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“Foi terrível ter de fechar. Cada dia de abertura era como dar um tiro no pé”

Pedro Limão foi obrigado a encerrar dois restaurantes no Porto. Sem faturação e muito encargos fiscais não teve outra hipótese.
O projeto teve de encerrar em outubro.

Com um grande investimento feito no final de 2019, Pedro Limão tinha apostado muitas fichas para 2020. O restaurante homónimo que tinha aberto no Porto há três anos mudou-se para umas portas ao lado para um edifício que ia ainda receber espaços de alojamento. Era para começar a receber hóspedes em setembro, mas tal nunca veio a acontecer. Na terceira semana de outubro teve de fechar o Pedro Limão e o Metade e Meia, um outro projeto que arrancou em soft opening em agosto.

Com três negócios na cidade ficou sem nenhum no espaço de poucos meses, tudo devido às limitações impostas pela pandemia que trouxeram menos clientes, menos faturação e com os impostos e outros encargos a manterem-se. A decisão não foi fácil de tomar. “Foi terrível ter de fechar. Cada dia de abertura era como dar um tiro no pé. Não tinha retorno e tinha prejuízo, numa empresa que já estava desde o início do ano numa situação complicada”, explica Pedro Limão à NiT.

Na altura do primeiro confinamento não optou por criar um take-away nos negócios para de certa forma conseguir alguma faturação. “Não fez parte das opções, não só por uma questão financeira e económica. No próprio conceito não fazia sentido.” Para de alguma forma de conseguir manter, no verão lançou uma campanha de crowdfunding. Pedia 30 mil euros, mas conseguiu apenas pouco mais de mil.

“A restauração atravessa sérias dificuldades para manter estruturas de funcionamento e funcionários e assim pensamos nesta campanha direcionada aos nossos clientes e amigos para mantermos o Restaurante Pedro Limão a funcionar”, lia-se na descrição da campanha. A alternativa pensada não se revelou eficaz e acabou mesmo por ter de fechar os vários projetos.

Desde o encerramento dos espaços que utilizou o Instagram pessoal para deixar a sua opinião sobre a situação que toda a restauração está a passar. Num dos “Um Minuto de Revolução Por Dia Nem Sabe o Bem Que Lhe Fazia”, o nome da rubrica diária de um minuto que lançou, apelidou de “avalanche de impostos” o que está destinado para a restauração e hotelaria.

“A carga fiscal é demasiado desproporcional em relação à atividade todos os custos inerentes são excessivos”, continua. Acredita de devia ser feito mais pelo governo. “Não há resposta de quem governa, não percebo mesmo. O governo está tranquilo nisto. O mercado estava algo desequilibrado mas o governo está tranquilo. Portugal vai deixar cair projetos sem peso algum na consciência. Tem uma álibi que é a Covid-19.”

Uma das soluções para a salvação de muitas empresas acredita de deveria vir do estado. “O governo poderia avaliar e fazer um estudo de empresas que estão em situação prior. O perdão fiscal do que está para trás e carência de impostos podiam ser implementados. A empresas sem faturar não podem ter impostos.”

Tinha três projetos no Porto, que agora estão encerrados.

Tem três filhos e uma casa para manter e não é com a jaleca pendurada que irá resolver os problemas por que está a passar. “Ninguém sobrevive se não se continuar a mexer.” Voltou a fazer jantares privados e eventos, algo que já fazia antes de virar para os restaurantes. Já tem duas consultorias encaminhadas e dá aulas na escola de hotelaria do Porto.

Acredita que irá voltar a reabrir o Pedro Limão. “É inteiramente resultante da alma, não é restaurante para o qual faço consultoria, com sócios e apenas a pensar na vertente económica. Se alguma vez o voltar a abrir será feito com o coração.”

Neste momento tem o espaço em trespasse já que o objetivo não é desfazer-se, mas sim encontrar possíveis parceiros que queiram continuar a fazer parte do conceito que ali tinha criado. “Não quero perder aquele espaço. Quis criar ali uma área alternativa para as pessoas do Porto.”

Uma das certezas é nos primeiros cortes que irá fazer. “O próximo espaço que abrir será sem TheFork, Zomato, nem nada. Será uma feita uma comunicação própria. Esses são custos insuportáveis na perspectiva de autonomização e aumento do lucro.” Considera que este tipo de plataformas se aproveitou do boom turístico para impor determinados custos.

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