Restaurantes

Novo restaurante angolano de Lisboa presta homenagem às avós (e aos sabores típicos)

Renato de Menezes deixou o jornalismo e virou-se para os tachos. Criou um espaço que evoca os pratos da matriarca da família.

A vida não poderia ter mudado de forma mais radical para Renato de Menezes, antigo jornalista que trocou Angola por Portugal e a profissão pelos tachos. As memórias dos tempos que lá viveu, porém, permanecem bem vivas.

Recorda ainda hoje os pratos que a avó Rita fazia — e que Renato ajudava a preparar. Os aromas, os sabores, ficaram retidos na memória e no palato, e hoje renascem à mesa do Rita Neo Bistro, a homenagem familiar à gastronomia angolana.

O restaurante nasceu no espaço do antigo Distinto, em São Bento, Lisboa, espaço esse que estava nas mãos de Renato de Menezes, que trabalhou na televisão e na rádio até que decidiu mudar de vida. Já em Angola, criou o primeiro projeto em 2016, um café inspirado numa estadia de ano e meio em Boston.

Aterrou em Portugal pouco antes da pandemia e o confinamento acabou por prendê-lo em Lisboa. Nunca mais quis ir embora — acabou por perceber que estava na altura de criar um projeto também na capital portuguesa.

“Decidi que tinha que fazer qualquer coisa, mesmo fechado em casa. Não queria voltar à comunicação”, recorda à NiT o proprietário do Rita Neo Bistro, aberto desde outubro. A verdade é que o trabalho começou por ser feito ainda no antigo Distinto, até que no arranque de 2023 decidiu fazer uma revolução no espaço.

“Escolhi o nome em homenagem à minha avó, a melhor cozinheira, uma grande mulher que representa muito na minha vida”, confessa. “O que servimos representa o que eu sou, o que somos. As refeições que ela nos dava no quintal de casa. Eram as avós que tratavam de nós, que nos faziam o almoço, o lanche e o jantar.”

A carta aposta na “comida tradicional angolana, bem temperada e muito tropical”, preparada com os ingredientes habituais, do quiabo ao óleo de palma, sem esquecer a banana-pão. No fundo, uma cozinha moderna com os sabores tradicionais de Angola.

Entre os favoritos dos clientes está a clássica moamba (14,5€), mas há muitas outras especialidades para provar. Não falta a cachupa (14€) ou o calulu de peixe (15€), o mufete (14,5€) e até o funje de bagre fumado (12,5€) — uma “versão nortenha do pirão, neste caso feita com farinha de mandioca”. A canjica (13,5€), o caldo de peixe (13,5€) ou o pirão com molho de repolho (10,5€) também merecem destaque.

Para lá das grandes especialidades, pode começar a refeição com batata-doce no forno (5,45€) ou bombó no forno (6,45€). Há ainda kitaba picante (5,45€), paracuca (3,45) ou sumate picante (6,45€).

E, para finalizar, não faltam também as interpretações doces, com dois bem conhecidos, o arroz-doce (7€) e a mousse de chocolate (7€), mas também o rolão (7€) e a papa de milho (7€).

“É uma cozinha de memória, até para os portugueses, porque os que já foram lá, recuperam aqui essa memória”, explica o proprietário. “Aqui podem matar saudades ‘da banda’, ou como quem diz, da terra.”

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua de Poiais de São Bento, 36
  • HORÁRIO
  • Terça a Domingo, das 18h às 00h
PREÇO MÉDIO
Entre 30€ e 50€
TIPO DE COMIDA
angolana

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