Restaurantes

No novo Picadero pode comer à mesa ou ao balcão como nas antigas cervejarias

Fica na Praça das Flores, em Lisboa, e marca o regresso do chef Pedro Quintas à liderança de um restaurante.
Não faltam opções portuguesas.

“Estava sem pedalada para o ritmo de um restaurante com estrela Michelin, precisava de abrandar”, começa por contar Pedro Quintas à NiT. O chef de 46 anos integrou equipas de vários espaços reconhecidos pelo famoso guia, mas decidiu “mudar de vida”. Naquelas cozinhas não há espaço para erros, tempos mortos ou falta de rigor. “É uma loucura, mas incrível”.

Após uma temporada em São Tomé e Príncipe, o cozinheiro regressou a Portugal em 2019, decidido a desacelerar. Tirou tempo para si e descansou. Porém, é demasiado apaixonado pelo que faz para ficar muito tempo parado.

Durante a pandemia, período em que esteve dedicado a outros projetos, Pedro Quintas encontrou finalmente equilíbrio e começou a pensar novamente em voltar para as cozinhas — onde é realmente feliz.  No Picadero, que abriu oficialmente a 3 de janeiro, o chef reinterpreta os clássicos da gastronomia portuguesa recorrendo a “técnicas sofisticadas”. “É quase o culminar de tudo o que aprendi ao longo destes anos de carreira”, refere.

Nascido e criado na Costa da Caparica, quando tinha 15 anos deixou a escola para trabalhar na marisqueira de sucesso do pai — uma das maiores referências daquela zona. Durante o verão, era enviado para o Alentejo para ajudar o avô noutro restaurante e fugir “dos perigos da cidade”.

“Esta forma de educação ajudou-me a perceber que se queria alguma coisa tinha de trabalhar por ela. Os meus pais davam-me tudo, mas tinha de provar que o merecia.”

Na realidade, a paixão pela área nasceu na pequena cozinha da taberna do avô materno, o Mulenheta, em Santiago do Cacém. Mais tarde, o interesse pelo ramo estendeu-se à gestão quando assumiu o negócio da família, logo após a morte do pai. Empreendedor e ambicioso, tentou vingar no mundo da restauração como empresário. Porém, as coisas não correram como esperava.

“Sabia que tinha o know how de como gerir um espaço, mas não tinha o conhecimento de cozinha, então fui estudar.”

Em 2009, inscreveu-se na escola Le Cordon Blue, em Londres. Quando regressou a Portugal, dois anos, trabalhou no Vila Joya e passou pelo Sea Me e Bistro 4, no hotel Porto Bay Liberdade, no Porto. Mais tarde, em 2016, seguiu para o Têzero, um restaurante de hambúrgueres que abriu em 2016 na Avenida de Roma, em Lisboa. Nesse mesmo ano integrou um projeto de cozinha no segmento da aviação privada e um par de anos depois recebeu uma proposta para rumar a São Tomé e Príncipe para liderar as cozinhas do grupo hoteleiro HBD.

Cansado de andar “de um lado para o outro”, em prol da carreira, em 2019 decidiu finalmente assentar. “Regressei do continente africano com uma sensibilidade diferente. A experiência foi muito desafiante e enriquecedora.”

Foi precisamente neste cenário que surgiu a proposta dos investidores do Picadero. “O projeto era muito interessante, tinha potencial e permitia-me fazer o que mais gosto, sem o ritmo alucinante de um restaurante nomeado no guia Michelin”, explica à NiT.

Ao balcão ou à mesa

O restaurante tem um conceito gastronómico diferente, em que o chef voltou a cozinhar de forma “descomplicada, despretensiosa, mas com muita técnica”. “Tem um cunho meu, mas é uma linha criada por toda a equipa”. O menu, embora curto, inclui “uma série de pratos clássicos adorados pelos clientes”. A salada de lagosta (29€), um prato feito com as técnicas que Pedro desenvolveu nos diferentes restaurantes pelos quais passou, é um dos melhores exemplos.

Se quiser iniciar a refeição com um momento de degustação, o chef recomenda as ostras (4€ cada). “Para os fãs deste molusco soa estranho, por ser cozinhada, porém, acabam sempre por dizer que ficaram agradavelmente surpreendidos.” O bife tártaro (18€) é outra das propostas do cozinheiro. “Nunca falha”.

O peixe do dia (26,80€) é sempre grelhado e servido sem espinhas; já o robalo à Bolhão (29€), com molho e puré de batata-doce, “é consensual e enquadra-se na tradição da cozinha portuguesa”.

No que toca às carnes, por aqui cozinham-se peças importadas do Uruguai, mas objetivo é, no próximo menu, introduzir cortes de raças autóctones portuguesas.

Após algumas semanas de avaliação em soft opening, Pedro Quintas concluiu que deveria criar também um “menu de balcão”. “Temos o conceito de bar, com cocktails de autor, mas ninguém quer beber sem ter petiscos consistentes a acompanhar. Uma das sugestões que criámos é o carpaccio de polvo, uma interpretação da típica salada desde molusco.”

A lista de opções inclui também alface manteiga (10,30€), servida inteira; prego (10,50€) em pão de água, cozido em forno a lenha na Costa da Caparica e pica-pau com molho Picadero com um toque de baunilha.

O balcão pode acomodar 12 clientes e na sala há espaço para outros 75. O restaurante esteve em soft opening de meados de setembro de 2023 até ao Natal. Após um breve período encerrados para fazerem as alterações e corrigir os erros detetados, reabriu “com a força toda”, no início de janeiro.

Atualmente, o restaurante só serve jantares. O que é o horário ideal para o chef poder conciliar a vida profissional com os hábitos de bem-estar, “como ir ao ginásio para se inspirar”. Contudo, o modo de funcionamento do Picadero pode mudar na primavera, com a abertura da esplanada (prevista para o largo situado uma rua acima).

Carregue na galeria para ver mais imagens do novo espaço liderado pelo chef Pedro Quintas na Praça das Flores, em Lisboa.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Praça das Flores 44
    1200-192  Lisboa
  • HORÁRIO
  • Terça a sábado das 18h às 1h
PREÇO MÉDIO
Mais de 50€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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