Em Alvalade, há um novo balcão onde o gesto é sempre o mesmo: pegar, enrolar, entregar e seguir caminho. É assim que vai ser o dia a dia no Temakiko, onde o temaki é a estrela, mas não chega sozinho. Ali, os sabores japoneses fundem-se com os peruanos, na afamada cozinha nikkei. A ideia foi afinada entre a Grécia e a Suécia, e acabou por aterrar numa rua discreta de Lisboa este domingo, 4 de janeiro, num modelo centrado no grab and go, no takeaway e no delivery.
O projeto pertence a Francisco Duarte, 29 anos. Antes do Temakiko, abriu o Wabi Sabi, em 2021, um espaço que lhe serviu para “ganhar estaleca”. “Foi um projeto que eu criei sozinho. Foi uma experiência engraçada. Já deu para testar as águas, ver o que é que funciona e o que não funciona”, explica à NiT. Depois disso, decidiu sair do País durante cerca de cinco anos. Passou por vários destinos, Grécia, Suécia, Bélgica, Itália e Suíça.
Foi na Grécia que teve uma das experiências mais marcantes do percurso: trabalhou com o famoso Nobu Matsuhisa, o fundador dos espaços Nobu, em Atenas e Mykonos, e não esconde o impacto que isso teve no seu caminho. Haveria de aterrar em Gotemburgo, na Suécia, onde chefiou durante cerca de dois anos o The Parlour, um restaurante de fine dining num dos principais eixos da cidade, especializado na cozinha nikkei.
A ligação ao sushi, no entanto, começou muito antes de qualquer cozinha profissional. Francisco lembra-se bem das idas aos all you can eat com a avó, quando tinha nove ou dez anos. “Comia muito, muito, muito. Ao ponto de os donos ficarem a olhar de lado para mim”, conta. A brincadeira acabou por se tornar coisa séria e hoje é um sushiman certificado.
O regresso a Portugal era inevitável. “Já estava há uns anos fora e já estava com saudades de Portugal, da família.” A vontade passava sobretudo por aplicar tudo o que aprendeu lá fora num conceito novo, acessível e com identidade própria. Nasceu assim o Temakiko, totalmente focado na cozinha de fusão japonesa com peruana, muito marcada pelo percurso com o chef Nobu.

O conceito passa por transformar estes pratos para comer em movimento. “É to eat on the move, por assim dizer. Barato. Bom. E para apelar a toda a gente”, reafirma. Francisco acredita que ainda não existe em Portugal uma temakeria com este modelo e quer ocupar esse espaço. “Nós estamos aqui a tentar fazer o que não conseguiram fazer antes de nós.” A estratégia passa por testar o conceito durante cerca de um ano, fazer ajustes e depois pensar em crescer: “Ficar aqui durante um ano. Fazer as coisas bem feitas. Para depois conseguirmos expandir.”
A carta é curta e ajustada à dimensão do espaço, com cerca de oito lugares sentados. O foco está nos temakis e nos tacos. Há também bowls e algumas entradas, mas tudo gira em torno do peixe e da frescura. O atum chega em lombo a cada dois dias, juntando-se ao salmão e ao peixe branco, que pode variar entre corvina, dourada ou robalo.
Nos temakis, há 12 opções, com destaque para o Smoky White Fish (5,9€) e, nos tacos crocantes, entre as três opções, Francisco aponta para os de Salmão e Miso (9€). Pode ainda complementar a refeição com algumas entradas, uma sopa miso (3,9€) a salada de wakame (3,9€) e camarão em tempura (5,9€). Tudo feito com “peixe fresco de qualidade”, afiança.
O espaço acompanha o conceito. É pequeno, funcional e moderno, pensado para entrar, escolher e sair. Não há excesso de decoração nem distrações, tudo gira em torno do balcão e da preparação. Apesar do foco claro no delivery e no takeaway, quem quiser pode comer ali mesmo no local.

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