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Fomos experimentar o Tsukimi: a experiência do sushi num jardim secreto de Lisboa

O cocktail de saké estava bom, o sushi era agradável e ficámos de apetite aberto para o que virá no próximo verão.
No centro de Lisboa.

Ah, Lisboa. Por cada buzinadela na hora de ponta há sempre recantos escondidos e tranquilos por descobrir. Só isso seria bom para fechar o dia, mas se o pudermos fazer numa mesa ao ar livre com sushi e um copo de vinho, melhor ainda. Se juntarmos à receita um pouco de mistério, temos o Tsukimi.

A palavra Tsukimi vem do japonês “contemplar a lua” e por estes dias é também sinónimo de novidade. Como esta que a NiT foi experimentar.

Começa tudo com um número, via WhatsApp. Tome nota: 935 685 685. É por aqui que fazemos a reserva (disponíveis de quarta-feira a sábado). E é também por aqui que vamos receber a confirmação de reserva.

Um dia antes, com a reserva feita, chegou-nos a confirmação, com um “ありがと”. De nada, Tsukimi. No próprio dia recebemos então as informações sobre onde nos dirigirmos e a palavra-passe. Não podemos revelar tudo mas podemos revelar alguma coisa: foi no centro de Lisboa, numa insuspeita pastelaria de bagels, que dissemos a palavra passe e lá nos encaminharam para um jardim interior, resguardado da confusão do centro da cidade.

“Usagi”, dissemos, não sem antes termos feito uma pesquisa — a nossa palavra-passe queria dizer coelho (e é também o nome da Usagi Tsukino, personagem principal das “Navegantes da Lua”, a Bunny Tsukino na versão que chegou a Portugal).

Um cocktail a abrir o apetite.

Lá dentro não havia nenhum Zorro mal disfarçado com uma rosa ao estilo das “Navegantes da Lua” mas tivemos uma segunda dose de mistério: a conversa com o autor da ideia, cuja identidade não foi revelada.

E assim fomos nós, corredor fora até um jardim para uma conversa com um interlocutor que não se irá identificar. Melhor ainda: fala português com um sotaque estrangeiro de quem já cá está há alguns anos e tinha o tempo contado: dali a bocado tinha um jogo de póker com amigos. Sotaque, secretismo e póker, tudo num tempo em que toda a gente anda mascarada. Os nossos olhos brilharam momentaneamente, como se tivéssemos sido transportados para uma cena esquecida de Quentin Tarantino. Nada disso e ainda bem. A amabilidade daquele cujo nome não diremos nota-se no serviço do Tsukimi. E não arriscámos a vida para saber um pouco mais.

Eis o que nos disse: o Tsukimi está a correr tão bem que poderá expandir-se ainda este verão para outras zonas, como Cascais. No próximo ano, há já uma nova ideia a ser preparada, uma que poderá expandir o secretismo até à ementa (fazemos a reserva, mas não sabemos de que país é a cozinha que será servida). Mas isso é para outras estreias e antes ainda tínhamos que saborear esta experiência. Sentemo-nos à mesa.

Vai uma dentada?

Começámos por um cocktail de saké e edamama de entrada antes de nos aventurarmos numa seleção de sushi tradicional e sashimi de 48 peças. A opção permitia logo uma série de escolhas.

O toque tenro à dentada confirmava a frescura — os dois sushimen estão no mesmo jardim onde nos encontramos a preparar a refeição a poucos metros. Sinta-se à vontade para ir espreitar, com a inevitável ressalva dos tempos que correm sobre manter a distância social. Afinal de contas também não queremos perturbar esta arte antiga que conquistou todo o mundo.

O ambiente no jardim do Tsukimi pede grupos pequenos ou visita em casal e a conta é uma daquelas boas relações qualidade-preço, em que o preço médio fica por 25€, 30€ (dependendo do cocktail ou do vinho a acompanhar).

Os temakis são de salmão (aqui em duas versões, uma ligeiramente picante) e atum. Um pão de ló à japonesa ou um menos nipónico mas bem saboroso brownie com gelado a acompanhar fecharam uma refeição.

Mais para o fim, o mistério à entrada já se desvaneceu sob a noite de Lisboa e o que nos fica é um ambiente amigável, sereno, em que a conversa tem tempo para fluir sem grandes ruídos. Se não estivesse guardada, a palavra-passe já teria sido esquecida por completo, com um jantar agradável a ocupar o seu lugar na memória.

Carregue na galeria e descubra um pouco mais sobre esta experiência Tsukimi.

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