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Restaurantes

Membros do movimento a Pão e Água vão entrar em greve de fome à frente da Assembleia

A partir desta sexta-feira, vão instalar-se em tendas em São Bento como forma de protesto à falta de medidas de ajuda.
Imagem de 25 de novembro.

Depois de uma manifestação aparatosa liderada, entre outros, por Ljubomir Stanisic em frente da Assembleia da República, em Lisboa, que aconteceu ao longo da tarde de quarta-feira, 25 de novembro, o movimento Sobreviver a Pão e Água foi recebido pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esta sexta-feira, 27.

Poucas horas depois, anunciaram que alguns membros do movimento — entre eles o chef jugoslavo — vão fazer greve de fome acampados em tendas em São Bento “por tempo indeterminado”. “Viemos de Belém com uma ‘mão cheia de nada’. Como prometido, regressamos agora a São Bento para pernoitar e cumprir durante um período indeterminado ‘greve de fome'”, pode ler-se numa publicação de Instagram na conta privada de Carlos Saraiva, um dos líderes do grupo.

A audiência com o presidente aconteceu na sequência de um pedido enviado pelo movimento a 16 de novembro, que tinha sido também endereçado ao primeiro-ministro, António Costa, e ao ministro do Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira. 

“Dos três pedidos enviados, apenas o email dirigido ao Gabinete da Presidência obteve resposta”, indicam os responsáveis, acrescentando que, durante a audiência, solicitaram ao Presidente para que este “interceda urgentemente a favor do setor” junto da Assembleia da República e solicite uma intervenção do Parlamento.

No entanto, numa altura em que ainda não receberam respostas concretas e imediatas aos pedidos apresentados, “e considerando a urgência de medidas que apoiem um setor que já há nove meses se encontra em agonia e que, agora, com as novas restrições, entra numa fase ainda mais dramática”, continuam, “o movimento não tem outra opção senão a de prosseguir esta luta.”

Assim, os responsáveis anunciaram que a partir desta sexta-feira, 27 de novembro, alguns membros vão instalar-se em tendas em frente à Assembleia da República, onde estarão em greve de fome como forma de protesto e “em solidariedade por todos aqueles que, neste momento, não têm já o que comer”.

“Pelos 43 por cento de nós, empresas de restauração e similares, que ponderam avançar para a insolvência. Pelos 19 por cento de nós, empresas de alojamento turístico, que ponderam fechar as portas. Pelos que ficaram pelo caminho. Pelos mais de 49 mil empregos perdidos no setor da restauração e hotelaria durante o terceiro trimestre de 2020. Por todos os que perderão o emprego, o sustento, a comida na mesa, se as ajudas não chegarem já”, declaram, concluindo: “Não desistiremos. Criamos, logo resistimos.”

O movimento Sobreviver a Pão e Água integra entre os seus membros donos de restaurantes, bares, discotecas, músicos, atores, organizadores de eventos, fornecedores, produtores e outros profissionais que exigem apoios financeiros do Estado para compensar os prejuízos das suas atividades durante a pandemia de Covid-19, em grande parte provocados pelas medidas austeras que afetaram o setor da restauração.

Leia também o artigo da NiT sobre a manifestação desta quarta-feira, onde acompanhámos Ljubomir Stanisic — um dos membros mais expressivos do movimento —, que afixou dezenas de cartazes e ajudou a organizar o aparato.

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