionais e internacionais. Uma para tintos e outra para brancos e rosés, mantidos à temperatura adequada”, acrescenta Celso. A experiência não se limita à sala principal, que acomoda 80 lugares. O restaurante desdobra-se em diferentes ambientes: o lounge, com carta mais leve e propostas de bar; e o já referido claustro, perfeito para fins de tarde demorados.
O Capítulo vive ao ritmo do calendário, sempre com atenção às estações. A isto junta-se uma carta de cocktails que também traz novidades de acordo com a altura do ano. As bebidas exploram ervas, citrinos e combinações improváveis, numa referência à antiga botica do convento.
E talvez seja essa a maior característica do espaço: a forma como transformou um local de clausura num palco de convívio, com pratos, brindes e animadas conversas. Lisboa ganhou, assim, um restaurante onde passado e presente se sentam à mesma mesa e cada capítulo continua a escrever-se prato a prato.
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