O espaço é o mesmo, a identidade gastronómica também, mas a ideia mudou quase toda. O antigo Mex Factory deu lugar ao La Ruda, no LX Factory, aberto desde 25 de março. O que isso significa na prática? Uma cozinha mais focada, mais autêntica e pensada para partilhar: sem perder o lado descontraído que já enchia a casa.
Luís Roquette, de 33 anos, um dos responsáveis por detrás do projeto, explica que esta mudança já andava a ser pensada há algum tempo. “Sentimos necessidade de fazer um rebranding, apesar de estarmos sempre cheios. Queríamos criar algo com identidade própria e fugir ao Tex-Mex”, conta. “O conceito estava cansado, precisava de uma nova vida”.
Essa mudança também tem raízes pessoais. A ligação de Roquette à cozinha mexicana não é recente. Foi, aliás, o ponto de partida para tudo o que veio depois. “O mexicano foi o primeiro conceito que me lançou nesta área, tenho muito respeito por ele”, conta o empresário, que abriu o antigo Mex Factory aos 24 anos.
Desde então, foi aprofundando essa relação com viagens e experiências fora de Portugal, tanto ao México, como a Espanha e até aos Estados Unidos, para perceber melhor esta cozinha. Absorvemos muito dessas experiências e tentamos aplicar esse conhecimento aqui, sempre com produtos frescos e o mais autênticos possível”. É esse percurso, entre curiosidade, aprendizagem e consistência, que hoje se reflete na nova identidade do La Ruda.
Essa nova vida nota-se logo à entrada. A NiT passou pelo espaço, que esteve em soft opening até esta segunda-feira, 30 de março. Há murais do artista urbano Pedro Peixe, um ambiente mais descontraído (e minimalista), e uma energia que mistura comida, arte e o movimento típico do LX Factory. Nos próximos dias, junta-se ainda um rooftop, que promete ser um dos grandes trunfos da casa.
É à mesa que o espaço se apresenta. Começámos pelas entradas e percebe-se logo a lógica da carta. O guacamole (7€) é fresco, leve e bem equilibrado — não pesa, não cansa, não rouba espaço ao resto da refeição. Pelo contrário: abre caminho. A tostada de atum (8€), essa sim, foi o grande destaque inicial. O peixe fresco liga muito bem com o abacate, a maionese de chipotle e o alho francês frito. É leve, mas cheia de sabor e, obviamente, desaparece rápido.
A acompanhar, chegaram os cocktails. O mojito de maracujá (9€) foi o melhor da mesa: equilibrado e nada enjoativo. As margaritas de morango (8,5€) também cumprem, mas destacamos o mojito. “Reduzimos a carta de bebidas para focar na qualidade. Não queríamos ter tudo, queríamos ter bem feito”, explica Luís. E sente-se essa intenção.

Nos pratos principais, não podem faltar os tacos. Os de pollo tinga (8,5€) chegam suculentos, bem temperados, com creme fraîche, chilli e sésamo a dar equilíbrio. Nada secos, nem pesados. Tudo no ponto. Já o taco de costilla de cerdo (9€) eleva ainda mais o nível: carne de excelente qualidade, bem combinada com molho BBQ, abacaxi guajillo, pickles e cebola roxa. Há contraste, textura e sabor em cada dentada.
Percebe-se que há trabalho por detrás da carta. “Fomos ao México, Madrid e Nova Iorque procurar referências para construir isto”, conta o responsável. “Preferimos ter menos pratos, mas melhores.”
O próprio chef André Brandão reforça essa ideia de evolução do projeto: “Já estou no La Ruda há cinco anos e tive a oportunidade de viajar para expandir horizontes. Absorvemos muito dessas experiências e tentamos aplicar esse conhecimento aqui no LX Factory, sempre com produtos frescos e o mais autênticos possível.”
A refeição fecha com três sobremesas — todas boas, mas com uma clara estrela. A torta três leches de chocolate (6€) é intensa e indulgente, sem cair no exagero. Ainda assim, a melhor foi a tarte de queso (6€), com sabor forte, autêntico, mas equilibrado, que, neste tipo de sobremesa, nem sempre acontece. “Os churros são um dos nossos pontos fortes e a tarte de queijo tem tido muita saída”, acrescenta o chef.
O serviço acompanha a refeição: simpático, descontraído e eficiente. E o ambiente faz o resto do trabalho. A esplanada, o sol a bater no LX Factory, a música de fundo, os pratos a circular na mesa: tudo convida a ficar mais tempo.
Com o rooftop prestes a abrir e a carta já bem afinada, o La Ruda tem tudo para se tornar num dos spots de eleição para refeições de grupo. Daqueles sítios onde se pede de tudo um pouco, se partilha e a conversa se prolonga.
No fundo, é isso que este espaço pede: amigos, tempo e vontade de não sair tão cedo.
Carregue na galeria para conhecer mais em detalhe o espaço e os pratos.

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