Restaurantes

Nos restaurantes de Bon Jovi só paga quem pode — e o cantor até lava os pratos

Atualmente a família gere três JBJ Soul Kitchens. Um deles está inserido num campus universitário para ajudar os estudantes.
O cantor trabalha nos próprios restaurantes.

“It’s My Life”, “Living on a Prayer” dos Bon Jovi são apenas alguns dos temas que todos começam a cantar assim que passam na rádio. A voz do vocalista Francis Bongiovi (mais conhecido pelo nome artístico Jon Bon Jovi) move multidões desde os anos 1980. O que muitos não sabem é que o músico de 62 anos tem uma carreira paralela — e igualmente bem-sucedida — no mundo da restauração solidária. Quando está longe dos palcos e dos estúdios, o cantor gosta de lavar pratos e servir refeições a que mais precisa.

O músico tem estado envolvido em projetos comunitários há várias décadas. Em 2024, irá celebrar o 12.º aniversário dos seus espaços que visam ajudar pessoas menos privilegiadas. Tudo começou com a sua fundação JBJ Soul Foundation, criada em 2006 com o intuito de “combater a pobreza”.

Após participar em vários eventos e iniciativas, em 2011, decidiu lançar um projeto mais sólido e abriu o primeiro restaurante solidário JBJ Soul Kitchen no seu estado natal, em Nova Jérsia. 

Bon Jovi e a mulher, Dorothea Hurley de 61 anos, comprometeram-se a fornecer alimentos de qualidade a qualquer pessoa que precisasse de uma refeição quente, completa e nutritiva. No final da refeição, aqueles que têm possibilidade são convidados a fazer uma doação de 18€. Já quem não tem condições financeiras pode pagar a refeição com trabalho voluntário.

O cantor é “um faz tudo” no restaurante.

O sucesso foi tanto que, atualmente, já existem três restaurantes em funcionamento, em Red Bank, Toms River e em Newark. O mais recente abriu em 2020, no campus da Universidade de Rutgers, em Nova Jérsia, nos Estados Unidos, para atender às necessidades alimentares dos estudantes. Há quatro anos, a instituição decidiu atribuir ao cantor um grau académico honorário.

“Todos pensamos que estudar muito e comer noodles é uma espécie de rito de passagem universitário. Mas, e se for a única coisa que se consegue pagar?”, questionou Bon Jovi durante uma entrevista ao programa “CBS Sunday Morning”.

A ideia, realça o músico, era criar um espaço onde todos os que precisam de uma refeição quente podem ter acesso a alimentos saudáveis e nutritivos sem se preocuparem com o julgamento dos outros. Até porque “a fome não se parece com o que os olhos da mente conseguem imaginar”, completou Dorothea Hurley, a mulher e sócia do artista, durante a conversa. “Pode afetar as pessoas que se sentam ao nosso lado na igreja ou os miúdos que frequentam a escola dos nossos filhos.”

O menu dos JBJ Soul Kitchen oferece opções variadas, incluindo pratos típicos da culinária norte-americana, como sopa, saladas, camarão scampi e fajitas de cogumelos, e também propostas vegan, kosher (de acordo com as regras do judaísmo), halal (que se adequam à cultura islâmica e muçulmana) e sem glúten.

A carta muda a cada duas semanas, mantendo o objetivo de servir produtos frescos biológicos cultivados nas quintas da família e nas pequenas hortas que fazem parte das fachadas dos restaurantes. A maioria dos ingredientes é resultado também de doações de empresas, produtores ou apenas de clientes que gostam de ajudar. Para acompanhar pode escolher entre água, ou infusões e chás gelados que os clientes podem reabastecer as vezes que quiserem.

Alguns dos pratos servidos nos restaurantes solidários.

Quem passar por um dos restaurantes, poderá ter a sorte de encontrar o cantor a servir refeições ou mesmo a lavar a loiça na cozinha. Em 2020, Bon Jovi foi apanhado nesta tarefa e a foto tornou-se viral nas redes sociais. O cantor decidiu partilhar a imagem com a frase “se não podes fazer o que fazes… faz o que podes.” Esta situação acabou por inspirar a banda a lançar a música “Do What You Can”. “A única maneira de nos sentirmos bem é se fizermos bem”, remata o músico.

O cantor revelou que o projeto solidário é um reflexo do seu dia a dia, sendo uma pessoa muito ligada à família, à esposa e aos seus quatro filhos. Stephanie, a mais velha, com 31 anos; Jesse, de 29 anos; Jake, com 22 anos; e Romeo, com 20. O longo casamento de Bon Jovi com Dorothea, que conheceu na escola, que dura há mais de 40 anos, é a maior prova da sua dedicação.

Bon Jovi parece gostar do mundo da restauração. Em 2016 avançou com um negócio de vinhos, em conjunto com o Jesse. A ideia partiu do filho, mas o músico tornou-se mais do que um mero investidor.

O Hampton Water, que custa cerca de 16€, é já o vinho rosé que mais cresce nas vendas em território norte-americano. Um crescimento de 70 por cento quando comparado com o período homólogo em 2022, adianta a “Wine Enthusiast”. Tudo começou com os fins de semana de verão nos Hamptons, a zona balnear no estado de Nova Iorque conhecida por ser o refúgio das estrelas.

A leveza e a descomplicação são os pontos de venda do Hampton Water, que pretende chegar ao consumidor que não está muito preocupado com as notas de prova. Para Jesse, esse tipo de conversa é intimidante”. Pelo contrário, pai e filho optam por vender o vinho como se fosse um vinho de festa, de tardes passadas na praia ou na piscina, ao som de música. Atiram para o lado também os velhos tabus.

 

 

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