Há quem vá a Belém para comer um pastel de nata, outros para ver o rio, mas por estes dias, há quem vá só para descobrir um prato japonês poucas vezes recriado por cá, o okonomiyaki. Mas este não é um okonomiyaki tradicional, ao estilo de Osaka. É a versão feita pelos locais em Hiroshima, que troca a mistura dos ingredientes por uma receita onde tudo é feito em camadas, para realçar a textura.
Esta panqueca japonesa é cozinhada dentro de uma food truck estacionada no pequeno parque ao lado do McDonald’s. Chama-se Maruoko e começou a funcionar este domingo, 23 de novembro. Já é “tão popular que houve quem conduzisse 40 quilómetros só para o provar” e acabasse por não conseguir porque os ingredientes esgotaram antes do tempo.
Atrás do balcão está Hiroki Marumoto, japonês de 37 anos, que nasceu precisamente em Hiroshima. Engenheiro eletrónico de profissão, trabalhava com certificação de produtos, até que começou a temer que a Inteligência Artificial lhe tirasse o emprego. Antecipou-se, demitiu-se e trocou os gadgets pelos tachos. “Aos fins de semana comecei a organizar festas em casa e cozinhava pratos japoneses para os meus amigos estrangeiros”, recorda. O mais popular era, sem sombra de dúvidas, o okonomiyaki ao estilo da tua terra natal.
Entre planos para mudar de País, começou a imaginar que dar a provar esta panqueca aos outros podia ser um negócio em sim mesmo. Primeiro tentou conseguir visto para a Nova Zelândia, sem sucesso. Começou então a procurar outro destino onde pudesse abrir o seu projeto e Portugal apareceu quase naturalmente: queria bom tempo, segurança e um país onde as pessoas valorizassem comida. “Portugal tem isso tudo e as pessoas são muito mais simpáticas do que no Japão”, brinca.
Chegou há nove meses, em março, apesar de já ter visitado Lisboa duas vezes antes de se mudar. E foi nessas visitas que sentiu que, no que toca à cozinha japonesa, a oferta estava sobretudo reduzida a duas categorias. “Senti que só encontrava sushi e ramen, que poucas pessoas conheciam outros pratos.”

“Sem dinheiro para abrir um restaurante”, decidiu que era um bom projeto para instalar numa food truck, depois de passar precisamente pela zona de Belém. Assim nasceu a Maruoko. O nome junta Maru, o diminutivo pelo qual todos o conhecem, com o oko de okonomiyaki.
Mas afinal, o que distingue esta versão da panqueca? O de Osaka, o mais famoso, “é mais parecido com uma panqueca achatada”. “O estilo de Hiroshima é único”, isto porque “os ingredientes não se misturam”, mas são dispostos em camadas. “É mais como um hambúrguer”, nota.
Esta versão é feita com flocos de bonito, couve, rebentos de soja, pedaços de tempura crocantes, carne de porco, noodles e ovo. No final, é coberta com um molho de soja adocicada. É a única opção da carta do Maruoko, servido na versão tradicional (€12,50 ou €8 em tamanho pequeno) e vegetariana (€11,50 ou €7 em tamanho pequeno). Depois, pode optar por mais toppings como queijo (€2,00), cebolinho (€1,50), carne extra (€1,50) ou massa extra (€2,00). Há ainda duas sobremesas, o sorvete de matcha (€2,50) e o mochi doce de matcha (€1,50) , para acompanhar uma cerveja paponesa Kirin (€3,50) ou sakê (€13,00).
O feedback tem sido bom, mas assume alguma dificuldade em responder a todos os pedidos. Por isso, pede aos clientes que entrem em contacto consigo e avisem que vão passar por lá. “Quero encorajar toda a gente a avisar que virão duas ou três pessoas, e eu garanto que os ingredientes chegam para fazer okonomiyakis para todos.”

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