Depois de abrir o primeiro restaurante De Raiz, em Cacilhas, há cerca de um ano, Luis Calei decidiu dar um novo passo com a inauguração de mais uma unidade no Museu da Cidade de Almada, a 20 de dezembro. O conceito mantém-se, mas a carta mudou quase por completo. A ambição é clara: “Fomos eleitos um dos melhores pelo TheFork a nível nacional. Quando abri este, decidi que íamos fazer ainda mais.”
O gosto de Luis Calei pela gastronomia começou cedo e de forma pouco convencional. “Eu era muito rebelde. Estava sempre de castigo em casa, quando os meus irmãos podiam sair. Com isso, ficava na cozinha com a minha mãe”, recorda o chef, hoje com 35 anos.
Foi nesses momentos forçados entre tachos e panelas que nasceu a curiosidade e, mais tarde, a vontade de seguir uma carreira que, na altura, não reunia consenso. “O meu pai dizia que não era coisa de homem, mas com o tempo foi convencido”, conta, entre risos.
Nasceu em Angola e veio viver para Portugal com apenas cinco anos. Luis acabou por crescer em Almada, cidade que viria a marcar profundamente o seu percurso. Antes de se decidir pela cozinha, ainda cogitou seguir a carreira bancária, mas rapidamente percebeu que não era esse o seu caminho. Optou por estudar gastronomia, frequentou cursos e começou a construir um percurso sólido, feito de aprendizagem e experiências diversas.
A vontade de investir na área levou-o, ainda muito jovem, a bater à porta do chef José Avillez, então um ídolo conhecido apenas da televisão. “Disse-lhe que tinha as manhãs livres e que queria fazer um estágio”, lembra. A ousadia fê-lo conseguir o lugar e somou a essa experiência muitas outras, em restaurantes que vão da cozinha vegan às marisqueiras. “Aprendi com os melhores”, resume.
Com capacidade para cerca de 40 lugares no interior e outros 40 no exterior, o nome De Raiz não é casual. “Quase tudo é feito de raiz: caldos, molhos, maionese, praticamente tudo”, sublinha o chef, que aposta numa cozinha de autor cuidada e contemporânea. Para Luis, este era um conceito que fazia falta na cidade.
Entre os pratos mais pedidos estão o carré de borrego (26€), o magret de pato (20€) e o lírio dos Açores (21€), um peixe menos conhecido que desperta a curiosidade dos clientes. Nas sobremesas, a estrela é a mousse de ananás com peta zetas, ao lado do petit gâteau de caramelo salgado, da tarte de abóbora e da tarte de limão merengada, todas a 6€. O prato do dia, com bebida e café, custa 15€ e está disponível nos dias de semana, do meio-dia às 15 horas.
Instalado dentro do Museu da Cidade, o restaurante acaba por receber muitas pessoas depois das visitas culturais. E destas ocasiões, nascem histórias curiosas. “No dia em que o meu filho mais novo, de quatro anos, veio ao museu numa visita de estudo e me encontrou aqui, ficou todo contente. São esses momentos de interação que levamos da vida”, partilha.
O espaço conta com um enorme jardim, em que as famílias com crianças costumam passear. Ali, os animais também são bem-vindos. “Morei em Almada quase a vida toda. Ter o restaurante aqui é uma homenagem à cidade que me viu crescer”, diz Luis Calei. Um lugar onde cultura, memória e cozinha se encontram num regresso às origens.
Carregue na galeria para conhecer alguns dos pratos e o espaço do novo restaurante de Almada.

LET'S ROCK






