Lisboa está cheia de restaurantes novos, com conceitos inovadores e diferentes especialidades, mas poucos apostam na ideia de usar o animal inteiro, ou seja, não desperdiçar nada. É essa a base da carta do Lamina, o novo projeto do chef Vasco Coelho Santos, que abre oficialmente a 6 de abril (atualmente em soft opening).
O chef portuense, de 38 anos, regressa à capital, depois de vários anos a trabalhar no norte, para criar um restaurante onde o fogo é a base de tudo. Para Vasco Coelho Santos, este projeto também marca um regresso pessoal. “Já há muito tempo que queria explorar Lisboa. Tenho muitos clientes aqui e fazia sentido testar um conceito de raiz na cidade”, explica.
Ali, a cozinha é direta, intensa e sem grandes filtros, mas com uma regra clara: aproveitar cada ingrediente ao máximo. “O restaurante é um ‘nose to tail’, muito ligado à ideia de cozinhar o animal inteiro, mas também vegetais. É uma cozinha criativa, de fogo, honesta e descontraída”, explica o chef à NiT. O conceito não fica só na teoria. Na prática, traduz-se numa carta onde aparecem cortes menos óbvios e pratos que raramente se veem em menus mais convencionais.
“É pegar num porco e usar tudo. Hoje servimos barriga, amanhã a perna. Há coisas que normalmente iam para o lixo e aqui ganham uma segunda vida”, acrescenta o chef.
O restaurante encontra-se ainda em fase de pré-opening, pelo que a carta poderá sofrer ajustes e alterações nas próximas semanas, à medida que a equipa afina o conceito e os pratos. Ainda assim, já dá para perceber o caminho: uma proposta simples, pensada para partilha e com vários pratos para ir provando à mesa.
Nos snacks e entradas, há propostas como língua de vaca fumada (5€), espetada de coraçõezinhos com molho verde (6€), croquete de morcela com relish de maçã (4€) ou orelha de porco crocante com molho de cogumelos (10€), que é trinchada à mesa.
Também há clássicos reinterpretados, como a sopa de cebola com massa folhada (7€) ou o paté de fígados com tostas de melaço (7,5€). Para quem prefere algo mais leve, surgem opções como carapau com pimento e azeitona (15€) ou cebolinha na grelha com molho romesco (8€).
Nos pratos principais, a lógica mantém-se: comida para dividir e pensada para o centro da mesa. Há arroz caldoso de rabo de boi, estufado durante cinco horas (19€ para duas pessoas ou 34€ para quatro), e massada de peixe e marisco (22€ / 38€). Entre as carnes, destaca-se o chambão à bourguignon (35€, para partilhar) ou o vão de porco (28€).
As sobremesas também seguem a mesma linha criativa, com combinações menos óbvias, como chocolate com crumble de cogumelos (7€) ou tarte tatin com gelado de iogurte e yuzu (6€).

Para acompanhar, a carta de vinhos aposta sobretudo em produtores portugueses, mas não só. Há copos a partir dos 6€ e garrafas desde cerca de 24€, como o branco Natureza da Serra (28€) ou o tinto Gradual (desde 8€ o copo / 34€ a garrafa). Já nos espumantes, há opções como Ribeiro Santo Blanc de Noirs (9€ o copo / 36€ a garrafa), e nos champanhes os preços chegam aos 100€.
O espaço divide-se entre duas zonas: uma sala virada para a rua, mais movimentada, e uma estufa onde vão acontecer eventos, workshops e até desmanches de animais: uma extensão natural do conceito do restaurante.
Antes de chegar aqui, o chef Vasco Coelho Santos começou por estudar gestão, mas acabou por trocar esse caminho pela cozinha. “Estudei gestão, mas decidi fazer uma pausa e vim para Lisboa aprender a cozinhar”, conta. A partir daí, passou por algumas das cozinhas mais prestigiadas do mundo, como o Mugaritz, Arzak e elBulli, antes de regressar ao Porto, onde abriu o Euskalduna Studio em 2016, que ganhou uma Estrela Michelin em 2025, e outros projetos como o Seixo, no Douro, ou o Kaigi, no Time Out Market.
Ao lado de Vasco Coelho Santos está Inês Azevedo, que assume a função de chef executiva e a liderança do dia a dia do restaurante. É ela quem garante que a cozinha funciona ao ritmo certo e que o conceito passa do papel para o prato. “A Inês é a mulher forte desta casa e vai representar muito bem este projeto”, diz. Os dois já se conheciam há vários anos e chegaram a tentar trabalhar juntos no passado. Agora, essa colaboração concretiza-se em Lisboa.
Com passagem por cozinhas como o Geranium, em Copenhaga, e o Hiša Franko, na Eslovénia, Inês Azevedo traz experiência internacional e ajuda a equilibrar a criatividade com a consistência do dia a dia.
O Lamina quer fugir ao óbvio, tanto na forma como cozinha, como naquilo que decide pôr no prato. Aqui, quase nada se desperdiça. E é precisamente isso que define tudo o resto.
Carregue na galeria para conhecer melhor este novo restaurante de Lisboa.

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