Restaurantes

Novidade em Arroios: “Não é mais um restaurante italiano. É da Sardenha”

O Mammarua abriu no início de junho. Serve pratos tradicionais da ilha italiana que raramente se encontram em Portugal.

Marco Cosu nunca pensou que acabaria a abrir um restaurante em Lisboa. Aos 20 anos, saiu da Sardenha com vontade de conhecer o mundo e passou por cidades como Londres, Marselha, Amesterdão e até pelo México. Trabalhou sobretudo em bares, foi instrutor de vela e viveu ainda na Grécia, Tailândia e Maldivas. O plano era regressar a Itália para abrir um negócio na terra onde nasceu, mas a pandemia trocou-lhe as voltas.

“Queria voltar para a Sardenha e até cheguei a abrir um projeto lá, mas a Covid-19 alterou completamente os planos. Fiquei fechado em Itália sem saber muito bem o que fazer. Foi então que falei com uma amiga que vivia em Lisboa e decidi tentar a sorte cá”, conta à NiT.

Quando chegou à capital portuguesa em 2022, prometeu a si próprio que não voltaria tão cedo à restauração. Arranjou emprego num call center, mas rapidamente percebeu que não era aquele o caminho. “Estive cerca de um ano e não gostei. Tinha muitas saudades da restauração. Entretanto fui gostando cada vez mais de Lisboa, da comida, do clima e comecei a trabalhar em alguns restaurantes, sempre com a ideia de um dia abrir o meu.”

O resultado chama-se Mammarua e abriu a 4 de junho, na Rua Saraiva de Lima, em Arroios. O nome vem de uma expressão típica da ilha italiana que significa “a tua mãe” e pretende refletir a cozinha caseira e tradicional que Marco cresceu a comer. O restaurante tem capacidade para 24 lugares no interior e 16 na esplanada.

Antes de inaugurar o espaço, aproveitou para perceber melhor como funcionava o setor em Portugal e melhorar o português. Foi durante esse período que conheceu a chef francês Louise Bourrat, com quem já tinha trabalhado no Gancho. Quando surgiu a oportunidade de ficar com o antigo espaço do Boi-Cavalo, em Arroios, os dois decidiram avançar.

“Queríamos criar um espaço mais jovem, com mais energia. Já tínhamos um plano pensado há algum tempo e, quando apareceu esta oportunidade, decidimos avançar muito depressa. Sempre foi um sonho trazer um pedaço da Sardenha para Lisboa.”

Marco Cosu e a chef Louise Bourrat na esplanada.

Apesar de existirem muitos restaurantes italianos em Lisboa, Marco acredita que a gastronomia da Sardenha continua praticamente desconhecida por cá. “Não queríamos fazer mais um restaurante italiano. A ideia sempre foi mostrar uma cozinha muito própria da Sardenha, com os produtos, os sabores e as tradições da ilha. É uma cozinha entre o mar e a terra, onde convivem o peixe, a carne, os enchidos e os queijos.”

A carta começa pelos aperitivos, onde não faltam alguns dos produtos mais emblemáticos da ilha. Há ostras do Sado (3€ cada ou 15€ meia dúzia), tábuas de enchidos e queijos sardos (12€ ou 20€), focaccia com pão carasau e ricotta de ovelha (5€) ou a pinsa com stracciatella, manjericão e bottarga, a ovas de peixe curadas muito utilizadas na Sardenha (12€).

Uma das entradas que melhor representa o conceito é o fritto misto (11€), uma fritura crocante de lula, peixe e feijão-verde acompanhada por maionese de hortelã. “É um prato muito típico da Sardenha. Também temos vários enchidos que vêm diretamente da ilha e vamos continuar a trazer mais produtos tradicionais.”

Nos pratos principais surgem algumas das especialidades menos conhecidas da cozinha sarda. Os malloreddus com ragù de salsiccia (12€), uma pequena massa típica da ilha, são um dos favoritos de Marco. “É um prato que me faz lembrar imediatamente a comida da minha avó. Tem um sabor muito especial para mim.”

Há ainda ravioli de batata com manteiga e salva (16€), fregola sarda com mexilhões em escabeche e aioli de açafrão (16€) ou pasta vongole com bottarga (17€).

Nas sobremesas, o tiramisù (6€) divide atenções com o gelato artesanal de sementes de abóbora tostadas (4€), o sorvete de morango com balsâmico e azeite (4,50€) e o affogato (3,50€).

A carta inclui ainda cocktails de inspiração italiana, como o Negroni al Tartufo (12€), o Caprese Martini (11€), o Bellitteddu (9€) ou os clássicos spritz (7€), além de uma seleção de vinhos italianos, portugueses e, naturalmente, sardos.

Pouco mais de um mês depois da abertura, o balanço é positivo. “O feedback tem sido muito bom. As pessoas gostam de descobrir uma cozinha italiana diferente daquela a que estão habituadas. Temos muitos estrangeiros por estarmos numa zona com muitos expats, mas os portugueses também estão a aparecer cada vez mais.”

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Sebastião Saraiva Lima 17
    1170-343  Lisboa
  • HORÁRIO
  • De quinta-feira a domingo das 17h às 24h
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Italiana

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