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Mezcaleria La Cenaduria Nice: o novo mexicano de Lisboa não tem sombreros nem caveiras

O espaço que acabou de abrir no Bairro Alto quer provar que a cozinha do México vai muito além de nachos, tacos ou burritos.
Uma viagem aos sabores mexicanos.

Tal como a tequila, o mezcal é feito a partir do agave, um tipo de cato típico do continente americano. Só que, ao contrário da primeira, que usa especificamente o agave azul, o mezcal pode ser feito com qualquer variedade. Tal como ele, também no novo restaurante da capital o leque gastronómico é variado, não se limitando aos nachos.

Na Mezcaleria La Cenaduria Nice não há sombreros, imagens de Frida Kahlo, nem caveiras ou referências ao Dia de Los Muertos. A decoração é colorida, sim, mas minimalista. E tudo porque Paulina Gallardo, de 33 anos, diz não querer clichés no seu espaço. “Não são essas as características daquilo que queremos ensinar”, confessa à NiT.

Corria o ano de 2019 quando os caminhos da mexicana foram alterados. Chegou a Portugal como ponto de passagem. No final, o destino seria Londres, onde ficaria a viver, mas a pandemia alterou-lhe os planos. Por cá ficou e abriu a Casa Mexicana, uma loja que se tornou a primeira importadora de comida mexicana. “Apercebemo-nos da quantidade de pessoas que procuravam os nossos produtos e abrimos o negócio — primeiro em Lisboa e depois no Porto”.

Dois anos depois, inauguraram um espaço único em Lisboa. “Os clientes perguntavam-nos muitas vezes onde podiam comer e nós recomendávamos aqueles que conhecíamos, mas a verdade é que em Lisboa (e fora do México, no geral), a oferta é sempre a mesma: tacos, burritos, nachos e churros. E o México é muito mais do que isso”, explica-nos.

A partir de 15 de outubro passou, então, a existir uma mezcaleria no Bairro Alto que dá a conhecer toda a diversidade da cozinha mexicana. Pequeno, mas acolhedor, foi pensado para fazer brilhar os produtos. “O nosso restaurante percorre diferentes regiões do México, sem pretensões, de braços abertos e coração feliz. Ricos, pobres, bons, apaixonados, desencantados, todos encontram conforto na comida caseira dentro destas quatro paredes”, garante a proprietária.

O menu (25€ a 40€), criado em conjunto com o chef Miguel Santiago (também ele mexicano), é temático e vai mudando, consoante a disponibilidades dos ingredientes que chegam de fornecedores mexicanos na Europa. “É composto por quatro a seis pratos e viajam por diferentes partes do México”. Para a temporada do Dia de los Muertos, por exemplo, inspiraram-se nos sabores da comida de Oaxaca.

Até 10 de dezembro, está disponível um menu “descomprometido e com comida de rua” pensado para o Mundial de futebol (26€). Inclui várias entradas como os chicharrones (um espécie de torresmos); uma barra com tacos de tripas, tacos de carne assada e tacos de berinjela, acompanhados de diversas salsas, ou molhos, uns mais picantes do que outros; e raspados callejeros: uma sobremesa típica de gelo raspado.

Logo a seguir, entrará em cena o de Natal, com propostas tipicamente mexicanas para esta quadra, como o mole, o tamale (que estará disponível em quatro sabores diferentes) ou o famoso pozole mexicano, “uma sopa incrivelmente boa” feita com milho branco. Também esta terá três versões: uma vermelha de porco, a verde de frango e uma vegetariana. Sim, porque nesta casa “há sempre espaço para os amigos vegetarianos ou veganos”. O rompope, uma espécie de eggnog, está garantido.

Com um nome com origem nas tabernas e na bebida, só poderia ser um lugar com muito mezcal e cervejas mexicanas. O primeiro é para beber “a besos”, isto é, aos golinhos, mas aqui não faltam outras opções, incluindo a horchata, uma bebida feita à base de leite de arroz, e cocktails.

As sugestões — preparadas numa cozinha aberta — são experimentadas numa mesa comum, com espaço para 30 pessoas. Mas, como tudo neste restaurante, a ideia não é fixa e, quando aparecem grupos, podem separar os lugares.

Para quem aqui entra, a única certeza é a de que será surpreendido. Afinal, é mesmo esta a ideia da sua fundadora. Aqui as degustações vêm com todas as coisas típicas de mezcal e “se tiver força, vai ter de provar os chapules”, uns gafanhotos que são comumente consumidos em certas áreas do México.

Por enquanto, o restaurante funciona apenas ao jantar, mas já há planos para o futuro. Pensados estão também vários menus e Paulina não afirma estar muito animada por poder partilhá-los com os clientes.

Carregue na galeria para espreitar o Mezcaleria La Cenaduria Nice que estreia esta terça-feira o menu de Natal.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Luz Soriano 44
    1200-247  Lisboa
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a sábado das 19h à 00h
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Mexicana

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