Restaurantes

A nova taberna asiática do Porto enche as mesas de ramen, baos e sushi

Depois da tasca japonesa Shiko, o novo projeto alarga os horizontes geográficos e serve tudo num ambiente acolhedor junto ao mar.
O incontornável ramen da casa (Foto: Tiago Lessa/Estúdio Cozinha)

Abocanhar um delicado bao, sorver um ramen fervilhante, lambuzar-se com um refrescante caril tailandês. A verdade é que para cada uma destas opções há um sítio onde o pode fazer no Porto. Mas ter todas estas experiências numa só refeição e sem sair da mesa, bem, isso só mesmo nesta nova casa.

O nome pode soar-lhe familiar, o logótipo também. Trata-se do novo projeto de Ruy Leão, o chef/sushiman/proprietário do Shiko, a tasca japonesa que abriu em 2015 no Bonfim.

Ao contrário do primeiro projeto, este nasce de um esforço a três: ao brasileiro de 39 anos juntam-se Renato Silva e Bruno Rodrigues, um “coletivo de chefs”, como descreve Ruy Leão. Uma casa que, como muitas, tinha um plano que teve que ser completamente repensado por culpa da pandemia.

Sem dramas mas com muita cautela, a Taberna Asiática lá abriu portas do outro lado da cidade, a poucos metros da areia, na Foz. Em soft opening desde o início de agosto, há ainda uns últimos retoques a fazer na decoração. A carta, essa já esta terminada, o que é apenas uma força de expressão, já que o objetivo passa por lhe emprestar uma alta rotatividade.

Se na tasca japonesa se come o Japão, diz o bom senso que a área geográfica desta taberna asiática seja bastante mais alargada. E claro que é: China, Tailândia, Taiwan, Japão, Coreia do Sul.

O caril amarelo tailandês (Foto: Tiago Lessa/Estúdio Cozinha)

O menino bonito da carta é claramente o ramen. Foi apenas por ele que Ruy Leão viajou até ao Japão antes de abrir o Shiko. Aperfeiçoou a receita que fez raras aparições à mesa até abrir o efémero Japo, entretanto fechado, e agora consegue finalmente dar-lhe o merecido lugar permanente numa carta. A cozinha nova também ajudou.

“Escolhi clássicos importantes e quero tratar essas receitas com o devido valor. O ramen é uma delas, é uma honra e há muito trabalho a fazer nesse prato. Servi-lo é uma responsabilidade, mas já não fico amedrontado quando vem um japonês comer o meu ramen. É algo que quero defender como um prato de marca do espaço, de bandeira, de culto”, conta à NiT.

O ramen surge na versão shoyu assente num caldo de porco (16€) e é um dos três pratos em destaque na secção Clássicos Asiáticos, que fica completa com o gua bao de barriga de porco (14€) e o caril amarelo tailandês com marisco (18€).

Pedaços de coxa de galinha embebida em soja e grelhada no carvão (Foto: Tiago Lessa/Estúdio Cozinha)

Para lá destas opções mais substanciais, está outro dos desejos concretizados de Ruy Leão e que a diminuta cozinha do Shiko impedia: os grelhados no carvão. Preparadas em cima das brasas e com o toque a fumo que se exige, há para provar a yakitori (7€) com pedaços de suculenta coxa de galinha embebida em soja, a gyu robata yaki (9€) com lombo de vaca e yasay robata yaki (6,5€) apenas com vegetais.

Fugindo aos clássicos e ao sushi, os pares perfeitos para estas espetadas chegam num trio: um crocante miolo de alface envolta num molho de amendoim (4,5€), o kimchi (6€), a famosa couve fermentada coreana, e o tomate fresco com molho ponzu (5€).

No que toca a entradas, há gyozas de porco (5€), pequenos dumplings japoneses de carne de porco e camarão com molho de pepino e gengibre (6€) e spring rolls de legumes (6,5€). Tudo a anteceder o sushi e sashimi que nesta taberna vem devidamente acomodado em bento boxes de sushi tradicional (14€), de sashimi (14€) e de salmão (15€).

A taberna escondida numa das ruelas da Foz

Propositadamente pequena, a ementa é “para rodar” e sobretudo nos pratos clássicos, de forma a dar palco a especialidades de outros países. E porque os olhos também comem, a nova taberna asiática vai dando alguns retoques finais.

No centro da decoração, uma instalação feita por um artista plástico que serve de peça central da sala, disposta em corredor largo que obriga a passar pelo balcão, uma peça feita à medida, de toque rústico e que dá ares de que ali está há anos.

Ambiente a meia-luz, perfeito para um fim de noite de pauzinhos na mão, é espaçoso e acolhedor. E a capacidade para mais de 40 pessoas está agora reduzida ao mínimo pandémico de 20. Em fase de acertos, as brasas acendem-se apenas ao jantar — com planos de retomar um horário de almoço e jantar de terça a sábado, assim que a incerteza desvanecer. Ruy Leão mantém-se confiante: no calor do carvão, na receita aperfeiçoada do ramen e na fidelidade dos clientes de sempre. “Precisamos é de andar para a frente e sair dessa nuvem negra”, afiança. Nada que uma boa taça de caldo fumegante não resolva.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua de São Bartolomeu, 20, Porto
  • HORÁRIO
  • (Horário provisório) Terça a sábado, das 19h30 às 23h
PREÇO MÉDIO
Entre 30€ e 50€
TIPO DE COMIDA
Asiática

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT