Restaurantes

Na tasca do Tretas, em Lisboa, ainda se come cozido, cabidela e pernil por 9,50€

A alcunha de infância do proprietário acabou por dar nome a este negócio familiar que está aberto há mais de 20 anos.

Se Aníbal Monteiro disser que tem uma história para contar, talvez seja melhor não acreditar em tudo. Afinal, foi por contar demasiadas histórias — e algumas nem sempre totalmente verdadeiras — que ganhou, ainda em criança, uma alcunha que acabaria por dar nome à tasca da família: Tretas.

“Devia ter uns 10 ou 12 anos quando começaram a chamar-me Tretas. Eu contava muitas histórias na escola e os meus colegas começaram com a brincadeira. O nome ficou para sempre”, conta à NiT Aníbal Monteiro, de 67 anos.

Décadas depois, a alcunha aparece na fachada da Tasca do Tretas, perto da Alameda, em Lisboa. O restaurante funciona desde 2014 ,na Rua Carlos Mardel, mas a história do negócio começou dez anos antes, numa pequena tasca na Rua João Rosa, na Penha de França.

Natural de Vieira do Minho, no distrito de Braga, Aníbal passou mais de cinco décadas ligado à restauração. Durante cerca de 45 anos trabalhou na zona da Avenida Guerra Junqueiro, incluindo na antiga pastelaria Copacabana, onde muitos clientes já o conheciam simplesmente como Tretas.

Foi depois de tantos anos a trabalhar por conta de outros que começou a pensar que talvez estivesse na altura de arriscar lançar um projeto sozinho.

“Trabalhei mais de 50 anos neste ramo e chegou uma altura em que abri os olhos. Pensei que, se trabalhava tanto para os outros, também podia trabalhar para mim e ganhar mais alguma coisa. Foi aí que resolvemos abrir a nossa tasca”, recorda.

A primeira Tasca do Tretas abriu em 2004, na Rua João Rosa, número 21. O espaço era pequeno e Aníbal começou por trabalhar com a mulher, Maria Monteiro, hoje com 64 anos. Ela assumiu a cozinha na altura e, ainda hoje, continua a ser responsável por grande parte dos pratos que chegam às mesas.

“A minha mulher veio trabalhar comigo e ficou na cozinha. Sempre fizemos comida portuguesa, daquela que as pessoas conhecem e gostam de comer em casa”, explica.

Dez anos depois, em 2014, a família mudou-se para um espaço maior na Rua Carlos Mardel, onde a tasca existe atualmente. Pelo meio, houve uma passagem de testemunho na gestão para o filho do casal, Pedro Ricardo Monteiro, de 36 anos.

O conceito, porém, pouco mudou. Continua a ser uma tasca de bairro, sem grandes formalidades, onde os pratos tradicionais portugueses são o centro das atenções — os clientes regressam regularmente.

“Temos clientes espetaculares e há de tudo. Muitos já nos conhecem há vários anos e continuam a vir cá comer”, diz, com orgulho, Aníbal.

Cozido, cabidela e pernil por 9,50€

A ementa vai mudando ao longo da semana. Ainda assim, há dias específicos para algumas das sugestões mais tradicionais da casa. Os pratos do dia custam 9,50€ e, segundo Aníbal, algumas doses são suficientemente generosas para serem partilhadas.

À segunda-feira, a cozinha prepara feijoada à transmontana e dobrada com feijão branco. A ligação ao Minho está presente nas receitas e no tipo de cozinha que Aníbal e Maria Teresa trouxeram para Lisboa.

À terça-feira há favas com entrecosto e jardineira de vitela. A quarta-feira é dedicada a dois clássicos: cozido à portuguesa e coelho à caçador.

Na quinta-feira chega um dos pratos mais procurados da casa, o pernil assado no forno. À sexta-feira, a semana termina com arroz de cabidela e piano no forno.

São receitas que ajudam a explicar o perfil da Tasca do Tretas: comida portuguesa simples, doses generosas e uma rotação semanal que faz com que muitos clientes escolham o dia da visita em função do prato.

O ambiente acompanha a comida. O espaço mantém o espírito das antigas tascas lisboetas, com balcão junto à entrada, salas pequenas e uma decoração sem grandes preocupações de modernização. Há garrafas de vinho, referências ao Benfica e clientes habituais que aparecem para almoçar ou simplesmente beber um copo.

“Sou adepto do Benfica desde que nasci. É uma grande paixão e, por isso, tinha de estar presente no restaurante”, conta Aníbal. 

A popularidade também se reflete nas avaliações online. No Google, a Tasca do Tretas apresenta uma classificação de 4,6 estrelas em cinco, baseada em 142 avaliações.

Carregue na galeria para conhecer a Tasca do Tretas e alguns dos pratos tradicionais servidos nesta casa lisboeta.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Carlos Mardel 115A
    1900-015  Lisboa
  • HORÁRIO
  • De segunda-feira a domingo das 7h às 20h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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