O Ignea fica a cinco minutos do centro de Guimarães, mas parece estar a anos-luz do barulho da cidade. Escondido entre árvores, numa quinta de cavalos com um centro de equitação, assume uma cozinha marcada pelo fogo e pelo fumo.
O restaurante abriu portas a 12 de outubro, depois de três meses de obras aceleradas que transformaram uma antiga casa de restauração num espaço cujo nome deixa adivinhar ao que se vai. “Ignea é o feminino da palavra ígneo”, explica Bruno Silvério, chef e proprietário do espaço. “Remete muito àquilo que arde, ao fogo, ao calor. E como aqui tínhamos forno a lenha, brasa e tudo seria muito à base do fumo, do calor e da chama, fez todo o sentido.”
Foi precisamente a vontade de ter um projeto seu — e totalmente alinhado com a sua visão — que levou Bruno a criar o Ignea. Natural de Guimarães, tem 27 anos e estudou Gestão e Produção de Cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra. Depois de passar por cozinhas como a do Feitoria, em Lisboa, regressou ao norte durante a pandemia. Foi no restaurante Mircato que começou a moldar a sua identidade, até que percebeu que estava na altura de mudar.
O conceito do Ignea assenta na cozinha portuguesa, mas interpretada à maneira do seu chef. “Tudo nasce muito do fogo. Usamos basicamente é tudo feito na brasa ou no forno a lenha.” A ideia é trazer a memória dos sabores tradicionais, respeitando o produto e puxando pela técnica.
“Tem muita identidade do fumo, muita identidade do lume. Tentamos ir um bocadinho por esse caminho das nossas raízes como humanos, de comer”, afirma à NiT.
A carta foi pensada para a partilha. “É uma cozinha próxima ao fine dining, no entanto longe na questão da individualidade de cada pessoa ter o seu pequeno prato”, nota.
Um dos exemplos mais curiosos é o Húmus de Enchidos (5,90€), inspirado na memória da massa à lavrador do dia seguinte, onde no fundo ficava a “papada de grão com enchidos e tomate”. Aqui, aparece com picles em vinho do Porto, maionese de alho negro e bolo do caco grelhado.

Outro prato que leva a ideia da tradição mais longe é o Bacalhau, Grão de Bico e Grelos (25,90€), feito na brasa, com cebola braseada, húmus, grelos salteados e pó de azeitona. “É desconstruído de uma forma que depois na boca nos leva àqueles sabores que são de facto tradicionais e que nós comeríamos em qualquer tasca.”
Entre as entradas, pode provar ainda os cogumelos à Bulhão Pato (6,90€), a bochecha de porco e queijo da Ilha (7,90€), ou a alheira e grelos (6,90€). Nos caso das propostas principais, o chef recomenda o polvo, batata doce e chimichurri (24,90€), o peixe fresco e açorda de coentros (20,90€), o frango na brasa (19,90€) ou a bochecha de porco em vinho tinto (19,90€).
No que toca a carnes, existem diversos cortes para experimentar, como o ribeye (28,90€), o T-Bone (64,90€) ou o tomahawk (72,00€), sempre com acompanhamentos incluídos.
Por fim, os doces. A lista elenca alguns clássicos com um twist, como como o pão de ló, baunilha e laranja (6,90€), o leite creme de loureiro (4,90€), a torta de laranja (6,90€) ou o pudim de tangerina (5,90€). “Em tudo aquilo que é servido nós tentámos sempre ter um bocadinho daquilo que é a memória das casas portuguesas”, sublinha.
A cozinha está literalmente dentro da sala, completamente aberta. Existem pratos tradicionais pendurados na parede, fotografias alusivas à cozinha portuguesa, cadeiras coloridas a contrastar com a sobriedade da madeira e da pedra. E, claro, um bar onde se servem cocktails de autor pensados para harmonizar com os pratos da carta, como se fossem faixas de um mesmo álbum. E é assim que são apresentadas as bebidas, por exemplo, a Faixa 2, um Fado Bailado do Melão (9€) com mezcal, melão, shrub ácido e soda, ou a Faixa 6. o Fado Mouraria do Pêssego (8.5€) com gin, chá preto e pêssego.
Carregue na galeria para conhecer melhor o novo restaurante obrigatório de Guimarães.

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