Restaurantes

No novo Ciclo da Mouraria reinventam-se pratos portugueses “sem insultar a tradição”

Se aprecia champanhe francês, é no espaço de Cláudia e João que deve reservar mesa. O casal orgulha-se dos rótulos exclusivos.
Um dos pratos destacados.

José Neves e Cláudia Silva, ambos de 33 anos, são apaixonados por cozinha “desde sempre”. Ele é chefe, ela gestora hoteleira. Há sete anos rumaram a França e instalaram-se em Paris. Queriam construir carreiras internacionais e juntar dinheiro. O objetivo era regressarem a Portugal para abrirem um restaurante peculiar e (muito) dinâmico. A vida trocou-lhes as voltas e com o nascimento da pequena Alice, em 2022, anteciparam o regresso. Resultado: o Ciclo acabou por “nasceu mais cedo” que o previsto.

“Nos últimos dois anos vivíamos numa aldeia na região de Champagne, com poucos habitantes. A zona, muito rural, era um paraíso para quem queria fugir da multidão. Porém, para um casal com uma bebé e sem qualquer rede familiar de suporte tudo era mais complicado. Aguentámos um ano para fecharmos os projetos em que estávamos envolvidos e regressamos a Carcavelos em julho de 2023”, contam à NiT.

O casal trouxe um plano na bagagem. O Ciclo já estava estruturado e muito bem definido no papel. Só faltava o espaço para o concretizar. Por coincidência, ou acaso do destino (como gostam de brincar) encontraram o local ideal num pequeno escritório na Mouraria que pertencia a dois irmãos franceses. Estruturalmente não estava preparado para receber um restaurante, porém, tanto José como Cláudia sentiram que “tinha de ser ali”.

As obras demoraram cerca de seis meses, e o Ciclo foi inaugurado a 2 de fevereiro. “Valeu a pena”, dizem. A decoração minimalista teve a curadoria da arquiteta de interiores Paula Moura, mãe de José, o que tornou todo o projeto “mais especial”.

Tal como o nome indica, “ali é tudo feito de ciclos”. “O restaurante representa aquilo que somos como pessoas e profissionais. Foi tudo pensado para responder ao ciclo natural das coisas.” Seguindo esta lógica, o menu só podia ser sazonal — e muda a cada quinta-feira.

“Usamos os ingredientes no seu expoente máximo, para garantir o melhor sabor. Por isso, a carta é dinâmica”, explica José Neves, responsável pela cozinha. Nesta terceira semana de fevereiro, por exemplo, há brócolos na brasa (8€) com óleo de pinheiro e uma harrisa de alho negro e puré de abóbora butternut (7€) com milho frito e rayu.

Apesar da rotatividade, um dos pratos que se mantém na carta é um dos mais pedidos: a couve-flor na brasa (8€) com molho de frango assado e pele de galinha. “Fizemos uma reinterpretação do popular frango recheado com limão e criámos um prato diferente, mas com os mesmos sabores”, explicam.

Esta é apenas uma das invenções de José, que adora “brincar com a cozinha portuguesa e modernizá-la, mas sem insultar a tradição”. O chef gosta também de descobrir novos ingredientes e criar os próprios molhos. “Um bocadinho o que aconteceu com o sarrajão (9€) com piso de alho fresco e coentros, servido com arroz tufado com garum; e com o lombo de porco preto alentejano servido com molho de beterraba e acelgas (24€).”

Além dos pratos pedidos à carta, também pode optar pelo menu de degustação com seis momentos distintos (55€).

Como um doce nunca pode faltar — nem nas listas mais dinâmicas —, a sobremesa do momento é ganache de chocolate com crumble de amendoim e maçã (8€). Se for mais de salgados, pode sempre terminar a refeição com uma seleção de queijos franceses (7€).

Outro dos fatores distintivos do Ciclo, sublinham José e Cláudia, esconde-se na carta das bebidas. “Vivemos cerca de dois anos em Côte des Bar, uma região vitivinícola, e decidimos trazer o melhor que lá se fazia: champanhe”, revelam. Aproveitaram alguns contactos e conseguiram trazer vinhos exclusivos para o restaurante na Mouraria. “Há marcas que, em Portugal, só se encontram aqui”, dizem orgulhosos.

O Ciclo recebe apenas 20 pessoas em simultâneo, sendo aconselhado fazer reserva. O restaurante está aberto de quinta a sábado das 19 horas à meia-noite e domingos do meio-dia às 16 horas. “Esta logística permite-nos fazer as coisas com calma”, explicam.

Carregue na galeria para ver mais imagens do novo espaço de restauração na Mouraria, em Lisboa.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Largo das Olarias 42
    1100-376 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Quinta a sábado das 19h às 00h
  • Domingo das 12h às 16h
PREÇO MÉDIO
Entre 30€ e 50€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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