O nome gera curiosidade, mas é a comida que faz os clientes voltar. Na Taberna dos Cabrões, em São Francisco, Alcochete, o humor serve de entrada mas as iscas é que são a verdadeira estrela da casa. O espaço tem mais de sete décadas de história, mas foi em 2002 que Serafim Tavares, hoje com 70 anos, acabou por mudar completamente o rumo da taberna. Na altura, trabalhava como motorista de pesados e apenas deu uma ajuda temporária depois de um problema de saúde.
“A taberna já existia e eu fui para lá vender uns copos de vinho. Começámos por servir alguns petiscos, depois apareceram os almoços e, sem dar por isso, fiquei por cá”, conta à NiT.
O nome nasceu ainda antes da chegada de Serafim e continua a ser um dos maiores motivos de curiosidade entre quem passa pela porta. “Havia um cliente que estava sempre a pagar copos aos amigos. Quando lhe pediam mais um, dizia que só pagava aos cabrões. Um dia acabou por pagar vários copos de seguida e a brincadeira ficou. Quando foi preciso dar um nome à taberna, ninguém teve dúvidas”, recorda.
No Alentejo e nesta zona do País, explica, a palavra nunca teve uma conotação ofensiva. Pelo contrário, sempre foi usada entre amigos. Essa irreverência continua bem presente na decoração. As paredes estão cobertas por dezenas de cornos oferecidos pelos clientes ao longo dos anos, acompanhados por frases bem-humoradas.
“As pessoas continuam a aparecer com cornos para oferecer. Ainda hoje um cliente trouxe mais um par. Eu costumo dizer que passo a vida a oferecer cornos porque já tenho muitos, mas acho que toda a gente já deve estar servida”, brinca entre risos.

Apesar da fama do nome, Serafim garante que quem regressa fá-lo sobretudo pela comida. “Não é só pela brincadeira. As pessoas voltam porque encontram qualidade. Há clientes que fazem dezenas de quilómetros só para comer as nossas iscas”.
O prato mais famoso da casa são precisamente as Iscas Fritas à Cabrão (11€), preparadas com fígado cortado muito fino e temperado várias horas antes de ir para a frigideira. Também fazem sucesso o Rim Grelhado (11€) e o Bife à Cabrão (15,50€), um dos clássicos da casa. Mas a carta vai mudando consoante a época e a disponibilidade dos produtos.
Entre as especialidades encontram-se ainda os choquinhos à algarvia (18€), as costeletas de borrego (18,50€), a caldeirada de raia (18,50€), bem como pratos como febras (12€), lagartos de porco preto (13€), maminha (13€), bife grelhado (13,50€), costeleta de novilho (14,50€) e picanha (16€). Tudo assenta na mesma filosofia: trabalhar produto fresco e respeitar as receitas tradicionais.
Tudo assenta na mesma filosofia: trabalhar produto fresco e respeitar as receitas tradicionais. “Grande parte do que sei aprendi sozinho. Nunca trabalhei numa cozinha profissional. Sempre gostei de cozinhar e fui aprendendo com as pessoas e com os produtos”, conta Serafim.
Esse cuidado nota-se na escolha dos ingredientes. “Damos muito valor à qualidade. Compramos o melhor que conseguimos encontrar e, quando aparece alguma iguaria diferente, gostamos de a trazer para a casa.”
A fama da taberna já ultrapassou há muito as fronteiras de Alcochete. Há clientes que chegam de vários pontos do País e até da vizinha Espanha. Segundo Serafim, é frequente receber mensagens de pessoas de Badajoz para reservar mesa ao sábado antes de fazerem a viagem.
Ao almoço, o restaurante costuma encher rapidamente, sobretudo aos fins de semana. Entre paredes cobertas de cornos, muitas gargalhadas e pratos tradicionais, a Taberna dos Cabrões continua a provar que, por detrás de um dos nomes mais improváveis da restauração portuguesa, existe uma tasca onde o humor e a cozinha caminham lado a lado.
Carregue na galeria para conhecer algumas fotografias do espaço, bem como dos pratos de comida.







