Restaurantes

Estudo revela como a Covid fez disparar o take away e entregas dos restaurantes

Um novo estudo põe em evidência a forma como, no espaço de meses, a pandemia mudou o setor.
Um desafio para o setor.

Do teletrabalho aos nossos hábitos de consumo, a pandemia veio acelerar uma série de tendências. Por um lado está a tornar-nos consumidores mais atentos à carteira, na hora de gastar. Por outro, está a trazer mudanças cujo impacto ainda se irá notar no futuro. Nalguns casos, porém, o modelo atual ainda não é sustentável.

Para o setor da alimentação, em particular o dos restaurantes, haverá um mundo antes, durante e depois da pandemia. São essas as conclusões estudo “EIT Food Foresight: Impact of COVID 19 on the Food Sector in Southern Europe”, divulgado na quata-feira, 24 de fevereiro, e a que a NiT teve acesso. O trabalho realizado pela consultora Lantern, em conjunto com o Instituto Europeu da Inovação e Tecnologia, assegura que, mesmo após a erradicação do vírus, o setor alimentar e os negócios a ele inerentes não volta a ser igual.

O declínio no consumo fora de casa é a principal razão para o impacto no setor. Sobre Portugal, este estudo realça a estimativa de que 38 por cento dos trabalhadores passaram a teletrabalho logo com a chegada da pandemia, em abril e maio de 2020.

No sul da Europa, apenas a Itália, particularmente atingida na primeira fase da pandemia, notou uma mudança maior (41 por cento). Já a Grécia surge como o país do sul da Europa onde a mudança foi menor (27 por cento), em parte por uma maior resistência a nível cultural ao teletrabalho.

A título de exemplo, em Espanha as refeições fora de casas caíram 32,4 por cento, enquanto as entregas ao domicílio e take away subiram 31,5 por cento. Já as refeições feitas em casa aumentaram 6,5 por cento. São possíveis mudanças de um paradigma que, no entanto, não é simples no setor.

Em Portugal, dados da consultora McKinsey de junho de 2020 estimavam que 59 por cento dos restaurantes em Portugal ainda não faziam, na altura, entregas ao domicílio. Cerca de 7 por cento começaram a fazê-lo precisamente devido à pandemia, enquanto 23 por cento passaram a fazê-lo mais vezes devido à Covid-19. Com este segundo confinamento, o número de opções de entregas terá voltado a subir em Portugal. Mas para muitos negócios esta opção não é viável a longo prazo.

As comissões de plataformas de entrega como a Uber Eats e a Glovo em muitos casos “são muito altas para negócios com pouca margem de lucro” o que quer dizer que dificilmente serão “solução de longo prazo para muitos restaurantes”. Alguns restaurantes criaram o seu próprio serviço de entrega “mas a sustentabilidade deste modelo ainda está em dúvida”, pode ler-se.

No sul da Europa, a pandemia terá acelerado o processo de digitalização do setor alimentar entre dois a quatro anos. O mundo do e-commerce, de vendas online, já terá crescido 42 por cento no Sulo da Europa desde o primeiro confinamento. Mas com os negócios fechados ou limitados na sua principal fonte de rendimento, de servir refeições no local, muitos espaços estão em risco de fechar.

O mesmo estudo nota ainda outros fenómenos que se têm feito notar. Na hora de fazer compras, não se fazem tantas idas ao supermercado. Compra-se mais de uma só vez, o que muitas vezes implica alguns cuidados na hora de escolher. Isso nota-se, por exemplo, na diminuição da procura por produtos gourmet de maior qualidade.

São também muitas as áreas em que a tendência para o trabalho remoto acelerou (e já não deverá abrandar). Para os restaurantes, este é um desafio que se vem juntar às quebras no turismo. Portugal fechou 2019 no 15º lugar entre os países com mais visitantes. Esta fatia de clientes foi particularmente condicionada com a pandemia, e a confiança ainda demorará para que retome valores pré-pandemia.

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