Restaurantes

No Tasco da Ilda, a meia hora de Lisboa, todos os pratos têm outro sabor e encanto

Aqui entra-se pelas histórias e volta-se pelas iguarias. É uma homenagem a várias gerações e cada detalhe foi pensado ao pormenor.
Uma ode à tradição.

Não é uma tasca, e muito menos uma taberna. É um Tasco e é da Ilda. Ou melhor, da Madalena que quis homenagear a bisavó. Ilda, costureira de profissão, vivia e costurava neste local. Teve três filhos: o João e o Ventura, que eram pescadores e a Maria do Carmo, que era varina e vendia na praça de Azambuja o peixe que os irmãos apanhavam. Ilda tinha enraizada em si a arte de espadelar o linho.

Uma técnica que levava vários meses, que foi quanto o Tasco da Ilda demorou a abrir. Madalena levou exatamente oito meses a transformar uma pequena casa na Azambuja num espaço que respeitasse os seus antepassados em relação à cultura e costumes. Casa que foi, aliás, da própria Ilda.

Além da bisavó, também a sua mãe, Fátima Regateiro, é aqui homenageada. Com um vasto percurso na área da restauração e formação de cozinha e pastelaria, Madalena Dias, de 41 anos, diz à NiT “ter aprendido tudo sobre a arte da cozinha com ela”. As receitas passadas de geração em geração são aqui oferecidas, sempre com um toque de originalidade e criatividade.

É em frente à estação de comboios, a meia hora de Lisboa, que a 23 de setembro de 2021 foi aberto um dos recentes restaurantes do Ribatejo. Quem aqui entra dificilmente não reparará na decoração característica. No Tasco da Ilda, os bancos têm forma de botão, os balcões são feitos de portas antigas que foram encontrados “por aí”, e na parede, um desenho de três mulheres representa as gerações homenageadas.

Homenagem a várias gerações.

Madalena Dias é a dona e a chef do espaço, que diz só ter sido inaugurado “com a ajuda dos amigos e da comunidade”. Aqui não se comem peças de roupa ou cobertores, mas não faltam obras de arte espalhadas e pensadas ao pormenor. Cada detalhe foi feito por mãos humanas e aproveitado para que nada fosse deitado ao lixo.

No chão, tapetes tecidos transformam a esplanada num recanto acolhedor, que só melhora com as luzes acesas ao anoitecer. A cozinha e o balcão são enfeitados com cabaças oferecidas pelos alunos da chef, e na sala de grupos, quadros de artistas locais são expostos e vendidos. “O nosso mote é trabalhar com o local, seja em alimentos, produtores ou profissionais”.

Para entrada não pode faltar o queijo de pasta mole (7€), perfeitamente equilibrado com um fio de mel e cebola caramelizada. O croquete de toiro com mostarda antiga também não fica nada atrás (3€) e há até quem diga que o choco frito com maionese de lima (10€) é ainda melhor do que aquele que se come em Setúbal.

Para os vegetarianos também existem opções, como os cogumelos na frigideira (8€) e a falsa caldeirada (10€), “que não engana em sabor”. Durante a refeição, Madalena aproveita para explicar a história dos seus pratos e falar com os clientes. Foi ela quem nos contou que aqui nada é desperdiçado. “Até as borras do café servem para fazer o café com cheirinho (5€), a sobremesa que tantos tem encantado”.

Se há prato que melhor os identifica, é o bem-me-quer, “uma adaptação do pastel feita com massa folhada, brisa do lis, merengue italiano, framboesa e manjericão fresco” (5€). A mousse do lagar também é bastante característica, não fosse ela feita com o sal patenteado pela empreendedora. Sim, porque o SalTinto criado pela chef Madalena Dias ganhou a Medalha de Ouro no VII Concurso Nacional de Condimentos da Qualifica. Para acompanhar, são escolhidos os melhores vinhos da região, que harmonizam cada sabor.

Esta não é a sua primeira experiência na área. Desde 2015 a desenvolver diferentes experiências enogastronómicas, no âmbito que une a comida e o vinho, criou em agosto de 2018 a Cook2Wine, assumindo o compromisso de “contribuir para a melhoria da sustentabilidade económica e ambiental tanto da atividade turística, como da comunidade rural, ao construir uma marca para atrair mais visitantes para a região do Ribatejo”. No futuro, promete não parar por aqui. Quem sabe, não haja nos seus horizontes um restaurante em Itália?

Carregue na galeria e descubra melhor este espaço cheio de história do Ribatejo.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Jaime da Mota 34, Azambuja
    2050-333
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a sábado das 12h às 15h e das 19h às 23h
  • Domingo das 12h às 16h
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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