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Francisca: “O ‘Hell’s Kitchen’ foi uma entrevista de emprego mais prolongada”

Assim que venceu o programa, começou logo trabalhar no 100 Maneiras, de Ljubomir. Os clientes estão sempre a pedir para tirar fotografias com a ex-concorrente.
Francisca foi a vencedora da primeira vencedora do concurso.

As gravações de “Hell’s Kitchen” terminaram no final de fevereiro. Apesar de o último episódio só ter passado na SIC no domingo, 6 de junho, Francisca Dias — a grande vencedora da primeira edição do concurso em Portugal — já sabia desde o início do ano que iria trabalhar com o chef Ljubomir Stanisic. Ainda assim, o prémio só foi anunciado publicamente no final do programa. “O Hell’s Kitchen acabou por ser uma entrevista de emprego mais prolongada”, explica Francisca à NiT.

Só em abril, quando os restaurantes puderam reabrir em Portugal com o desconfinamento, é que Francisca começou a trabalhar no 100 Maneiras, o espaço que recebeu uma estrela Michelin no Guia de 2021. “É como entrar num trabalho novo, saber o que é preciso para ajudar. É um pouco na linha do Feitoria, mas são formas diferentes de trabalhar. É preciso perceber o que o chef pretende e os sabores, para estar tudo como quer.”

Três meses depois de chegar ao restaurante passou para a seção dos quentes, que prepara os salgados que são enviados aos clientes nos menus de degustação antes das sobremesas. “Se for o menu maior, dos 17 momentos preparo quatro. Se for o mais pequeno, dos 11 pratos faço três.”

A couve lombarda enrolada com carabineiro no interior é uma das sugestões que prepara e que fazem parte do recente menu que ficou disponível no restaurante de Ljubomir Stanisic no Bairro Alto. “Fui colocada aqui, mas por vezes a equipa roda e temos sempre de ter consciência das restantes seções.”

Nem todos os dias convive com Ljubomir, que não está sempre presente no restaurante. O chef Manuel Maldonado, que também esteve no programa da SIC, é quem aparece mais vezes. “Estar no 100 [Maneiras] foi sair da minha zona de conforto, foi trabalhar com outros chefs e desafiar-me mais.”

Um dos hábitos que já apanhou de Stanisic é o uso da pimenta. “Passei a usar mais no dia a dia, é algo que o chef adora. Diz sempre que quando não sabemos o que não faz falta no prato é pensar que com mais um toque de pimenta fica melhor.” Quando não está de folga, é na cozinha do 100 Maneiras que pode encontrar Francisca Dias, ou então na sala do restaurante, onde é chamada por vários fãs de “Hell’s Kitchen”.

“Quando há mais portugueses, costumo ser chamada. Querem saber se está tudo bem e tirar fotos. Agora reajo com menos vergonha. Sou muito faladora, mas algo envergonhada também. Tenho tido um bom feedback das pessoas, a dizer que gostaram de me ver.”

A experiência no “Hell’s Kitchen” foi a primeira em televisão, pelo menos num concurso, uma vez que já tinha passado pela “Praça da Alegria” quando tinha uns dez anos, recorda à NiT. Depois de ver o programa na televisão, ficou com a ideia de que episódio era curto tendo em conta a quantidade de horas que gravavam.

“O tempo das provas e do restaurante era real, chegava a um ponto que nos esquecíamos das câmaras.” Ainda assim, por vezes, existiam as repetições que eram necessárias. “Acontecia mais nos momentos em que nos tínhamos de alinhar em frente à cozinha. Também a primeira entrada que fizemos repetimos aí umas sete vezes. Era tudo novo para nós, mas também para a produção, com as posições das câmaras e com as luzes.”

Na altura das provas, Francisca estava sempre empenhada em dar um bom serviço, tudo para o bem da equipa. Mas uma vez que acabou por ser traída pelo microfone. “Estávamos a meio do serviço e oiço da produção a dizer que tinha um problema no microfone para ir arranjar, mas não queria sair dali, não me queria prejudicar e à equipa.” Não se estava a ouvir o que dizia. O problema tinha de ser tratado e acabou por ser com uma ordem do chef. “Disse-me para ir lá atrás buscar um quilo de arroz.” Só assim a conseguiram tirar do serviço para tratar do microfone.

A mulher, Tânia Semedo, foi quem a inscreveu no programa. Francisca nem sabia que “Hell’s Kitchen” iria estrear em Portugal, mas depois acabou por ir ao casting e ficar. “O objetivo sempre foi chegar à final, estávamos numa altura incerta em Portugal, por isso decidi arriscar, para ver o que acontecia.”

Desde outubro que estava desempregada depois de não ver o contrato a ser renovado. Na altura estava no Rossio Gastrobar, o projeto do chef João Rodrigues com quem já tinha trabalhado no Feitoria, em Belém, que tem uma estrela Michelin.

“Foi diferente de outros trabalhos que tive, em que saí sempre por mim. Mas foi bola para a frente. As coisas às vezes acontecem por acaso, tal como aconteceu com a participação no programa da SIC.”

As gravações terminaram em fevereiro.

Na mesma altura em que arrancam as emissões de “Hell’s Kitchen”, Francisca lançou uma marca de molhos, temperos e conservas com a mulher, o Cisca Massala. Outros ex-concorrentes acabaram por se lançar em negócios próprios. A vencedora tem curiosidade em conhecer alguns dos conceitos dos colegas, mas ainda não teve tempo para isso.

“Quero ir ao do Lucas, mas é longe que agora estou muito por Lisboa, mas também gostava de experimentar os cronuts do Hélder, que têm ótimo aspeto, e o conceito da Daniela e da Rafaela.”

Por agora, está empenhada no trabalho que tem na cozinha do 100 Maneiras, mas já pensa no futuro. “Daqui a uns dois ou três anos, gostava de ver o Cisca Massala a evoluir. Também penso em ter um restaurante, mas intimista e mais pequeno, com aquela comida que me sinto bem a fazer. Não só portuguesa, mas também japonesa e indiana, algo como se fosse a minha casa”.

Carregue na galeria para conhecer melhor estes e outros projetos dos concorrentes desta primeira edição do “Hell’s Kitchen”.

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