Restaurantes

No novo restaurante de Lisboa, os clientes comem dentro de um teatro vivo

No Palácio do Grilo, a gastronomia e os espetáculos artísticos acontecem em simultâneo. Não existe outra experiência igual na cidade.
Continua original.

Não é apenas um jantar, mas também não é apenas uma performance. No fundo, quem chega ao Palácio do Grilo, no Beato, em Lisboa, vai ter a oportunidade de jantar ou beber um copo ao mesmo tempo que vive uma experiência única, “num lugar singular, diferente de qualquer outro espaço”.

Quem o diz à NiT é Julien Labrousse, um arquiteto de 45 anos que se mudou de Paris para Lisboa para recuperar a antiga casa dos Duques de Lafões. Ao entrar no palácio com vista para o Tejo, dificilmente nos apercebemos de que aquele salão foi, em tempos, um picadeiro com chão de terra batida. Hoje, os cavalos passaram à história e passou a pisar-se um soalho de madeira maciça, de eucalipto.

A casa tem 350 anos mas “foi preciso apenas uma pequena reabilitação” para transformá-la no palácio-museu-restaurante-bar-teatro-performativo que o dono original sempre quis. Sim, porque quando comprou o Palácio do Grilo, em 2020, Julien Labrousse descobriu um caderno do século XVIII escrito pelo primeiro proprietário, o 1.º Duque de Lafões. Lá revelava que queria precisamente isso: que no palácio cada um pudesse ser tudo o que quisesse.

Antiga propriedade dos Duques de Lafões, a casa nasceu após o terramoto de Lisboa em 1755. Amante de arquitetura, o francês, que conheceu Portugal por um investimento que tem há cinco anos no Cabo Espichel — um eco hotel de arquitetura japonesa — foi contactado pelo antigo dono. “Ele sabia que eu estava ligado a projetos culturais em França e pensou que seria uma boa aposta”. Depois de uma profunda investigação sobre a história do Palácio, e de um investimento de sete milhões de euros, Labrousse decidiu, então, juntar outro projeto ao seu portefólio.

A 24 de junho, depois de dois anos “numa situação financeiramente complicada”, abriu as portas do Palácio “para receber quem o queira visitar”. São mais de 200 divisões por conhecer entre as 11 horas e a meia-noite. A entrada é gratuita. Por lá há quem salte, quem grite, ou quem se deite no chão. Uns riem, outros tocam corneta, mas todos parecem estar noutra dimensão e noutro tempo. A música que se ouve “é do mundo”.

“O Palácio do Grilo é um restaurante no meio de um teatro vivo, onde cada membro da equipa é um ator ou intérprete, pronto a surpreendê-lo”. Todos os dias — “mais intensamente à noite” — um grupo de oito artistas fazem “pequenas atuações esporádicas” e diferentes, que tornam a experiência “ainda mais especial e a vivência do sítio de uma forma particular”. É, então, “um momento artístico alegre e festivo para todos os públicos, a qualquer hora do dia, que se adequa e adapta a todos os públicos de todas as idades”.

Ao longo do dia, são servidos oito aperitivos. A Burrata & Abóbora assada, com picles de uva seca e salva estaladiça é uma opção para partilhar (12€). O Arco-íris de cenouras bebé e funcho, assados no forno, acompanhados por iogurte picante (6€), o Conté de Borgonha 36 meses (9€) e o Polpette di Bollito (8€) juntam-se à primeira opção. O Kabuli, um hummus de grão servido com folhas de figueira e pepino (7€), o Presunto Reserva 12 meses e alcaparras grandes (8€) e o Pata Negra 27 meses (12€), completam a seleção.

Ao almoço e ao jantar, acrescentam-se outras sugestões de cozinha portuguesa com inspiração francesa — “de qualidade e saudáveis”, garante-nos o empreendedor. Nas entradas, encontra a Salada de funcho e açafrão (8€), as Vieiras de curcuma (11€), o Lagostim em rum escuro (11€) ou o Histórico gaspacho ibérico romano com amêndoas (8€).

Entre os pratos principais, estão o Lombo de borrego de leite assado, confecionado de cabeça para baixo, com pistáchio paloise, tubérculos de outono assados com mel no forno e batatas, fritas em banha de ganso (21€), o Siracus peixe-espada, com passas e chutney de limão (21€), o Bourguignon, uma bochecha de vaca braseada com migalhas de pão de rábano e puré de aipo (20€), e uma proposta vegetariana: Romãs e Legumes assados, com lentilhas pretas e melaço de romã (16€).

À noite é servido um couvert artístico aos adultos (4€) e para os miúdos há o Panko frango e batatas fritas (por 8€) e a Massa com tomate (7€). Os mais gulosos não são esquecidos. Também aqui as opções são “tão extravagantes como o restante ambiente”. Entre sorbet de figo da Índia (7€), creme brulé de chocolat noir (7€) ou cheese cake picante (6€), o difícil será escolher. Nas áreas do jardim, é possível comer ou tomar uma bebida. A carta inclui apenas referências biológicas de pequenos e médios produtores, além dos sumos de fruta e dos cocktails.

Às propostas do menu à la carte  junta-se, claro, a dimensão artística. A qualquer hora do dia pode sentar-se à mesa e escolher o que quer beber ou comer enquanto assiste a “a uma vivência cultural irresistível”. Se tiver sorte, até poderá ter direito a baile ao som do piano da casa.

Se quiser almoçar ou jantar por lá, como deve imaginar, é melhor fazer reserva através do site.

Carregue na galeria para conhecer melhor este espaço super original no Beato, em Lisboa.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Palácio do Grilo, 1 Calçada do Duque de Lafões
    1950-207 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Todos os dias das 11h às 00h
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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