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MamaFood: a aplicação que lhe entrega comida de todo o mundo em casa

Pode pedir pratos típicos da Malásia, México, Brasil, Senegal, França e Líbano. O preço médio de cada um ronda os 8 euros.
Há muito para provar.

Nos tempos que correm, comer bem, experimentando novas receitas e sem gastar grandes fortunas, não precisa de ser um exclusivo de pessoas com talento entre tachos e panelas. Para tal, muito contribuem projetos como a MamaFood, uma plataforma que coloca pratos autênticos de todo o mundo, preparados por cozinheiros nas redondezas, junto daqueles que gostam de viajar a partir da mesa mais próxima.

Os primeiros passos para a construção da marca foram dados há dois anos. “No início de 2020, estávamos todos em casa devido ao isolamento a que a pandemia de Covid-19 obrigou. Algumas pessoas encontraram uma paixão pela cozinha, mas eu não. Francamente, sou um péssimo chef, pelo que passei a encomendar comida quase todos os dias. Após algumas semanas, contudo, já estava cansado: era repetitivo, pouco saudável, caro e não parecia, simplesmente, o tipo de comida que se quer comer diariamente”, começa por contar à NiT o franco-sírio Shadi Osta, um dos responsáveis pela MamaFood.

“Tinha a certeza que existiam cozinheiros espantosos no meu próprio bairro, apenas não conseguia chegar até eles. Ao pesquisar nas redes sociais, encontrei um marroquino, um mexicano e um brasileiro que faziam e vendiam, a partir de casa, pratos tradicionais dos seus países. Foi espantoso. A sensação de comer a comida deles era realmente qualquer coisa. Procurei outros e lancei um site muito simples com menos de 10 colaboradores, todos de Lisboa”, acrescenta.

Pouco depois, Wim Durie, belga que cresceu em África e com o qual Osta se cruzou, em 2020, na capital, chegou ao projeto. “Ambos viajámos muito e experimentámos comida incrível de todo o mundo. Os nossos papéis são muito complementares. Enquanto eu sou um sonhador com uma formação bem-sucedida em tecnologia e marketing, o Wim tem competências analíticas, financeiras e operacionais espantosas”.

O conceito em si, diz Shadi, “não é nada de novo. As pessoas sempre cozinharam para os seus amigos, vizinhos e família. Só não havia uma plataforma para ligar pessoas que gostam de cozinhar com pessoas que gostam de comer”.

“Ao familiarizar-me com a ideia da MamaFood, quase parecia uma loucura que ninguém tivesse feito algo assim antes. É a adição mais natural possível à economia da partilha; o teu vizinho cozinha para ti e ganha algum dinheiro a fazê-lo. Acreditamos que esta ideia muito simples irá revolucionar a indústria alimentar e mudar a forma como nos ligamos aos alimentos”, completa Wim.

Este destaca, igualmente, a forte missão social que compõe o ADN da empresa. “Não só fornecemos melhor comida às pessoas, como damos aos cozinheiros domésticos a oportunidade de ganharem a vida com a sua paixão. É verdadeiramente enternecedor ver isto acontecer e pensar em fazê-lo a uma escala global”.

O belga faz ainda uma proposta: “Desafio as pessoas a olhar mais de perto para o que estão a comer todos os dias. A nossa ligação com a alimentação é uma das mais importantes nas nossas vidas. Como seria espantoso se pudéssemos consumir alimentos mais autênticos, apoiar os nossos vizinhos e celebrar a diversidade, tudo ao mesmo tempo. É disso que se trata a MamaFood”.

Para Shadi, o que torna o projeto mesmo especial é o facto de, mais do que deliciosa, a comida em causa ser autêntica. “Temos alguns pratos típicos, que são impossíveis de encontrar em qualquer outro lado. Por exemplo, um dos nossos cozinheiros está a fazer um Boeuf Bourguignon [receita típica de França, que consiste em carne de vaca guisada em vinho tinto, com vegetais e condimentos] que sabe quase tão bem como o da minha mãe. Desafio quem quiser a encontrar tal prato em qualquer lugar de Lisboa, que não seja a casa de alguém”. Proporcionar a sensação de estar a ser cuidado pelos pais é, precisamente, o objetivo que os fundadores perseguem.

Atualmente, uma centena de cozinheiros residentes na área da grande Lisboa, todos eles com formação e consequente certificação europeia para a segurança e higiene alimentar, disponibilizam os seus serviços na plataforma. Oferecem receitas com origens que vão da Ásia à América do Sul e da África aos países árabes, passando pela Europa e sem esquecer a gastronomia portuguesa. Malásia, México, Brasil, Senegal, França e Líbano são algumas das nações representadas no projeto que, para já, apenas opera em Lisboa. O plano é, em 2023, chegar a outras cidades portuguesas e a novos países.

Para que ninguém evite certos pratos ou fique desapontado com eles, a aplicação, que foi lançada oficialmente a 15 de novembro, permite selecionar os ingredientes não desejados, recorrendo a filtros. Uma funcionalidade particularmente importante para clientes que seguem alguma dieta específica, da vegetariana à halal, ou têm alergias alimentares. Oito euros é o preço médio por refeição. O valor de cada proposta é definido por quem a confeciona. Neste campo, Wim e Shadi, apenas desempenham um papel consultivo quando solicitado.

Vale lembrar que qualquer pessoa pode colaborar com a MamaFood, assim que integrado pela equipa e desde que assine as respetivas diretrizes a seguir. Os interessados precisam, igualmente, de ter um certificado de segurança e higiene alimentar da União Europeia. “A nossa equipa testa então os alimentos de cada cozinheiro e visita as suas cozinhas. Se tudo for aprovado, estão prontos para vender as suas refeições”, explica a dupla de amigos.

Carregue na galeria para ficar a conhecer alguns dos cozinheiros envolvidos na iniciativa, bem como as receitas que têm à sua espera.

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